Prefácio do livro

 

do escritor tijucano Edson Angelo Muniz

 

 

Vários aspectos chamaram-me a atenção ao ler os originais deste novo livro de Edson Angelo Muniz. Curioso que, em sendo sequência da história de um robô alienígena e seu amigo terráqueo, Erik, (O robô de bom coração, Egil, 2011), as obras são independentes. O leitor frui a ficção científica edsoniana, nesta ou naquela, num mergulho em enigmas intergalácticos, sentindo as emoções e conservando o prazer da aventura de decifrar tais enigmas.

Outro detalhe relevante da temática explorada é a minuciosa carga de tecnologia, descrita com os recursos de incansáveis pesquisas do Autor nesta área. É uma obra ficcional? Sim, é ficção, mas isso não a isenta de conter um mínimo de credibilidade. Aqui o escritor expõe o seu lado inquiridor, amante da pesquisa, já comprovado em publicações genealógicas como Família Muniz – Tronco do Triângulo Mineiro, e outras; a consulta a documentos, o garimpo em fotos e correspondências antigas, as entrevistas, as viagens investigativas completariam o rol para a feitura de biografias de que demonstra aptidão.

Mas a inquietação, própria desses aplicados inventores de histórias, fê-lo desbravar, também, o terreno da crônica. Em “A Saga de Neinho”, o olho clínico do filho, travestido em narrador imparcial e amigo da verdade, radiografa particularidades do genitor, (Revista Projeção N.º 17, edição do jornalista Flávio Eurípedes de Oliveira, Ituiutaba, MG, 2008).

Cogito de a capacidade criadora de Edson elaborar a metamorfose de sonhos, fantasias e êxtases, tornando tudo isso em conteúdos com um mínimo de verossimilhança, quê sei eu?

Ainda no campo hipotético, ouso refletir sobre um eventual estágio sigiloso, em laboratório ultrassecreto, similar aos da NASA, num lugar incógnito do globo terrestre. Nada impossível numa dessas guinadas de cento e oitenta graus, que comumente ocorrem na vida das pessoas: e o Autor não se isenta de experimentá-las. Mistérios!...

A palavra mistérios me remete a contatos de  3.º  grau  com  extraterrestres.  No sítio-lar do inventor desta saga espacial, em distante interior do Gigante Brasil, há um ambiente propício a sala de visita de seres desta natureza. E se EAM foi abduzido e viveu as peripécias contidas nas páginas seguintes?

Delírios da também ficcionista, que assina abaixo, conduzem o raciocínio por veredas fantásticas, algo compatível com a própria vocação. Mas nada obsta indagações desse teor.

Numa ou noutras hipóteses apresentadas para explicar o ato criador de Edson Muniz, sinto-me livre para confidenciar ao leitor em potencial: se você quer se enternecer, se divertir, viajar sem sair do sofá, adquirir ou treinar a fluência verbal, ou, ainda, exercitar a agilidade para pensar, vá em frente. Ao fechar o volume, finda a leitura, permanece a torcida para que os personagens Erik e o Robô RC 1.500 continuem ao alcance de seus olhos e da vivência de novas emoções; que venham mais eletrizantes conflitos, urdidos pela mente do inventor de ambos; e que a estreita cumplicidade dele com o Dr. Nosde, o personagem deão dos cientistas de Cetro, planeta onde nosso robô foi criado, renda produções em série.

Boa leitura!

 

Alciene Ribeiro,
Escritora.