Artigo

de

Edson Angelo Muniz

 

"Palavras são palavras,
nada mais do que palavras!"

       

Eu estou muito decepcionado com a raça humana. Como o ser humano pode ser tão hipócrita! Eu acredito muito nas pessoas e tenho comigo que a palavra dada é o maior dos documentos e que a consciência é o nosso maior juiz. Algumas pessoas — principalmente os políticos — nos prometem coisas quando estamos à sua frente; depois, quando nos afastamos, não cumprem a palavra, causando-nos, às vezes, sérios prejuízos. E não foi uma nem duas vezes que isso aconteceu comigo.

Existem alguns profissionais que fazem propaganda de seus serviços, e de sua empresa, e, às vezes, não cumprem a palavra veiculada, assim como existem funcionários que não se dão conta de que a empresa onde trabalham é que será prejudicada caso eles não ajam corretamente.

Digo isso porque num programa de rádio, em que o locutor fazia a propaganda de um lavajato, ganhei uma cortesia para lavar e encerar o meu carro. Nesta última sexta-feira, deixei o carro com um dos funcionários do lavajato e combinamos, verbalmente, todo o serviço. Mas eu havia me esquecido de que o porta-malas do carro estava cheio com meus CDs e DVDs, guardados ali provisoriamente por causa de uma reforma em minha casa.

Não pensei duas vezes: “Tenho de confiar neste jovem.” Abri o porta-malas e mostrei a ele o que estava lá, e lhe disse que não precisava limpá-lo. No fim da tarde, o mesmo rapaz foi até o local onde eu trabalhava para me entregar o carro. Parecia que ele tinha uma brasa na mão no lugar da chave do carro, tamanha era a sua pressa. Ele não quis nem mesmo pegar o vale-brinde que eu recebera na rádio. Entreguei-lhe o comprovante e lhe disse que, quando eu precisasse lavar o carro novamente, iria até o seu lavajato.

O jovem montou na garupa da moto de um colega, que partiu velozmente.

Fui até o carro, conferi a limpeza, que estava satisfatória, mas quando abri o porta-malas, uma grande “sujeira” saltou aos meus olhos: faltavam alguns CDs e DVDs. Não fui de imediato atrás do rapaz, pois certamente o lavajato àquela hora já estaria fechado. Deixei para reclamar no dia seguinte, bem cedo.

Ao chegar ao lavajato, o rapaz que havia conversado comigo no dia anterior não estava. Expliquei o caso a seus colegas e a seu patrão, que me garantiram não ter sido ali o sumiço dos meus pertences. Como acreditar agora naquelas palavras, se a minha confiança fora abalada?...

“Não traga para casa nem um fundo de agulha, se ele não for seu”, aprendi com meu pai, quando eu era criança. A isso se dá o nome de honestidade. Todo lavador de carros deve agir assim — e acredito que a maioria deles são honestos. Se no interior do carro que vai ficar sob sua responsabilidade há R$ 0,05 ou R$ 5.000,00, há 1 DVD ou 500 DVDs, quando devolver o carro ao dono, eles devem estar lá, intactos.

Fiquei triste não pelo valor real do que me foi usurpado, mas pelo valor sentimental — eram CDs e DVDs que eu ganhara de amigos e parentes — e por constatar, mais uma vez, que a humanidade está perdendo os valores éticos, os homens estão levando a sério o lema de um personagem da teledramaturgia brasileira: “Palavras são palavras, nada mais do que palavras!”

Que pena! Eu, que deveria agradecer ao lavajato pela gratuidade do serviço prestado em meu carro, e que era um cliente em potencial dele, não vou voltar mais lá, e, é claro, não vou dizer a meus amigos uma só palavra de elogio sobre este lavajato.

Eu agora só posso dizer: “O barato saiu caro.”

 

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