SÃO  JOSÉ  DO  TIJUCO

VILLA  PLATINA

ITUIUTABA

 

JERÔNIMO MENDONÇA


 

(01-11-1939/29-11-1989)


 

Há onze anos, essa ave de arribação, conforme ele se autodenominou, voou a outros pousos. Não sem assinalar o turno tropical de modo indelével entre os contemporâneos no exílio terreno. Espíritas e não-espíritas são unânimes em reconhecer a fibra e a superioridade moral dessa criatura de Deus.

Atesta a afirmativa da postura ecumênica do público o número de velas e de pedidos de milagres no seu túmulo em Ituiutaba.

A propósito, Jerônimo recitou-me, certa vez, o epitáfio ideal: Aqui eu não me encontro,/ Agradeço-lhe a oração./ Um dia nós nos veremos/ Numa outra encarnação.

O líder religioso construiu o Centro Espírita Seareiros de Jesus, a Creche Espírita Pouso do Amanhecer e montou uma gráfica para imprimir livros e volantes de conteúdo doutrinário. Mantinha tudo com o produto de seus livros, fitas e discos vendidos em excursões empreendidas, Brasil afora, a fim de pregar o Evangelho de Jesus. Guardadas as proporções e observado o contexto, ele lembra Paulo de Tarso na peregrinação em prol da Boa Nova.

Foram seus pais Altino Mendonça e Antônia Cândida de Jesus. Da numerosa irmandade, permanecem entre nós Josefa, Eurídice, Sebastiana, Clarice e Oneida.

O ser humano em Jerônimo Mendonça foi (é) qualquer coisa de extraordinário. Testemunha-o o homem, o jovem, o adolescente como os outros, com seus sonhos, vontades, ilusões, limitações, que, entretanto, se superou ao longo de dura provação. Ele sublimou dores físicas e morais, anulando-se pelo bem de tantos quantos o buscavam, sem norte. Muitas pessoas que se julgavam vítimas do destino saíam de sua casa, na Rua 16, envergonhadas diante daquela fortaleza moral. Com rara dignidade, no leito de cego tetraplégico, um peso de areia ao peito a fim de embromar a angina, irradiou alegria e esperança. Não perdeu um minuto com queixas ou lamentações, dizendo-se ciente de que colhia o plantio de outras vidas marcadas por graves erros. Afirmava ser grato a Deus pelo ensejo de harmonizar-se com a lei divina.

Usou o telefone para arrecadar pão, leite, remédio e agasalho, entre os amigos mais favorecidos de recursos materiais, em favor dos muitos desvalidos sob sua proteção. Até onde fosse a voz impostada e de timbre agradável, aliviou mazelas muito menores do que as pessoais. Além do telefone, o rádio, televisão, fitas k-7, discos, vídeos e sobre quatro rodas que comportassem a cama ortopédica de material leve, adequada a deslocamentos. Repentista nato, hábil em secar lágrimas alheias, ia de orientação doutrinária a sábia oratória, consolo, esclarecimento, conversação fraterna, canto, poesia, humor. Os livros, ditados a terceiros, merecem um capítulo à parte.

Palavras de Jerônimo: A felicidade para mim, que estou há anos deitado de costas, seria virar-me de bruço — seguia-se sonora gargalhada.

Após a primeira década da desencarnação do seareiro, os ventos inspiradores do Além sopraram algumas idéias aos ouvidos de parceiros terrenos. Anote-se a criação de fundação com seu nome, voltada ao problema maior do momento: preparar agentes para o cumprimento do plano traçado por Jesus, de regeneração do planeta, só possível por meio da educação das novas gerações.

Local já havia. A doação de grande área no Satélite Andradina, bairro de Ituiutaba, por Petrônio Rodrigues Chaves ao cidadão Jerônimo, obedeceu a um Projeto Maior. É de ressaltar-se a transferência do terreno ao Centro Espírita Seareiros de Jesus por vontade expressa do beneficiado que, junto ao benfeitor, esteve também a serviço de legisladores espirituais.

Na sequência, criou-se a Fundação Espírita Jerônimo Mendonça (FESJEM), por ora Departamento do Centro Espírita Seareiros de Jesus. Dirigi-o Maria Gertrudes Coelho, trabalhadora da primeira hora no projeto. No tempo propício, o Departamento terá atribuições técnicas e funcionais de uma fundação propriamente dita.

Sob o lema educar o jovem e transformar prisões em museus, consta do estatuto da FESJEM aulas de moral cristã à luz do espiritismo. Trata-se de uma orientação dos mentores espirituais da entidade, como de resto todas as atividades programadas no âmbito da Fundação.

Com essa filosofia, certamente o bairro, a cidade e a região serão beneficiados, pois os reflexos positivos vão se abrir em leque. Utopia? De jeito nenhum. Toda criatura de bom senso e um mínimo de inteligência pode fazer a projeção.

Não é à toa que Jerônimo Mendonça ficou conhecido como Gigante Deitado e foi eleito um dos Dez Vultos Mais Importantes da História de Ituiutaba.

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Texto extraído de O Livro de (quase) Todos, de autoria de Alciene Ribeiro Leite (Egil, 2004, páginas 191-193).

 

 

 

              
 

 

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