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Jovem meio-centenário
(Autobiografia)

 

                                               Autor: Edson Angelo Muniz

 

 

Nasci em vinte e quatro de março,
Num ano de paz e de muita luz.
Em mil novecentos e cinquenta e seis,
Iluminado por um meteoro e pelo Menino Jesus.

Em solo da querida cidade de Ituiutaba,
No Triângulo das Minas Gerais,
Eu vi a luz do mundo e conheci
A Dorcina e o Neinho: meus queridos pais.

Tenho três irmãos: Ednair, Ednazir e Edilson,
Amigos inseparáveis, desde a infância querida,
Que começa na fazenda, lá na balsa de cima,
Às margens do Rio da Prata, o rio da nossa vida.

Quantas vezes esse rio foi meu companheiro,
Em suas águas claras eu tomei banho, eu brinquei,
Mas o Rio da Prata foi um amigo traiçoeiro,
Pois aos quatro anos de idade nele eu afoguei.

Com cinco anos eu já somava e diminuía.
Aos seis, sabia multiplicar, dividir, ler e escrever.
Meu primeiro professor foi o Neinho, meu saudoso pai,
E de todas as suas lições eu nunca vou esquecer.

Aos sete anos já estudava em Ituiutaba,
No Rotary Club e na escola da Capelinha.
Aos nove passei a estudar no Educandário,
Sob a Direção de Nair Muniz, uma parenta minha.

Aos onze anos morava em Cachoeira Dourada.
Onde eu estudava, engraxava e vivia folgado.
Mas não me esqueço que no Rio Paranaíba,
Foi só por Deus que eu não morri afogado,

Aos doze anos voltamos para Ituiutaba.
Conclui a 5.ª série no Colégio São José.
Aos quatorze me apaixonei pela primeira vez:
Amor de adolescente vocês sabem como é.

Estudei mais cinco anos na Escola Estadual,
Mas parei, faltou perseverança neste mineiro.
Após quinze anos conclui o segundo grau,
Na Escola Estadual Governador Israel Pinheiro.

Desde os dezessete trabalho com artes gráficas,
Na Egil, com o Paganini e o Jaci de Almeida, foi onde iniciei.
Dos tipos móveis migrei para o computador.
Ainda trabalho nesta gráfica, até quando eu não sei.

Aos dezoito anos, com muita garra,
Ganhei divisa de cabo do exército brasileiro.
Fui porta-bandeira, servi bravamente.
Onde aprendi a obedecer e ser mais companheiro.

Com vinte e três desposei minha amada, Helice,
Aos vinte e cinco, fui pai da Aline, a primeira filhinha,
Aos vinte e oito, Deus me deu outro presente:
Elisangela, a minha linda caçulinha.

Aos trinta e seis eu ainda consegui,
Terminar o curso de Computação.
Na Feit-Isepi estudei por três anos
E no Cine Ituiutaba foi a nossa colação.

Nesta época conheci muitos amigos
Que marcaram minha vida eternamente:
Angelita, Gilvânia, Pedro, Washington...
E outros, que estão gravados em minha mente.

Não vou contar aqui toda a minha vida,
Os fatos tristes de lado eu deixei,
Porém, aos quarenta e um fiquei sem o meu pai,
Mas de onde está, ele me abençoa, eu bem sei.

Tenho muitos amigos e milhares de parentes,
Sou uma pessoa humilde, amiga e feliz.
Aos quarenta e seis ganhei o Edson Neto
E realizei um sonho: o livro "Família Muniz".

Sou um eterno amante da vida!
Um poeta, que escreve o que pensa.
Gosto de música sertaneja, toco violão e viola.
Só tenho amigos, não procuro desavença.

Tenho medo de mudanças muito radicais,
Tanto na vida profissional quanto na amorosa.
Amo intensamente tudo o que faço, e mais,
Sou uma pessoa discreta, confiável e sigilosa.

Comemoro cinquenta anos de vida abençoada.
Ao lado da família e dos amigos, num belo cenário.
Agradeço a Deus, ao papai e à mãezinha adorada,
Por hoje eu ser este jovem meio-centenário.

 

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Este poema foi publicado no livro V Antologia de Poetas de Ituiutaba, editado pela ALAMI em 2008.

 

 

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