Crônica de
 

 

Edson Angelo Muniz

 

 

Como virar um escritor

 

                                  

Escrever pode ser um ofício, uma manifestação artística, um hobby, uma forma de desabafo... E para alguns escritores, escrever é mais do que isso, é um desafio.

A escrita tem várias funções dentro da linguagem e o verdadeiro escritor é aquele que sabe utilizar-se de cada uma dessas funções para atingir o seu objetivo, seja ele informar ou emocionar a quem o lê.

O registro da literatura, a mídia, a divulgação da política e a transmissão de idéias religiosas são alguns dos resultados mais importantes do uso da escrita.

Como começar a escrever e virar um escritor?

Escritores há que são autodidatas, que nasceram com o dom da escrita. Esta qualidade existe, mas é preciso aperfeiçoá-la a cada dia, a cada obra escrita. Pensando em auxiliar àqueles que pretendem se aventurar nos caminhos das letras, ou mesmo àqueles que já escrevem, os Parceiros do Livro, em São Paulo, criaram a Escola do Escritor, que oferece aos alunos a oportunidade de desenvolver ou aprimorar suas capacidades de criação e argumentação.

Em Ituiutaba, a ALAMI está desenvolvendo, em parceria com a Fundação Cultural e a Prefeitura Municipal, um projeto para se criar uma oficina literária, destinada, num primeiro momento, aos acadêmicos, mas que poderá, depois, ser estendida aos não-acadêmicos, com os mesmos objetivos propostos pela Escola do Escritor.

Se você quer ser escritor e ainda não botou as manguinhas de fora, nunca é tarde para começar. Mas comece logo. Escrever um livro leva tempo, então por que esperar mais? Cada dia de espera é um dia perdido, não volta mais. Acredite no seu potencial e comece a escrever. Não tentar pode ser mais doloroso do que fracassar. É preciso dizer, porém, que, no Brasil, pouquíssimos escritores conseguem sobreviver desta profissão.

A escritora Zélia Gattai começou sua carreira quando a maioria das pessoas já pensa em se aposentar: aos 63 anos de idade. Incentivada por Jorge Amado, seu marido, ela resolveu transformar em romance as histórias de sua família. O resultado foi o livro Anarquistas, graças a Deus. A escritora tem, hoje, 13 livros publicados entre memórias, romances e infanto-juvenis e, em 2001, foi eleita para a cadeira de número 23 da Academia Brasileira de Letras.

O ato de escrever se resume, basicamente, em duas etapas: a primeira, despejar suas ideias no papel, ou no computador; a segunda, burilar o texto. Escreva e re-escreva, leia e releia cada parágrafo, cada capítulo, cada verso, cada estrofe dezenas de vezes, se necessário for. E lembre-se de que, como disse o filósofo francês Voltaire, “escrever é a arte de cortar palavras.” Acredite, este é um dos melhores conselhos para quem quer escrever.

Não tenha pena do seu texto, corte uma, duas, três vezes... Apare as arestas, enxugue as gordurinhas sem dó nem piedade. Assim, seu texto fica melhor a cada leitura, e, um belo dia, ele vai estar pronto — e, quem sabe, pronto para você enviá-lo a um jornal, a uma revista ou a uma editora. Saiba que até os grandes escritores só param de alterar seus textos quando a editora inicia o processo de publicação. Mesmo assim, depois de publicado o livro, quando da sua re-edição, muitos ainda alteram vírgulas, palavras e até mesmo frases inteiras.

Outra dica: se você é do tipo que entra em pânico quando está diante do computador, olhando para uma página em branco de algum editor de texto, sem digitar nenhuma frase, compre um minigravador, ele é um excelente instrumento de trabalho para não deixar as ideias sumirem na memória. Com o auxílio do gravador, você simplesmente conta a história para você mesmo. Depois fica fácil passar para o computador ou para o papel. Você começará apenas transcrevendo suas ideias mas, aos poucos, vai tomar gosto pela escrita e pelo processo de lapidação dos textos.

Posso adiantar-lhe uma coisa? Prepare-se, escrever é uma delícia. Quando você começa, dificilmente quer parar...

Segundo o escritor português José Saramago, "todos nós somos escritores, a diferença é que alguns escrevem e outros não.”

O escritor Araçatubense, Mário César Rodrigues, acha que “somente com teimosia, paciência e muita dedicação é possível se
tornar um escritor.”

Para o Mestre em Literatura Brasileira, Gabriel Perissé, "o escritor convence graças ao poder de sua paixão pela palavra, e não prioritariamente pela paixão que dedique a uma causa. Ou melhor, a sua causa sempre foi e será a palavra, caminho e céu de todas as causas. E de todas as paixões.”

“Escrever exige solidão”, como disse recentemente, numa entrevista, o escritor ituiutabano Luiz Vilela, ele que é um modelo para todos nós e que, em 2006, comemorou 50 anos de uma união que deu certo: “Literatura e Vilela”.

 

 

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