SÃO  JOSÉ  DO  TIJUCO

VILLA  PLATINA

ITUIUTABA

 

DEOCLES GOMES MACHADO


 
 

As mil e duzentas crianças e muitos adultos de creches, asilos e clínica psiquiátrica poriam tranquilamente o popular Tio Doque no Panteão da História de Ituiutaba. Mas os beneficiados não lêem meu espaço no Diário Regional e sequer souberam da enquete que apontou destaques da vida tijucana. Entretanto, sua ciência de germinação a serviço do próximo e o desinteresse feito homem reservaram-lhe uma boa suplência.

Ele nasceu em Ituiutaba no ano 1904. Aos oitenta de idade foi reportagem em rede nacional da TV Globo, em função do amor posto na lavra do solo. Lote vago e ocioso no perímetro urbano, não tem escapatória, em suas mãos torna-se terra de promissão. Enxada a punho, chapelão de aba larga, sol a pino marcam o cotidiano desse homem. O dinheiro da aposentadoria convertido em mudas e sementes, somado ao suor do rosto, abastece muitas despensas de entidades assistenciais.

Em 1995, a Federação das Indústrias do Estado de Minas — FIEMG, homenageou-o com o título de Honra ao Mérito. Posteriormente, em 1997, a Câmara Municipal desta cidade deu-lhe o mesmo título em emocionante solenidade.

Justas homenagens a um sábio cultivador da solidariedade e da fraternidade, traduzidas em grãos, suor, frutas, boa vontade, legumes, trabalho, hortaliças e persistência.

Na juventude ele andava a bordo de um fordinho do início do século passado — não me perguntem o ano de fabricação, minha mãe é quem conta. Elegância pura no terno de brim com o vinco bem marcado.

Quem diria que, antes do novo milênio, ia se tornar especialista em hortifrutigranjeiros e pomicultor de mão-cheia?

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Texto e foto extraídos de O Livro de (quase) Todos, de autoria de Alciene Ribeiro Leite (Egil, 2004, página 232).

 

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Em 2004, ano em que "Tio Doque" ou "Tio Doc" completou 100 anos de vida,

Regina de Souza Marques Almeida criou o acróstico abaixo:

 

TIO DOC


D
eus foi muito generoso com nossa ltuiutaba,
Encaminhando este filho seu para aqui viver — DEOCLES,
Operando em seu coração a simplicidade e a doação,
Como atitude para bem-viver e ajudar quem precisa.
Lembro-me de seu olhar amoroso ao doar sua produção,
Esperando apenas um sorriso, ou nada ao cumprir sua missão,
Sem esperar retomo, apenas plantando e doando de coração.

Gotinhas de luz e amparo é conviver com Tio Doc.
Ontem, hoje e sempre, exemplo de cidadania fraterna.
Missão de praticar somente o bem, amparando, alimentando,
Esperança em dias melhores e de fome saciada com amor.
Saudades teremos de seus cem anos de amor e dedicação.

Melhores dias virão, se aprendermos um pouquinho com o Tio Doc.
Amparar, alimentar, dedicar o tempo só para o bem,
Começando, a cada dia, um ato de fratemidade, de fé e de simplicidade.
Humildade na prática do amor ao próximo, sem cobranças e vaidade.
Ah... como é bom, meu Deus, falar desse seu filho, exemplo de coragem,
Dedicação, singeleza, e , acima de tudo, exemplo de muito amor.
Orgulho-me dessa convivência amorosa, cheia de resultados felizes.

Tio Doc... como é salutar falar seu nome...
Tio Doc... cem anos de amor, de prosperidade e de fraternidade.
Tio Doc... que Deus o ampare sempre, e que seu amor,
Tio Doc... seja sempre luz para todos nós.

Parabéns, pelo centenário de amor.
 

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Nota: Este poema foi publicado no livro IV Antologia de Poetas de Ituiutaba, editado pela ALAMI em 2006.

 

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