Artigo

de

Edson Angelo Muniz

 

Somos Escravos do tempo

 

 

Num domingo, após o almoço, saí para o terreiro. O sol estava encoberto por nuvens negras. Brinquei com o Bob — um cachorrinho de oito meses de idade, que minha filha trouxe para o seu filho, o  Edson Neto — e, curiosamente, olhei para o fundo do quintal, para o lado do galinheiro — um velho galinheiro onde havia um galo índio muito bravo, que matava as galinhas no ninho e avançava com esporas armadas para cima de quem se aventurasse a entrar em seu terreiro. Eu disse “havia” porque ele tanto fez das suas, que um dia foi para a panela.

Ao lado da cerca do galinheiro vi, pela primeira vez, perto de um pé de jabuticaba, um pé de mamão, de uns três metros de altura, já florido. Esse pé de mamão nasceu por entre os paus de uma velha escada abandonada, com a qual apanhávamos cocos-da-baía em dois altos pés, que há muito foram cortados.

Quanto tempo levou para que a semente germinasse e o pé de mamão crescesse tanto assim?... Não tenho ideia. Só sei dizer que todo esse tempo eu não havia percebido a presença do pé de mamão naquele lugar, bem ali, à minha frente, na porta da cozinha de minha casa.

Esse fato me fez refletir que somos escravos do tempo, tempo que segue seu curso, segundo após segundo, sem que a gente perceba, sem que possamos interferir... Corremos tanto, em função das obrigações do nosso dia-a-dia, que, às vezes, ficamos indiferentes às coisas que nos rodeiam, não percebemos as várias mudanças que ocorrem com o passar do tempo. Ficamos tão bitolados em nosso trabalho, em nossos problemas — e, às vezes, com os nossos passatempos —, que não nos sobra tempo para admirar uma flor que desabrocha, um pássaro que canta, o nascer e o pôr do sol, ou um pé de mamão, que nasceu em nosso quintal, que cresceu e que deu flor...

E o pior de tudo, não nos sobra tempo para a família, nem para conversar nem para brincar com os filhos, as filhas e os netos, pessoas tão próximas e queridas...

 

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