FAMÍLIA MUNIZ

Tronco do Triângulo Mineiro

Autor: Edson Angelo Muniz

 

OSVALDO ROSADO MUNIZ

"OSVALDO PARRUDA"

 

 

Osvaldo Parruda nasceu em Ituiutaba, MG. É filho de Antonio José da Silva Rosado e Elvira Cândida Muniz. Participou, como ator, nos filmes "Igrejinha da serra" (1979) e "Anúncio de jornal" (1982). É compositor de músicas sertanejas. Uma de suas composições, "Legado sertanejo", escrita em parceria com Josino Cruvinel, foi gravada por Sérgio Reis em 2000. Escreveu vários roteiros para o cinema e, com base em um deles, começou um projeto para publicar um livro; porém, em 2009 Parruda veio a falecer, e não viu o seu livro finalizado.

 

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Osvaldo Rosado Muniz "Osvaldo Parruda"

Crônica de Edson Angelo Muniz

 

O Osvaldo Parruda, também conhecido como Vadico, é filho de José Antonio da Silva Rosado e Elvira Cândida Muniz. Ele é o caçula de uma família de seis filhos, e nasceu no dia 25 de maio de 1933, na Fazenda Bandeira, que na época ainda era município de Ituiutaba.

Osvaldo iniciou seus estudos em uma escola da fazenda, depois, estudou em Ituiutaba, na Escola Estadual João Pinheiro e no Instituto Marden. Foi funcionário do Banco Crédito Real e passou em um concurso para o Banco do Brasil, mas não trabalhou nesse banco. Foi locutor da Rádio Platina, em Ituiutaba, e vendedor da extinta loja de eletrodomésticos, Carlos Saraiva, na cidade de Uberlândia.

Depois de alguns anos, mudou-se para Goiânia, GO, onde foi trabalhar de vendedor ambulante, em sociedade com um amigo. O negócio não deu certo, e em vez de ganhar dinheiro, acabou perdendo o pouco que tinha. Em Goiânia Osvaldo iniciou-se no teatro, mas as dificuldades financeiras fizeram com que ele se mudasse para Rio Verde, na tentativa de melhorar de vida. Neste cidade goiana, ele tomou conhecimento da história contada na música “Igrejinha da Serra” — de autoria do Marinheiro, e gravada por Praião & Prainha, e outras duplas sertanejas —, e o tino artístico de Parruda fez com que ele escrevesse um roteiro para o cinema, com o mesmo título da música. O filme é o primeiro longa-metragem totalmente goiano, feito em 1979, e foi gravado na fazenda Capa Branca, onde foi construída a igrejinha da Serra. Com uma hora e meia de duração, o filme conta a história de Evaristo e Rosinha, personagens que viveram no município de Rio Verde. O personagem de Evaristo foi interpretado por Osvaldo Parruda, e o do Rosinha, pela atriz Idelvina Bueno. O romance virou uma espécie de lenda. O filme “Igrejinha da Serra” foi dirigido por Alberto Rocco e Henrique Borges, e rodou o Brasil, fazendo sucesso.

Depois, na década de 80, Osvaldo Parruda trabalhou também, como ator, no melodrama paulistano “Anúncio de Jornal”, onde atuou ao lado de Júlia Graziela — a cantora da música que deu nome ao filme —, Simone Carvalho, Paulo Leite e outros.

Osvaldo era um artista polivalente: além da ator e roteirista de cinema, foi empresário de peças teatrais e compositor de música sertaneja, algumas inéditas ainda, e entre elas: “Legado Sertanejo”, que escreveu em parceria com Josino Cruvinel, e que foi gravada, em 2000, por Sérgio Reis.

Há alguns anos, Parruda, aposentado, ficou mais quieto em Ituiutaba, e nos desfrutamos de sua agradável companhia, tanto para trocar um dedinho de prosa quanto para jogar o truco, que ele tanto gostava. E o Osvaldo Parruda foi um dos meus colaboradores quando eu estava escrevendo o livro Família Muniz — Tronco do Triângulo Mineiro.

Em  2006  ele  me  procurou,  na  Egil,  tendo em mãos um roteiro para o cinema, de  uma  aventura,  romance,  tragédia,  que  se  passava  em  um  garimpo,  com  o título O canto do urutau, e pediu-me para transcrever aquele texto, da linguagem cinematográfica, para a linguagem oral. Depois de fazer o que ele me pediu, levei o livro para que ele analisasse. O Osvaldo fez algumas correções e mudanças no livro, e me  pediu  para  o  enviar  a  uma  editora  de  São  Paulo. Enviei  O canto do urutau para  duas  editoras  paulistas.  Mas,  infelizmente,  as  grandes  editoras não publicam autor desconhecido.

Em 2009, Osvaldo Parruda enviou um ofício para o Prefeito de Ituiutaba, pleiteando um apoio financeiro para esta sua obra, mas o seu pedido não foi atendido. O seu livro estava prontinho para ser impresso; porém, no dia 27 de setembro, com 76 anos de idade, o primo Parruda partiu para a eternidade, sem ver mais um sonho realizado. [...]

O artista Osvaldo Parruda deixou os palcos da terra para brilhar no palco do céu.

 

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Nota: Com a colaboração de parentes e amigos, e com o grande esforço do José Rosado Muniz, o Zé Nêgo, irmão do Parruda, em 2010 o livro O canto do urutau, de Osvaldo Parruda, foi publicado, na Egil, sob a supervisão gráfica de Edson Angelo Muniz, que também fez a organização textual e a montagem da capa. Clique aqui e leia o "Prefácio", de Ione Marta Franco Pereira.