SÃO  JOSÉ  DO  TIJUCO
 

VILLA  PLATINA
 

ITUIUTABA

 


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FAMÍLIA FRANCO
 

 

Textos e fotos extraídos do livro Família Franco - Genealogia e História,

de Gabriel Junqueira Franco e Luiz Alberto Franco Junqueira  

 

 

Palavras iniciais

 

"... Ao pé do altar e acompanhada de músicas da terra..."

 

Maria Rosa de Sousa, no seu testamento, em Pouso Alegre, há 146 anos, em declaração de última vontade, pedia que fosse sepultada na Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio de Caldas, "ao pé do altar de Nossa Senhora das Dores, acompanhada de todos clérigos e músicas da terra".

Esta rica senhora, viúva de Manoel Inácio Franco, era detentora de grande poder material, o latifúndio de Capivari.

Pelas disposições testamentárias legava aos filhos: os bens e os sentimentos puros de acendrada religiosidade.

Ao leitor comum, Maria Rosa de Sousa é uma pessoa como outra qualquer. Ela e o marido têm um história muito especial que vai contada a cada página deste livro. São os pais comuns de toda a Família Franco que se originou nas alcandoradas montanhas de Minas Gerais em pleno século 18, no ciclo do ouro. E sua família ocupa hoje grandes áreas do Centro-Sul do Brasil.

Todo clã numeroso, no Brasil, faz publicar livros de genealogia. Esta é a vez da Família Franco.

Não se trata, porém, de uma obra pernóstica, de um arroubo inconsequente ou de uma vaidade tola, ou, ainda, o desejo de mostrar "sangue azul". Os Franco não possuem este tipo de nobreza [...], a começar pela circunstância de serem, na quase totalidade, gente ligada e fixada à terra.

A peso de muita dedicação, de muito e esforço e, porque não dizê-lo, de muitos sacrifícios também, o fazendeiro Gabriel Junqueira Franco, de Ipuiúna, Minas, consegue chegar ao final de um trabalho que nenhum outro parente havia atinado fazer. E ele gastou muitos e muitos anos seguidos, em pesquisas, anotações de nomes, leituras de testamentos e inventários, documentos vários até armas com muita precisão a árvore do costado dos Franco.

Com base no casamento de Inácio Franco, português, com a açoreana Maria Teresa de Jesus, filha da ilhoa Antônia da Graça, Gabriel Junqueira Franco chega aos nossos dias com milhares e milhares de nomes, num rol quase completo de toda a família, a partir de seu único filho varão Manoel Inácio Franco.

Homem simples, humilde, não procura glórias e nem aspira homenagens. Não se envereda a fazer literatura, quer apenas legar a todos nós um esforço, um trabalho, cujo maior sentido está no seu grande amor à família.

Como fazendeiro, sempre pelejou nas duras batalhas da gleba, conseguindo tempo para fazer este livro. E saibam todos que não só gastou seu precioso tempo, inverteu aqui apreciáveis somas de dinheiro, que sabe, melhor do que nós, jamais voltarão ao seu bolso, mas o retorno que ele quer é o de servir por este modo à Família Franco.

Em 1973, Gabriel Junqueira Franco divulgou, em limitada edição, um esforço genealógico (mimiografado) sob o título "As Ilhoas e a Origem da Família Franco". Com base nele, revisto e ampliado, volta agora com a iniciativa deste livro.

Sem que soubéssemos um do outro, estávamos, também, acalentando as mesmas ideias. Tínhamos já bom acervo destinado a publicação futura de um livrinho focalizando o ramo da família estabelecido no Triângulo Mineiro.

O extraordinário genealogista Mineiro Dr. José Guimarães, de Ouro Fino, conhecendo aquela pretensão,´promoveu o nosso encontro com Gabriel Junqueira Franco. Daí, partiu o entendimento de juntar num só livro ambos os trabalhos. Foi a melhor solução.

O ajuste dá aos Franco, do Triângulo Mineiro, a oportunidade de voltarem ao aprisco familiar, ao aconchego dos demais, depois de longa separação. E a boa ocasião se apresentou agora através do livro do estimado parente Gabriel Junqueira Franco. E vamos ficar todos debaixo desse generoso teto.

E as proféticas palavras de nossa mãe comum fazem novo sentido e está como que a presidir nossos passos, unindo, de uma hora para outra, a todos, ao pé do mesmo altar e com todas as músicas da terra.

Que não nos percamos mais de vista.

Este é o desejo de todos nós, principalmente desse jovem de 81 anos, que é o Senhor Gabriel Junqueira Franco.

Este livro descreve a Família Franco de Minas Gerais e que descende, na quase totalidade, do português Inácio Franco, o qual deve ter imigrado para o Brasil nos idos de 1714 ou 1715.

Na época, a Capitania atravessava o pré-auge do Ciclo da Mineração e se transformou na meca dos portugueses, que vinham para cá imbuídos da ideia de fazer fortuna na extração do ouro.

Os paulista, com suas bandeiras, palmilhavam todos quadrantes da Capitania e por esta forma e pelo mesmo motivo foram os pioneiros no povoamento das Minas do Ouro. Depois deles, com as constantes notícias de novos descobertos, grande massa de portugueses saiu de sua pátria e se instalou em Minas.

No meio dessas correntes imigratórias, entre muitos emergiam aqueles sonhadores, homens forjados nas lutas campesinas e que procuravam agora, em novas fainas e em horizontes desconhecidos, meio mais rápido de se enriquecer. Para tanto, a família e a pátria não lhes despertavam no espírito os naturais sentimentos de amor e solidariedade a que todo homem se submete ao integrar uma comunidade.

A ambição do dinheiro orientava as ideias do lavrador Inácio Franco. Ele, como muito de seus patrícios, esperava transformar em realidade todas aquelas notícias mirabolantes e recebidas quando mourejavam nos campos ondulados da terra lusitana. A terra que o viu nasceu, amansada à custa de sacrifícios ao longo dos séculos, na busca do pão para comer, não lhe incitava mais as entranhas e, por isso, a desprezara sem quaisquer sentimentos.

Fosse como fosse, o Brasil era a continuidade da pátria, apesar da largueza oceânica a separar os dois pedaços de chão. E aqui, morava a esperança de nova vida e a certeza de resultados surpreendentes: o poder emanado do ouro!

Assim veio Inácio Franco, assim chegou ao Brasil o lavrador Inácio Franco, possuído de gana e coragem. Queria ouro onde houvesse; mesmo que lhe custasse tempo e suor haveria de extraí-lo para a satisfação de seus desígnios da mesma forma que em Portugal arrancava da terra o pão de cada dia.

As Minas não estavam desertas. Por todos os lados os paulistas ocupavam as áreas do garimpo. E esses grupos de portugueses, chegados a todos momentos, provocavam neles, além da desconfiança, irredutíveis sentimentos de repulsa. Razão assistia aos paulistas de estarem todos enciumados, não tardando o surgimento dos primeiros embates entre as duas gentes.

Inácio Franco era um estranho como tantos outros forasteiros.

Sua ambição e vontade de vencer sobrepujavam a tudo. De nada valia a ambição dos paulistas para quem trazia consigo a determinação de trabalhar e lutar. Aqueles estavam livres para espezinhar os recém-chegados se não lhes negassem o direito a uma data, a um cantinho onde batear as areias e arrancar delas o tão sonhado metal da fortuna.

Nada mais queria o luso Inácio Franco. Homem tranquilo, pacífico, só aguardava a sorte. E se pacífico e tranquilo não fosse sucumbiria fatalmente na trabucada reinante entre pioneiros e noviços.

Embora alimentando a esperança de riqueza como minerador, Inácio Franco não perdeu as suas características de camponês. Dividia a sua luta diária entre o garimpo e as suas roças.

Mas, além disso, que mais era esse português?

Inácio Franco era natural da Freguesia de Balga, Termo da Vila de Feira, Bispado do Porto, Portugal, onde foi nascido e batizado em 3 de abril de 1695, filho de Manoel Francisco Franco e Vicência João.

Mal viveu 50 anos, dos quais, mais de 20, os passou no Brasil. Casou-se em fevereiro de 1728 com Maria Teresa de Jesus, na Capela de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, filial de São João del Rei. Sua mulher não era brasileira: natural e batizada na Freguesia de Nossa Senhora das Angústias, Vila de Horta, Ilha do Faial, Arquipélago dos Açores, e era filha de Manoel Gonçalves da Fonseca e Antônia da Graça, também açoreanos e da mesma freguesia.

Do consórcio de Inácio Franco e Maria Teresa de Jesus, Nasceram dois filhos.

O primeiro chamava-se Manoel Inácio Franco, nascido, presumivelmente, em 1736, e casou-se com Maria Rosa de Sousa, de quem nos ocupamos no início deste trabalho.

A segunda filha de Inácio Franco foi Helena Maria do Espírito Santo, batizada na Capela do Rio das Mortes Pequeno, onde seus pais se casaram. Esta Helena Maria dos Espírito Santo se casou com o português João Francisco Junqueira. A contar da primeira geração dos Franco e dos Junqueira, na realidade, o autor destas notas, cujas origens remontam a Inácio Franco, dele descende nas linhas materna e paterna, em oitava geração e nona geração. Em situação diversa está o autor deste livro, Gabriel Junqueira Franco, que do mesmo Inácio Franco, em ambas linhagens, dele descende em oitava geração.

Mineirando e vivendo de suas roças, os Franco moravam na região de São João del Rei, por algum tempo, passando, depois, a Carrancas, para onde foram também os Junqueira. De Carrancas, os Franco foram todos para o Capivari e adjacências, em Caldas, no Sul de Minas.

Do Capivari os filhos de Manoel Inácio Franco se espalharam pelos sertões do Centro-Sul do Brasil.

Este livro trata, pois, dessa grande família.

 

Setembro de 1980.

 

Luiz Alberto Franco Junqueira.  
 

 

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Brasão de Armas

 

 

FRANCO. Descendem os Franco, ao que parece, de Roberto de la Corne, que com seu irmão Guilherme de la Corne, povoou Vila Franca. Roberto de la Corne foi senhor da mesma vila e alcaides de Azambuja. Casou em Portugal e teve João Roberto de la Corne, o Franco, senhor e alcaide de Atouguia, que, do seu casamento, teve Gonçalo Anes Franco, alcaide e senhor de Atouguia, que casou com D. Teresa Gil, filha de Gil Varela e de D. Estevainha Pires. Tiveram geração e dizem os genealogistas que deles procedem os Franco.

As armas que usam os Franco são: De verde, com um castelo de prata, assente num rochedo de sua cor, o rochedo batido por um mar de prata, ondado de azul. Timbre: o castelo.

 

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Nota do autor deste site:

No livro, os autores colocaram, "para conhecimento de todos", três brasões da Família Franco, de Minas Gerais. E completam: "É de aceitar-se, contudo, como armas do clã, [...], o escudo do castelo de prata."

 

 

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