SÃO  JOSÉ  DO  TIJUCO

VILLA  PLATINA

ITUIUTABA

 

SENADOR CAMILO CHAVES


 
 

Camilo Chaves nasceu em 28 de julho de 1884, no povoado de Campo Belo do Prata, hoje Campina Verde (MG). Foi vereador, deputado e senador no antigo Congresso Mineiro. Teve atuação decisiva na defesa do território mineiro durante a Revolução de 1930, no posto de Comandante em Chefe das Forças Revolucionárias do Triângulo.

Aos nove anos, com a bênção do pai João Evangelista Rodrigues Chaves, seguiu para a Itália a fim de preparar-se para a vida clerical. Graduou-se Doutor em Teologia pela Universidade Gregoriana do Vaticano e bacharelou-se em Filosofia, Matemática e Ciências Naturais. Chegada a hora de receber a Ordem Eclesiástica, demandou-se ao Triângulo Mineiro, pois carecia de vocação para o clero.

Casou-se com Dona Damartina Teixeira e tiveram três filhos: Hélio, Fábio e Camilo Júnior (pai do atual Prefeito de Ituiutaba Públio Chaves).

O Senador falava quatro línguas, com pleno domínio do latim e grande conhecimento do grego antigo. Foi um tribuno, com amplos recursos de oratória, e pianista exímio. Aliou à bagagem intelectual, adquirida no Velho Mundo, a experiência de fazendeiro, comerciante, advogado e professor. Jornalismo e literatura não tinham mistérios para esse homem, que escreveu dois alentados romances históricos. O primeiro é Caiapônia — o romance da terra e do homem do Brasil Central; o segundo, Semíramis — Rainha do Egito, Assíria e Babilônia, do Somer e Akad, foi escrito no final da vida terrena e está na 3.ª edição. A obra narra a saga da heroína e faz abordagem explícita da mediunidade. Uma das edições anteriores é da Federação Espírita Brasileira.

Após largo tempo relegado a raras estantes de estudiosos das raízes antropológicas locais, Caiapônia foi reeditado pela Fundação Cultural de Ituiutaba. O livro transporta o leitor do litoral brasileiro ao sertão, enquanto narra tragédia de amor, traição e morte, dentre outros componentes da combinação homem-terra. Em suas páginas, o vento sopra pelo cerrado, chapadas e diamantinas. O Autor envereda pelas picadas de matas virgens e revive dificuldades da conquista da região. Faz ainda a análise do porquê de o Triângulo Mineiro povoar-se só no início do século XIX: a faixa de terra contida entre os rios Grande e Paranaíba, então dominada pelos sanguinários caiapós, abrigava também foragidos da lei. Quem se aventuraria a pisar em terreno minado? Tampouco era grande coisa em matéria de pedras preciosas, a mania da época da ocupação territorial. Ao derredor, o extrativismo minerador ia a todo vapor, mas o perigo morava na Mesopotâmia Brasileira — expressão cunhada pelo Senador.

Só em 1805, foi concedida a primeira carta de sesmaria nas proximidades de Uberaba. O homem branco assumiu as rédeas da civilização do lugar e índio caiapó era uma vez!...

A obra divide-se em três partes e é vital à interpretação do passado de Minas no contexto nacional. Ler Caiapônia é conhecer também um pouco de nosso começo mais próximos: o capítulo VII é referente a Ituiutaba, então Arraial de São José do Tijuco.

O Senador Camilo Chaves, que tinha parentesco com Tiradentes, é o Autor da composição do nome Ituiutaba — aglutinação de vocábulos indígenas em consonância com a realidade cultural e geográfica local.

O sentimento de religiosidade era inato à sua personalidade. Na União Espírita Mineira — Casa Mater do Espiritismo no Estado, encontrou campo propício à prática religiosa aliada à caridade cristã. De 1945 a fevereiro de 1955, presidiu aquela federativa fundada no ano 1908. Nesse intervalo, iniciou a construção da sede própria, na Rua Guarani, 315, em Belo Horizonte. A inauguração do prédio, de três andares, deu-se em menos de um ano após a morte de seu corpo.

Nossa cidade perpetuou-lhe o nome em monumentos públicos como biblioteca municipal e escola estadual. Mas não está sozinha na iniciativa, várias sociedades espíritas fizeram coisa semelhante. Fomos buscar exemplo distante, a fim de ilustrar a afirmativa: um Centro Espírita de Viçosa (MG), ao homenageá-lo nominalmente, convocou-o para patrono da Casa, como soe acontecer nessas circunstâncias.

Entretanto, acima das honrarias terrenas prevalece o valor transcendente do homem. Enquanto jornadeou na Terra, ele soube dignificar a própria presença. A liderança política, a inteligente e oportuna contribuição ao progresso do homem do Triângulo e de todo o estado são reflexos dessa condição. Dos planos mais elevados, o Senador continua atento à gente que tanto amou e ama, conforme o testemunho de médiuns idôneos.

Os últimos anos da existência material foram férteis de criação no campo das letras e em divulgação da Doutrina Espírita, da qual foi um grande líder. Faleceu em 3 de fevereiro de 1955, na Capital Mineira.

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Texto extraído de O Livro de (quase) Todos, de autoria de Alciene Ribeiro Leite (Egil, 2004, páginas 23 e 24).

 

 

              
 

 

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