Apresentação do livro


 

da escritora tijucana Regina de Souza Marques Almeida

 

 

Tarefa honrosa deu-me Regina de Souza Marques Almeida, cadeira 76 da ALAMI (Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba), autora desta obra. O desafio está ao lado da honraria: devo antecipar-me à leitura escrevendo sobre a poeta e o seu poetar.

Por que eu, prosadora de ofício e apenas leitora média de poesia? Talvez por conhecer Regina desde quando ela brincava com tipos, barras, chapas e outros elementos tipográficos, na formação de palavras, na EGIL? Discípula de Gutemberg, motivou-se sobremodo pela escrita na Editora Gráfica Ituiutaba Ltda., empresa fadada a contribuir para a eclosão de valores natos no metier — vide Edson Angelo Muniz, pesquisador, autor do livro de genealogia Família Muniz Tronco do Triângulo Mineiro — e nos bancos escolares.

Enfim, excluídos os porquês do convite, no caso, irrelevantes, mergulhemos na temática da obra, esta sim, relevante.

Aqui fala-se do amor universal. Sentimento múltiplo, eterno e eternizado, imprescindível como alimento do espírito e mola impulsora do progresso do homem, da vida.
A princípio o leitor pode julgar tratar-se de um volume de poesia dor-de-cotovelo — que, convenhamos, tem lugar cativo na história de cada um, negue quem puder. Há, sim, também desabafos juvenis nestas páginas. Entretanto, diferente do usual, não foram pinçados de cadernos íntimos da autora. Aí reside um dado significativo.

Não temos, nas peças citadas, sentimentos pessoais da poeta levados a público, mas o devassar da alma coletiva adolescente. Sob a ótica de uma neutra 3.ª pessoa, com o distanciamento emocional no espaço, não no tempo, expõe-se o drama de modernos romeus e julietas.

Regina utiliza-se da observação, um recurso comum aos lidadores com a palavra, para compor os textos. Sob o olhar clínico da poeta, atitudes de colegiais seus contemporâneos ganham rima e métrica. Os versos e estrofes selaram reconciliações e deram uma força extra a Cupido, segundo ela.

O volume reúne poemas tradicionais e prosa poética, antigos e recentes, englobando o amor em sentido lato: fraternal, transcendente, edificante, terra-a-terra, amor à natureza, de educação para educador, amor de mãe e para mãe (Pararelo de Gratidão: Mãe e Professora – página 42). É o amor a perder de vista, como em Esperança – 25; amor mesclado à consciência política, social de cidadania e de religiosidade, temas estes tratados em Gratidão ao Médico – 30, Precisamos Acreditar – 31, Mensagem do Estudantezinho Pobre ao Homem Rico – 58, e outros.

Em síntese, nos poemas que Regina compôs "para você" faz-se uma espécie de viagem ao passado. Não uma viagem qualquer, de puro lazer e entretenimento: na bagagem há elementos para reflexão, junto a elementos críticos, que a experiência e o bom senso nos permitem elaborar a cada passo.
 

Belo Horizonte, outubro de 2002.

Alciene Ribeiro Leite,
Escritora.
"A primeira mulher ituiutabana a

profissionalizar-se na área de Literatura."