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Mãezinha querida

 

                                                Autor: Edson Angelo Muniz

 

 

        A minha mãe, Dorcina Muniz de Oliveira
 

 

 

Hoje, eu canto com mais emoção,
Que a minha voz sai embargada.
Acompanhando as batidas do meu coração,
Vou homenagear a minha mãe adorada.


Dona Dorcina, muito alegre e radiante,
Planta mais uma rosa no jardim da vida,
Por isso estou cantando com alegria,
Para a minha mãezinha querida.
 

Às vezes, não encontro palavras
Para dizer a minha mãe nesta hora,
Amor, carinho, respeito e amizade,
São as que mais combinam com a senhora.
 

Dona Dorcina é querida por todos,
Ainda mais pelos filhos, netos e bisnetos,
Pois é um anjo em nossas vidas,
E ela nunca teve desafetos.
 

Criou seus filhos com amor e muita luta,
Ensinou-lhes só o bem com carinho.
Mãe amorosa e companheira inigualável.
Sempre ao lado do seu esposo Neinho.
 

E agora, apesar de não ter o companheiro,
Ela não se cansa e a luta não muda,
Tem seus filhos: Edson, Edilson, Ednair e Ednazir,
E lá do Céu o papai ainda nos ajuda.
 

Ela tem os irmãos, sobrinhos e amigos
Que sempre estão ao lado dela
Transmitindo-lhe fé, amor e esperança,
Deixando a sua vida mais bela.
 

Minha mãe! Exemplo e esteio da família,
Já tem setenta mas ninguém acredita.
Graças a Deus ela está com boa saúde,
E a cada dia vai ficando mais bonita.
 

Todos conhecem esse anjo de Deus.
Cheia de amor, muita paz ela irradia.
Sempre está com o semblante feliz,
E segue firme trabalhando noite e dia.
 

Dedicamos-lhe toda a nossa vida,
E do papai ninguém esqueceu.
Certamente lá do céu ele canta:
“Parabéns pra você, anjo meu!”
 

Mãe! Eu amo a senhora, que me deu a vida
E ensinou-me andar, falar, amar, sonhar e sorrir,
Agradeço sempre a Deus por essa dádiva de amor
E lhe digo, mãezinha querida: Obrigado por você existir.
 

Hoje, ela está junto de Deus,
E o Neinho está ao seu lado.
Até o céu chorou copiosamente
Quando recebeu de volta este anjo adorado.

 

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Nota: Dorcina Muniz de Oliveira faleceu em 2008.

 


 

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Fazenda Saltador

 

Autores: Edson Angelo Muniz e Dida da Viola

Gravada em um CD Amador:

Intérprete: Edson Angelo Muniz

Acordes de Viola Caipira: Dida da Viola 

 

            Falo sempre com muita saudade

            Da Fazenda Saltador                 

            É um berço de felicidade

            É um recanto de paz e amor

            Esta Fazenda é uma riqueza

            Matas e serras por todo lado

            De manhã levanto sem tristeza

            E vou lá no curral ver o gado

                    De manhã levanto sem tristeza

                    E vou lá no curral ver o gado

 

            O nascer do sol lá é tão lindo

            A passarada canta é uma beleza

            Fecho os olhos e fico ouvindo

            A orquestra da natureza

            Quando o sol se põe atrás da serra      

            Desce a noite com um belo luar

            Mil estrelas iluminando a terra

            Neste momento começo a sonhar

                   Mil estrelas iluminando a terra

                   Neste momento começo a sonhar

 

            Tio Orípedes: grande guerreiro      

            Tia Joana: mulher querida

            Quando fico ali um dia inteiro

            É o dia mais feliz da minha vida

            Esta Fazenda tem muita fartura

            Graças a Deus e a Nossa Senhora

            Meu coração sente grande amargura

            Só quando eu tenho que ir embora

                     Meu coração sente grande amargura

                     Só quando eu tenho que ir embora

                     E a Fazenda Saltador...

                     Trago na minha memória.

 

 

Vista aérea da Fazenda Saltador

 

 

* * * * *

 

 

Só vou por onde me levam

meus próprios passos

 

                                                 Autor: Edson Angelo Muniz

 

 

Ao Professor Hélis Ferreira da Silva



A humanidade, a passos largos,
caminha para um beco sem saída.
Nas ruas, há roubo, estupro, morte e vício.
Dentro de casa, estamos presos, sem guarida;
O número de traficantes e, conseqüentemente,
o de crianças e de jovens viciados
aumenta a cada dia, assustadoramente.
Os pais, aflitos, com dor e sacrifício,
tentam mostrar aos filhos o caminho certo.
Nem sempre a súplica é ouvida!

Os adolescentes, incautos, estão seguindo,
de pessoas inescrupulosas, os passos
rumo ao nada, rumo à perdição.
Ainda não aprenderam a dizer não:
não às drogas, não ao vício,
não aos assassinos, que vendem
esse câncer que corrói a humanidade,
pouco a pouco, jovem por jovem, família por família.

Por que esses gananciosos marginais
têm que lucrar, cada vez mais,
vendendo ilusões a nossos filhos,
sem que a lei os faça parar?
Oh, meu Deus!
Quem dera poder mudar esse futuro, aos poucos.
Não mais haveria drogas... nem violência...
Mas isso não passa de um sonho louco...

Eu não sou perfeito, mas nada me oprime,
ninguém me arrasta por aí sem que eu queira ir.
Ninguém me leva ao vício, ninguém me induz ao crime;
só vou por onde me levam meus próprios passos.

E se os jovens de hoje, que são a esperança do amanhã,
tivessem forças e resistissem às tentações
daqueles que os conduzem ao abismo da dependência,
encontrariam, no final desse negro túnel,
uma luz que lhes devolveria a vontade de amar,
de viver, de ser feliz e de lutar
por uma sociedade melhor, livrando-a dessa decadência.

 

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Notas: Clique aqui e veja uma cópia do texto original.

Este poema foi publicado no livro IV Antologia de Poetas de Ituiutaba, editado pela ALAMI em 2006.

 

 

* * * * *
 

Tia Nenê
                                                

Autor: Edson Angelo Muniz

 

 

A tia Dalcina Muniz de Morais (Tia Nenê)

 

 

Tia Nenê é uma joia raríssima
Que guardo no cofre do meu coração
Canto pra ela com amor e carinho
E não escondo a minha emoção

É uma das filhas do Grande Nenê Muniz
E da pequena notável Helena Teixeira
Ela tem onze irmãos que nunca esquece
Dos quais ela sempre foi companheira

Esse anjo de carinho e de ternura
Em 58 casou com o Antônio Quirino
E desde então morou lá na Mateirinha
Cumprindo, com fé, o seu destino

Tia Nenê deu à luz a onze filhos:
A Sonia, a Sonilda, a Soneida e a Suelena,
O José, a Joana Rita, o Soneir e o Moisés,
O Sérgio, o José Bernardino e a Luzia Helena.

Quando um destes filhos chegava chorando,
Correndo, braços abertos, ao teu regaço,
Ela ninava e acariciava até que ele dormia
Todo feliz e seguro no aconchego do teu abraço.

"Ser mãe é ter tudo e não ter nada."
É criar os filhos para o mundo.
É dar aos outros aquilo que era seu!
É cravar no peito, o punhal do amor, bem profundo.

Com dificuldade, mas com fé e esperança,
Cuidou dos filhos, com amor, a vida inteira
Ela tem muitos netos e bisnetos.
Eta mulher de fibra, corajosa e guerreira

Nenê é um apelido carinhoso
Que ganhou quando ainda era menina
É o mesmo apelido de seu saudoso pai
Mas seu nome verdadeiro é Dalcina.

Às vezes, na vida há desencontros
Mas Deus será sempre o nosso guia
Tia Nenê, eu te amamos muito
E lhe peço perdão se a magoei um dia!

 

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Nota: Dalcina Muniz de Moraes faleceu em 2009.

 

 

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Tia Purcina

 

                                                 Autor: Edson Angelo Muniz

 

 

A tia Purcina Muniz de Menezes

 

Por várias vezes eu toquei meu violão
E cantei pra velho, menino e menina
Mas hoje, com lágrimas de emoção,
Vou falar da querida Tia Purcina.


Sua casa era sempre repleta de parentes e amigos
Que ela recebia com prazer e muita alegria
A pequenina Tia Purcina, essa grande matriarca,
Sempre aparentava ser mais nova que as “fia”
 

Cada ano que passava ela ficava mais linda
E se parecia muito com a Vovó Lena
Os seus olhos, ao brilhar de emoção
Pareciam duas flores de açucena
 

Ajoelhada, assemelhava-se a um anjo
Elevando a Deus uma prece.
Volto a dizer, a cada dia ela ficava mais bonita
E sua bondade a gente nunca esquece.
 

Seus cabelos já estavam grisalhos
Mãos e mente trabalhavam com fervor
Seu pensamento era só a família
No coração ela só tinha amor
 

Quem ama, sempre confia e compreende
Até mesmo a quem fere com espinho
Ela perdoava àquele que lhe ofendia
Pois era um poço de bondade e de carinho
 

Na Fazenda Santa Bárbara ela nasceu
É a primeira filha da vovó e do vovô
Com o Tio Zé Duca viveu sessenta e seis anos
Mas sua idade eu não conto não sinhô
 

Eu só sei que essa esposa, mãe, avó e bisavó
Amou seu esposo, seus filhos, netos e bisnetos
Deu exemplos e lições de vida a todos
E nos mostrou só caminhos certos.
 

Tia Purcina é mãe de oito filhos,
Que criou com carinho e imenso amor:
O Anazar, a Darci, o Quinca, o Laerte,
O Lázaro, a Maria Helena, a Criôla e o Alaor.
 

E eu seu grande coração de mãe

Mais um ente querido ela acolheu
A quem dispensou muito amor e carinho:
Pedro Justino Neto: o nono filho seu.
 

É difícil encontrar uma mãe igual
No tesouro de afeto aos filhinhos
Eu não sou seu filho nem sou seu neto,
Porém, tenho orgulho de ser um de seus sobrinhos
 

Tia Purcina, descanse em paz
No Reino da Glória, junto de Deus!
Nós aqui vamos seguindo até estar novamente
No aconchego dos braços teus.

 

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Nota: Purcina Muniz de Menezes faleceu em 2009.

 

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Vida abençoada

 

                                              Autor: Edson Angelo Muniz

 

 

        A meus tios Orípedes Muniz de Souza,

Joana Batista Muniz e Divino José Muniz
 

 

Levanto de madrugadinha e

vou pra cozinha passar o café.
Tomo, ali mesmo, um gole;

a vida não é mole, mas sigo com fé.
No céu, vejo a estrela-d’alva

e a lua alva, clareando o caminho.
Saio, então, calmamente,

vou andando lentamente,
Deus está sempre presente; eu nunca estou sozinho.

No curral, eu vou chegando,

os bezerros, berrando, prendo no piquete.
Amarro vaca e bezerrinho,

sento no banquinho, vou tirando leite.
Tenho umas trinta leiteiras,

todas de primeira; acabo num instante.
Aqui, neste meu torrão,

num pedacinho de chão,
sou vaqueiro e sou peão, sou roceiro e sitiante.

Terminando a ordenha,

vou buscar lenha pra fazer o almoço.
Passo lá no ribeirão,

lavo minhas mãos, meu rosto e meu pescoço.
Chego no grande terreiro,

ouço gritos no chiqueiro e galo abrindo o bico.
Para as galinhas debulho milho

e jogo aos porcos um atilho.
Volto para casa pelo trilho e muito feliz eu fico.

Mato minha fome e sede,

deito lá na rede e vou descansar.
Ali eu tiro um cochilo

e faço o quilo, antes de o gado apartar.
Depois, passo a mão na enxada

e vou pra baixada capinar a roça.
Quando o Sol vai descambando,

volto sorrindo e cantando;
tem alguém me esperando, na minha humilde palhoça.

Lá, eu não vivo sozinho,

tenho no ranchinho alguém que me adora.
Há tempos, ela vive comigo,

enfrentando os perigos pela vida afora.
A filharada crescendo,

e os netos nascendo, e ela sempre na lida;
é o meu braço direito,

sinto imenso amor e respeito
e guardo sempre no peito o amor da mulher querida.

Às vezes, com noite estrelada,

pego a espingarda para ir caçar.
De cima de um jirau-de-vara,

uma capivara fico a esperar.
Enquanto eu aqui viver,

vou agradecer a vitória alcançada.
Sigo sempre trabalhando,

eu não fico reclamando,
e a Deus vou agradecendo por minha vida abençoada.

 

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Notas: Orípedes Muniz de Souza faleceu em 2009.

Este poema foi publicado no livro IV Antologia de Poetas de Ituiutaba, editado pela ALAMI em 2006.

 

 

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Carreiro centenário

 

                                             Autor: Edson Angelo Muniz

 

 

A José Virgílio de Souza, Zé Souza,

pelos seus 100 anos de vida — 2005



Conheço um velho carreiro que foi candeeiro

e vive sossegado,
recordando sua boiada e seu carro na estrada

cantando pesado.
Vivia em sua palhoça e cuidava da roça

de arroz cacheado,
já não tem mais força pra lida

e o maior sonho de sua vida
é rever o seu carro afamado.

 

— “Firma Craveiro! Puxa Alvejado!”

Esse valente carreiro é um herói brasileiro

que foi desprezado,
já cruzou estrada poeirenta, enfrentando tormenta

ou o Sol abrasado.
Quantas vezes cortou o varjão segurando o ferrão

mas foi ele o marcado
pela dura luta carreira,

carreando tijolo e madeira,
de Sol a Sol, trabalho forçado.

 

— “Vai Navio! Força Carinhoso!”

A matula que ele levava, quando viajava

para o povoado,
era carne com farinha, arroz com galinha

ou queijo com melado.
Carreava a semana inteira e sua companheira

não ia ao seu lado,
tão sozinho vive triste e chora,

pois a sua amada hoje mora
lá no céu com seu filho adorado.

 

— “Eia Vistoso! Carrega Dobrado!”

Carro grande e carreiro gigante, trabalho constante

era sempre chamado,
dez bois puxavam o carro sem medo de barro,

subida ou lajeado.
Tiradeira era de couro e a mesa um tesouro:

bálsamo curado.
Os cocões eram de aroeira,

de taboca era feita a esteira,
onde o milho era transportado.

 

— “Vem Diamante! Afasta Sobrado!”

Esse homem que é quase uma lenda nasceu na fazenda onde foi educado,
perdeu os pais muito cedo e o seu brinquedo

era tanger o gado.
Hoje ele mora na cidade carreando saudade

do tempo passado.
É feliz apesar do fadário,

o carreiro centenário
é o Zé Souza, homem arrojado!...

 

— “Segura Peixão! Ôôôa Trigueiro!”

 

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Notas: Seu Zé Souza faleceu em 2008, com 103 anos.

Leia a crônica "Zé Souza: 100 anos de história", que escrevi em homenagem a ele, clicando aqui.

 

Este poema foi publicado no livro V Antologia de Poetas de Ituiutaba, editado pela ALAMI em 2008.

 

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