Crônica
de
Edson Angelo Muniz

 

Desabafo
 

Deus deu ao homem o livre-arbítrio para escolher entre dois caminhos: o do bem e o do mal. Aquele que segue pelo caminho do mal, por vontade própria ou por força das circunstâncias, é perseguido ou marginalizado pela sociedade, e, às vezes, paga caro pelos erros praticados. Alguns, que se disfarçam de pessoas de bem, são lobos em pele de cordeiro, vivem à margem da lei dos homens, mas não escapam da Lei Divina.

Eu fui educado por meus pais para seguir as Leis de Deus e dos homens, e escolhi ser um homem do bem. Não tenho inimigos e, modéstia à parte, procuro levar a alegria e o bem-estar a todos que me dão o prazer do seu convívio. Além disso, procuro estar sempre colaborando com as pessoas, com as entidades, com a comunidade, com a minha cidade natal.

Porém, esse meu modo de agir parece incomodar algumas pessoas, e só pode ser por isso que eu fui vítima de perseguição por um homem público, como se eu fosse uma persona non grata à sociedade tijucana. E vejam que grande ironia: ele, que deveria trabalhar para o engrandecimento da cultura de Ituiutaba, age ao contrário, prejudicando aqueles que trabalham em prol dessa mesma cultura. Em vez de construir, ele destrói.

Os leitores do Jornal do Pontal,  que todas  as  terças-feiras liam a coluna "Ponto Cultural" e viam meu nome no rodapé da página como colaborador e responsável pelo tratamento das fotos e pela seleção, revisão e diagramação das matérias ali publicadas — matérias essas que não feriam a moral nem os bons costumes e nunca agrediram a ninguém —, devem ter estranhado e se perguntado por que o meu nome não mais apareceu ali, depois de ter levado a eles entretenimento e informação cultural por quase quatro décadas.

Pasmem: meu nome foi eliminado daquela página porque não sou conivente com certos pensamentos e atitudes erradas. Fiquei indignado com a falta de escrúpulos desse homem público — não vou citar aqui o seu nome porque quem usa do poder para prejudicar o semelhante, quando deveria ajudá-lo, não merece o meu respeito — quando ele exigiu que eu não fosse mais o responsável pelo "Ponto Cultural". Agora, o que mais doeu em mim foi ver pessoas que eu considerava como meus amigos, meus "companheiros de armas", executarem essa injustiça, em vez de me defenderem como eu esperava e, penso, merecia.

Depois que eu lancei o livro O robô de bom coração um amigo que o leu me perguntou: “Por que você colocou nesta história uma máquina como personagem? Por que não colocou um ET, pelo menos?” Eu lhe respondi: “Justamente para que as pessoas que lerem o meu livro possam se questionar: ‘Se até um robô, que não tem coração, pode amar, pode fazer o bem sem olhar a quem, por que o homem não ama o seu semelhante e só lhe faz o bem?’”

E digo mais: RC, o robô de bom coração, foi programado por seu criador para não mentir, não sentir raiva nem inveja, sentir somente amor e amizade, assim como o ser humano, quando vem ao mundo, é “programado” por Deus, nosso Criador, para ser feliz e “amar ao próximo como a si mesmo”. O robô, na minha ficção, segue o seu programa original, fazendo o bem, protegendo a natureza, preservando a vida, enquanto que na vida real alguns “humanos” se reprogramam e, achando que assim são melhores do que os seus semelhantes, executam ações deploráveis e condenáveis.

Caro leitor, peço desculpas por tomar o seu tempo com este desabafo. Eu deveria, seguindo os ensinamentos de meus pais e as Lei de Deus, relevar e perdoar esse tirano, mas sou humano e, injustiças assim, para mim, são imperdoáveis.

 

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Crônica não publicada em jornais.

 

 

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