SÃO  JOSÉ  DO  TIJUCO
 

VILLA  PLATINA
 

ITUIUTABA

 


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FAMÍLIA PARANAIBA

 

Textos e fotos extraídos do livro Família Paranaiba - Ramo Tomaz Paranaiba (Mazico),

de Sandra Maria Paranaiba Souza e Gerson Sebastião de Souza 

 

 

Apresentação

 

Já se disse que um país que não conhece o seu passado não pode construir o seu futuro. Podemos também fazer uma analogia com as famílias que, nos dias de hoje, não tem dado a devida importância às suas origens e acabam também, não tendo um direcionamento positivo para a sua descendência.

Para transformar o que era registro oral, transmitido de geração em geração, das origens da família Paranaiba em um documento escrito e ilustrado do único tronco familiar a possuir este sobrenome em nosso país, é que foi idealizado este livro que tem o objetivo prestar homenagem aos entes queridos que já partiram desta vida e mostrar também que é no cultivo e fortalecimento da célula-máter da família que se formarão cidadãos capazes de colaborar proativamente na construção de uma nação mais progressista e forte no futuro.

Esta obra é um mergulho numa época em que a coragem dos desbravadores dos sertões inexplorados do Triângulo Mineiro sobrepujava toda sorte de obstáculos. Imaginemos que naquela época, primeira metade do século XIX, não existiam estradas, não existiam pontes, o automóvel ainda não tinha sido inventado nem o telefone. Uma viagem de Ituiutaba a Uberlândia a cavalo demorava em torno de 5 dias entre a partida a chegada.

Imaginemos então a coragem e o espírito desenvolvimentista do primeiro membro da família Paranaiba, Manoel Joaquim Alves, que deixou o sul de Minas Gerais para adquirir fazendas na região do atual município de Santa Vitória. Realmente ele foi um homem diferenciado, que pensava além do seu tempo e colocava no seu intento toda sua energia e capacidade laboral.

As posses dos grandes latifúndios se perderam nas esquinas do tempo, entretanto seu exemplo de trabalho, de fé e coragem se perpetuaram. Hoje a família cresceu. O que era um apelido devido à extensão das terras ao longo do rio Paranaiba, se tornou o sobrenome que caracteriza um tronco familiar de pessoas batalhadoras, honestas que tem no trabalho do campo e no comércio um legado que tem se transformado em geração de novas riquezas e prosperidade.

Este livro é um marco histórico mas não encerra uma bela história familiar. Muito ao contrário: a família Paranaiba continuará a crescer e esperamos que no futuro, outros membros tenham esta obra como referência para fazer as atualizações necessárias de várias e várias gerações que ainda virão, dando a continuidade a esta tradição tão forte e marcante de valorização do elemento que faz e transforma a história: o ser humano.

 

Brasão da Família Paranaiba

 

Já vem se tornando tradição entre as famílias seculares brasileiras a criação de um brasão que as simbolize. Este ícone simboliza a solidez familiar, as tradições e a genealogia que originou a família e aponta um norte a ser seguido pelos descendentes para a posteridade.

Durante a concepção deste livro foi dada a sugestão de que se criasse um brasão que representasse a família Paranaiba, único ramo familiar conhecido que possui esta assinatura em nosso país.

Para proceder à escolha do brasão que represente a família, foi elaborado um regulamento e constituído um júri independente, nominado na página 5 desta obra, que definiu como vencedor o trabalho de autoria de Thiago Hemerson Gomes Ramos Paranaiba, que representa o Rio Paranaiba, origem do sobrenome da família, o trabalho na terra, a fé, a tradição, a bandeira do Estado Mineiro, sendo que os ramos de café que adornam o escudo central fazem referência ao sul de Minas Gerais, cuja cultura cafeeira é tradicional e representa a região de origem dos antepassados desta família. A canoa simboliza o comércio, atividade exercida por muitos membros deste ramo familiar. As estrelas no canto superior direito representam os 14 filhos do casal Tomaz (Mazico) e Zilda (Doca). As datas que aparecem no listel indicam a chegada do primeiro antepassado a Santa Vitória, vindo do sul de Minas (1832), e a criação do brasão da família (2010). (Clique aqui para ver o brasão e a sua descrição).

Edson Angelo Muniz, editor gráfico, acadêmico da ALAMI — Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba — e especialista em estudo de genealogia e brasões participou do júri do concurso que elegeu o brasão que representa a família Paranaiba e deu um depoimento — clique aqui para lê-lo — sobre o processo de escolha bem como das modificações necessárias feitas no trabalho vencedor para adequá-lo às normas da Heráldica.

A partir da criação deste brasão, todos os familiares estão autorizados a usar este brasão como símbolo familiar, desde que sua reprodução respeite a proporcionalidade entre largura e altura. Assim, pode-se produzir adesivos, camisetas, peças em madeira, bótons, bonés, quadros decorativos, etc, devendo-se evitar a banalização e o seu uso em peças que possam depreciar o nome da família.


Os Ascendentes de Tomaz Paranaiba


 

O texto abaixo foi extraído e adaptado de uma carta do senhor Benedito Santana, professor e historiador ituiutabano para o amigo Moacir Franco Paranaiba, filho de Reynaldo Alves Paranahyba (Nadico), em 10 de março de 1985, narrando as origens da família Paranaiba. O relato foi produzido após uma extensa pesquisa em cartórios e entrevistas e faria parte do livro “Povoadores do Triângulo — Apontamentos histórico-genealógicos” e foi gentilmente cedido pela família de Benedito Santana (in memoriam) para compor esta obra.

Em 5 de dezembro de 1832, o Capitão Manuel Joaquim Alves adquiriu de Bernardo José de Souza e de Antonio Vieira Moço, o latifúndio denominado de São Jerônimo ao preço de 4 contos de réis e um conto e duzentos mil réis, respectivamente. Este latifúndio compreendia quase todo o atual município de Santa Vitória e parte do município de Gurinhatã, indo até as barrancas do rio Paranaiba, na divisa com o Estado de Goiás.

Não há informações sobre a genealogia do Capitão Manuel Joaquim Alves. Sabe-se apenas que era da região de Baependi, sul de Minas Gerais. Pode-se apenas afirmar que em 12 de abril de 1840 ele já era falecido pois seus dois filhos, Manuel Joaquim Alves, também capitão como o pai e José Joaquim Alves fazem a divisão amigável de seus bens. Este “Auto de Divisão Amigável” está arquivado no “Processo de Divisão da Fazenda São Jerônimo” no Cartório do 2º. Ofício da Comarca de Prata, MG. José Joaquim Alves casou-se com Cândida Maria de Jesus e tiveram muitos filhos batizados e casados em Ituiutaba, mas nenhum deles recebeu o apelido “Paranaiba”. Manuel Joaquim Alves (filho) casou-se com Maria Luiza Alves. Este era o homem do guarda-chuva branco, por ser inseparável deste instrumento de proteção climática. Maria Luiza por sua vez, era ligada à família Bernardes, também de Baependi, MG. O casal era domiciliado em Baependi e depois em São Tomé das Letras. Manuel passava longas temporadas no Triângulo Mineiro, naquele tempo denominado “Sertão da Farinha Podre” e de tempos em tempos, voltava para sua residência. Foi considerado um grande desbravador e povoador desta região de Minas Gerais, sendo notório o grande número de escravos que possuía.

Tempos depois da divisão dos bens deixados por seu pai, Manuel Joaquim Alves (filho) associou-se ao Capitão Domingos Gonçalves Teixeira na “Fazenda São Jerônimo” no ano de 1856.

A mulher de Manuel Joaquim, Maria Luiza, nunca viajou à Fazenda São Jerônimo pois sofria de uma enfermidade ligada ao sistema nervoso. Assim, Manuel Joaquim Alves jamais se radicou permanentemente no Triângulo Mineiro. Ele faleceu repentinamente aos 72 anos de idade no dia 22 de março de 1888. Seu enterro ocorreu dois dias depois, tempo gasto para que os escravos, já no final da escravatura, trouxessem seu corpo em uma rede até Ituiutaba. Está sepultado no antigo cemitério da cidade, situado aos fundos da então igreja de São José (hoje Catedral de São José) indo até o Colégio São José (hoje Colégio Nacional).

Depois da morte do Capitão Domingos Gonçalves Teixeira, antigo sócio de Manuel Joaquim Alves (filho) e de sua mulher, seus descendentes começaram a vender seus quinhões na Fazenda São Jerônimo. Desta maneira, quando a divisão foi feita no ano de 1904, os adquirentes outorgaram procuração para representá-los na divisão o célebre advogado pratense, Coronel Emídio Marques Ferreira. É deste advogado que Zeca Paranaiba, filho de Manuel Joaquim Alves, guardava grande mágoa por acreditar ter sido ele o responsável pela aniquilação da grande propriedade original.

 

Manuel Joaquim Alves e Maria Luiza tiveram apenas dois filhos:

 

1 – Elisa Alves, casada com Antonio de Andrade Junqueira, filho de Gabriel José Junqueira e de Cândida Martins de Andrade. Eles tiveram dois filhos: Manuel de Andrade Junqueira, casado com Maria Junqueira de Carvalho; e Etelvina de Andrade Junqueira (Vivica), casada com Adelino José Ferreira.


 

Zeca Paranaiba

 

2 – José Joaquim Alves (Zeca Paranaiba) casado com Emerenciana Augusta Pereira. Zeca Paranaiba tinha este apelido justamente pela extensa propriedade rural herdada por seu pai e tio que ficava situada numa extensa área às margens do majestoso rio que divide os Estados de Minas Gerais e Goiás. José Joaquim Alves, que tinha o mesmo nome do tio, incorpora o apelido “Paranaiba” ao patronímico de família. Zeca Paranaiba e Emerenciana eram moradores da fazenda Pratinha no município de São Tomé das Letras. Só vieram para o Triângulo Mineiro em 1904, conforme depoimento de Zilda Paranaiba de Andrade. Emerenciana jamais se acostumou à vida no sertão e sofria de incurável melancolia cultivando incurável saudade de sua querida “Fazenda Pratinha”. Emerenciana faleceu muito nova às 22 horas do dia 26 de junho de 1911 na Fazenda São Jerônimo e está enterrada em cemitério particular então existente naquela região rural.

 

Zeca Paranaiba e Emerenciana tiveram 13 filhos:
 

1 – Maria Conceição Alves Paranaiba (Cotinha), casada com Joaquim Justino Alves.

2 – Júlia Alves Paranaiba (Juju), casada com João Thomaz de Aquino Vilela.

3 – Áurea Alves Paranahyba (Nholica), casada com Oscar José Bernardes

4 – Manuel Alves Paranaiba (Neneco), 1.ª esposa: Berenice Theodoro, 2.ª esposa: Cora Lina Amélia Vilela (Sá Dica).

5 – Joaquim José Alves Paranaiba (Nem), casado com Cora Vilela Paranaiba (Sá Cora).

6 – Reynaldo Alves Paranahyba (Nadico), 1.ª esposa: Luzia Franco Paranaiba, 2.ª esposa: Alvina Junqueira Paranaiba.

7 – Ana Rosa Alves Paranaiba (Nana), casada com Cornélio Antônio Pereira.

8 – Zilda Alves Paranaiba (depois Zilda Paranaiba de Andrade), casada com Oscar Teodoro de Andrade.

9 – Tomaz Paranaiba (Mazico), casado com Zilda de Andrade Paranaíba (Doca).

10 – Ereustália Alves Paranaiba (Tatáia), casada com José Soares Bernardes (Zezinho).

11 – Altina Alves Paranaíba - Solteira.

12 – José Alves Paranaiba – (José Paranaiba Filho – Zezé),

        1.ª esposa: Aurora Franco Moraes Paranaiba, 2.ª esposa: Irany Moraes Paranaiba.

13 – Tomé Alves Paranaiba, casado com Irany Muniz Marques Paranaiba.
 

Finalizando este capítulo introdutório, consta também que José Joaquim Alves (Zeca Paranaiba) foi o doador do patrimônio para a construção da Capela Nossa Senhora das Vitórias, hoje a simpática e próspera cidade de Santa Vitória. A escritura foi lavrada em São Tomé das Letras no dia primeiro de janeiro de 1900 e deu início à criação de uma nova cidade mineira.

 

 

Dados Biográficos de Tomaz Paranaiba (Mazico) e Zilda de Andrade Paranaiba (Doca)

 

Mazico e Doca

 

Tomaz Paranaiba (Mazico) era filho de José Joaquim Alves (Zeca Paranaiba) e de Emerenciana Augusta Pereira, nasceu em 18 de janeiro de 1900, em Três Corações, MG, e casou-se com Zilda de Andrade Paranaiba (Doca), filha de José Alves da Costa e de Marciana Jesuína da Costa, nascida também em Três Corações, em 26 de abril de 1907. Zilda (Doca) tinha oito irmãos: Maria Alves Costa (Titinha) casada com Joaquim Rezende, Alice Alves Vilela casada com Omar Paranaiba Vilela, Aureliano Alves Costa (Lerico) casado com Alda Alves Costa, Francisco Alves Costa (Chico), José Alves Costa (Lelé) casado com Iracema Rezende Costa, Izonel Alves Costa, Maria Aparecida Costa e Alaíde Andrade Costa casada com João Paranaiba Vilela.

Tomaz Paranaiba veio para o Triângulo ainda pequeno e aqui trabalhou com seu pai nas lides da fazenda. Aqui ficou noivo com uma moça da família Azambuja e o casamento era dado como certo. Entretanto, Tomaz fez uma viagem para Três Corações a fim de passar uma temporada com alguns dos seus irmãos que lá viviam. Nesta viagem conheceu Zilda (Doca) e por ela se enamorou. Decidiu terminar o compromisso com sua noiva de Ituiutaba e logo se casou com Zilda (Doca).

No início do ano de 1933, o casal Mazico e Doca aceitou o convite de Oscar Teodoro para vir morar no Triângulo Mineiro a fim de buscarem novas oportunidade para melhoria da sua condição de vida. Tomaz, Zilda juntamente com seus seis primeiros filhos chegaram em Uberlândia, MG, dia 4 de março de 1933 após uma viagem de trem de uma semana. Naquela cidade eram aguardados por funcionário de Oscar Teodoro, para a fazenda do qual foram encaminhados em automóvel Ford (Furreca) no município de Gurinhatã, MG. Oscar Teodoro era esposo de Zilda Paranaiba de Andrade (irmã de Tomaz Paranaiba – Mazico). Tomaz (Mazico) foi morar na fazenda que era parte da herança do seu pai Zeca Paranaiba.

Nesta passagem é importante registrar que Zilda (Doca) viajou em estado adiantado de gravidez sendo que seu filho Tomaz Paranaiba Filho (Tomazinho) nasceu apenas 14 dias após sua chegada.

Tomaz e Doca fixaram-se na área rural, onde o trabalho no campo possibilitou a criação de sua numerosa família. O casal teve 14 filhos: José, Reynaldo, Terezinha, Oscar, Wander, Aparecida, Tomazinho, Lester, Luizinho, Marly, Silene, Lazinho, Ana Maria, Geraldo. A alfabetização dos cinco primeiros filhos homens foi feita por Ana Rosa Alves Paranaiba (Nana), irmã de Tomaz (Mazico) que ensinava o ABCdário e a aritmética básica para um sobrinho de cada vez na cidade de Gurinhatã. Quando considerava que o aluno já tinha aprendido o suficiente, enviava-o de volta à fazenda e pedia para que outro fosse lhe encaminhado. As filhas Terezinha e Aparecida foram enviadas para para estudar no Instituto Marden. Aparecida adquiriu livros de dona Clorinda Junqueira e, ao retornar à fazenda, alfabetizou seus irmãos mais novos, à exceção de Ana Maria e Geraldo que foram alfabetizados em Ituiutaba, com dona Clorinda Junqueira.
 

Mazico e Doca com filhos

 

Após anos de trabalho duro, os filhos foram tomando o próprio rumo, alguns abriram comércio na cidade de Ituiutaba, outros compraram terras em outros municípios da região, muitos constituíram família que vai ser descrita nos capítulos seguintes desta obra.

Tomaz Paranaiba (Mazico) faleceu em Ituiutaba na sua residência da rua 30 com 17 e 19, no. 1077 no dia 11 de junho de 1969. Ele tinha problemas de saúde no sistema respiratório (asma) e também sofria de depressão, entretanto sua morte foi inesperada e a família relaciona seu falecimento ao trauma da perda de seu genro e sobrinho, Gastão Paranaiba Bernardes, filho da sua irmã Ereustália Alves Paranaiba (Tatáia) esposo de Marciana Aparecida Paranaiba Bernardes (Aparecida), falecido duas semanas antes em acidente automobilístico.

Zilda de Andrade Paranaiba (Doca) também faleceu na sua residência da Rua 30 no dia primeiro de fevereiro de 1988 decorrente da doença de Parkinson e também de uma fratura na sua perna que a imobilizou permanentemente no seu leito até sua morte.

Tomaz (Mazico) e Zilda (Doca) criaram seus filhos com muita rigidez e disciplina e apesar de toda dificuldade pelas poucas posses, todos os filhos construíram patrimônio honestamente.
 

 

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