Crônica
de
Edson Angelo Muniz

 

Portonum Finodum
 

Dormi, e sonhei...

Eu estava, com alguns amigos e familiares, em uma rua de terra, próxima de um córrego. Um artista plástico, simpático, nos mostrava seus trabalhos: retratos em grafite.

Eu admirava um dos seus trabalhos porque estavam retratadas nele passagens da minha infância: a balsa do Rio da Prata; a venda do Tio Antenor; o velho ônibus chevrolet do meu pai...

De repente, chega, do meu lado direito, um senhor magro, de barbas brancas. Fitei-o: era o meu pai. Entreguei-lhe o retrato e lhe disse:

— Olha, pai, o seu Chevrolet 44!

Ele pegou o grafite e ficou olhando-o, sem dizer nada. Me virei e peguei outro trabalho do artista. Quando fui entregá-lo a meu pai, ele já não se encontrava mais ali.

No mesmo instante eu já estava em uma nave espacial, singrando o cosmo, numa velocidade vertiginosa. Eu era o comandante e meu amigo Luiz Vilela um dos astronautas.

O espaço sideral estava repleto de minúsculos planetas que pareciam “bilocas espalhadas numa grande extensão”, e milhares de naves espaciais. Enquanto nossa nave avançava, conversávamos. Lembro-me de um trecho da nossa conversa:

— Quando o livro saiu, Edson, descobriram que o título, Lavado nome do rapaz, estava errado.

— E qual era o título certo?

— O título correto era Levado, o nome do rapaz.

Eu perguntei ao meu amigo:

— E o que fizeram, Luiz Vilela?

— O prefeito, homem culto e severo, disse ao gerente da gráfica: “Que se refaça todo o escrito. Portonum ao finodum.”

Um clarão ofuscou meu olhar... Acordei.

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Escrita em 10 de fevereiro de 2006, às 4h22min. Em algumas solenidades, quando eu sou o Cerimonialista, ao final, digo: "Boa-noite a todos e, Portonum Finodum..." Foi desse sonho que eu criei essa maneira de encerrar os eventos. E isso já se transformou em uma marca registrada...

 

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