Capa de Willian Jacques

 

 

Apresentação

 

Nestes mais de dez anos que venho publicando livros, e lendo a todos, esta foi uma das poucas vezes que do sorriso fui às lágrimas, e minutos depois voltei ao sorriso.

Reinaldo Gouveia Franco, numa linguagem simples, porém, com precisão e concisão, descreve passagens da vida, carregadas de alegria, tristeza, saudade, tragédia, fé, heroísmo...

Em “Mulher bate no marido”, conto que dá título a este livro, o autor narra a traição de um homem — que nem chegou às vias de fato —, que, por causa disso, é açoitado pela mulher. O marido, para esquecer a vergonha e a dor das chibatadas no “popô”, e esperar que a poeira assente e que sua mulher o perdoe, vai pescar e caçar com um amigo-compadre, e, a partir daí, as mentiras de pescador e caçador tomam conta do conto.

“Fim de sonho” relata a tristeza de um fazendeiro que se vê obrigado a vender o seu “recanto querido”, e que, por isso, fica rememorando toda a sua vida ali, tudo quanto ele passou para conseguir e manter a sua terra e a casa onde nasceu. Flashes de memória o emocionam até o último minuto em que ele sai pela estrada, levando a mudança e a família, para morar na cidade.

Nos contos “Busca da paz” e “AIDS — uma epidemia profética?”, Reinaldo destaca a sua reprovação às atitudes da sociedade em relação ao sexo, ao jeito como a juventude de hoje se comporta em lugares públicos e o seu desrespeito pelos mais velhos. E condena as matérias veiculadas na mídia, especialmente a televisiva, que, às vezes, levam para dentro de nossa casa cenas de violência e sexo, dando maus exemplos às crianças. Em algumas narrativas, o autor deixa transparecer que é um homem temente a Deus e transmite ensinamentos bíblicos, instigando o leitor a ler a Bíblia.

“O cravo e a rosa” é um conto que tem uma linha poética, no qual o autor, usando figuras de linguagem, conta a triste história de um amor impossível — o que dilacera o coração de qualquer ser humano...

No conto “Que hei de escrever?”, Reinaldo confessa o seu carinho pela cidade que o acolheu: Goiatuba, que aos seus olhos “é a mais Barra Limpa do Sul Goiano”, e ainda homenageia amigos e comerciantes que contribuíram para o desenvolvimento da “Princesinha do Sul”.

Descrevendo a enchente de 1958 — enchente que deixou a cidade de Ituiutaba completamente ilhada —, Reinaldo relata, em “Flagrante da natureza — Desastre ecológico”, a ação das águas revoltas do rio Tijuco destruindo a velha ponte Raul Soares, ação registrada pelas retinas de incrédulos tijucanos. Na sequência, o autor reaviva a memória dos mais velhos e incute na dos mais novos a bravura dos irmãos Marchiori, que, arriscando a própria vida, lutaram contra as águas bravias do caudaloso rio da Prata, nas proximidades das pontes do Salto, e salvaram a vida de um garimpeiro aflito, que se agarrara aos galhos de uma árvore para não ser levado pela correnteza.

“Eleições municipais” é uma narração jocosa de uma disputa eleitoral entre dois candidatos à prefeitura de Ituiutaba, com fatos hilários, vivenciados pelos cabos eleitorais quando de suas visitas a eleitores, e entre os próprios candidatos, numa acirrada disputa, mormente durante os comícios.

Em “Barbárie!”, Reinaldo nos mostra o quão vil pode se tornar o ser humano, relatando a ação de um assassino frio e calculista, que, para roubar alguns mil cruzeiros, mata e enterra um senhor de idade, um trabalhador, um pai de família, de quem ele se dizia amigo.

Caro leitor, ao ler esta obra, certamente você terá as mais diversas emoções, assim como eu tive, pois as histórias inseridas nela retratam um pouco da nossa realidade, com pinceladas de humor e fé.

 

 

Edson Angelo Muniz

Escritor e historiador

Acadêmico e Diretor de Imprensa da ALAMI

Editor da Egil — A sua editora em Ituiutaba

 

 

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Reinaldo Gouveia Franco nasceu em 9 de agosto de 1922, na Fazenda Douradinho, município de Prata, MG. Seu pai, Oscar Ribeiro de Gouveia (Carito), e sua mãe, Prudenciana Helena Franco. Aos 12 anos de idade, com seus irmãos, iniciou seus dois primeiros anos de curso primário, ali mesmo, naquela fazenda.

A professora era uma jovem ituiutabana, de nome Jenesita, contratada pelo Carito. Esse curso primário foi concluído no Colégio Aurora, município de Prata, fundado pelas filhas do Solé, cuja diretora era a dona Xana. Em 1939, Reinaldo matriculou-se no curso secundário do Ginásio Diocesano de Uberaba, onde terminou este curso que era de quatro anos. Depois, foi para o Rio de Janeiro, estudar num Colégio na praia do Flamengo. Antes de terminar o segundo ano de curso — preparo para o vestibular —, com o surgimento da Segunda Guerra Mundial, ele foi convocado pelo exército para um curso de sargento em São João Del Rei. Nesta cidade ficou por seis meses. Transferiu-se para Ouro Preto, onde, já com seis meses de exercício militar, com o fim da guerra, foi dispensado, retornando à sua vida civil. Com esse tempo perdido, desiludido dos estudos, voltou a morar definitivamente na fazenda, com seus pais.

Tinha paixão por leituras sobre assuntos variados, principalmente romances. A leitura era aos domingos, à luz do dia, e, às noites, à luz de lamparina a querosene. Reinaldo veio a morar em Ituiutaba por longo tempo — no Hotel Brasil —, onde, em 1961, escreveu Através das nuvens, o seu primeiro livro, que foi editado pela Editora Itatiaia, de Belo Horizonte, em 1964, um ano depois de sua mudança para Goiatuba, cidade sulgoiana, onde construiu seu Hotel Amazonas. Casou-se em Goiânia em 1970, com a jovem uberabense Maria Alice Minare. E com ela, firmes neste hotel, tiveram dois filhos: Wesley Minare Franco e Fabiano Minare Franco.

Em Goiatuba, Reinaldo escreveu mais dois livros: O tropeção, que foi impresso em Goiânia, na Editora Oriente, em 1977, e Muito além, impresso nas oficinas da Asa Editora Gráfica Ltda., em 2005, também em Goiânia. Agora, em 2010, publica o seu quarto livro, Mulher bate no Marido e outros contos, e a segunda edição do livro Através das nuvens, na Egil, editora de Ituiutaba.

 

 

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