Conto
de
Edson Angelo Muniz

 

 

"Resto de comida"
 

— Manhêêêêê?... — gritou um menino, com voz de choro.

— O que foi, Luizinho? — perguntou Dona Alzira.

— Eu tô com fome — choramingou ele.

— Eu também quero comer, mãe — disse Martinha, a filha mais nova de Dona Alzira.

— E eu também — emendou Pedrinho, o mais velho dos três.

Dona Alzira, de apenas 28 anos, e já viúva havia um ano, e seus filhos, de 3, 4 e 5 anos, viviam na periferia de uma cidade grande, em uma casinha abandonada, sem portas e sem janelas, com o telhado semidestruído.

Dona Alzira não trabalhava porque não tinha nem com quem nem onde deixar os filhos, também porque não havia estudado, apesar de se expressar bem. E talvez esta a razão maior: porque tinha ataques epilépticos. Ela bem que procurou trabalho como doméstica, mas quando dizia que teria de levar seus três filhos para o local de trabalho, e que, às vezes, tinha uma crise convulsiva, nenhuma patroa a aceitava.

Dona Alzira chorava e sofria muito, como agora, quando os filhos pediam comida e ela não tinha condições de comprar. Muitas foram as vezes que ela, quando conseguia alguma, dividia a comida entre os filhos, ficando sem comer para que eles dormissem pelo menos com os estômagos forrados.

Diante daquela situação, Dona Alzira chamou os filhos, abraçou-os carinhosamente, e disse-lhes:

— Ouçam, meus filhos, não tenho nada pra vocês comerem... Vamos pra cidade: se Deus quiser, hoje, encontrarei uma alma caridosa que vai me ajudar a matar a fome de vocês.

Já passava do meio-dia e o Sol, ardente, castigava os transeuntes. Mãe e filhos andaram por alguns minutos e pararam em frente a uma casa de dois andares, com grandes janelas de vidro fumê, uma grade alta na frente e, por trás dela, um lindo jardim e uma ampla garagem com dois carros e uma moto.

Dona Alzira apertou o botão cor de ouro do interfone e esperou:

As crianças, sujas, pés descalços, roupas sujas e rasgadas, mesmo sem terem comido nada desde o dia anterior, ainda encontravam forças para brincar, correndo, em fila indiana, pra lá e pra cá, na calçada larga de pedra ardósia cinza, rindo e gritando ao mesmo tempo.

Como ninguém atendeu ao interfone, e passados alguns minutos, Dona Alzira chamou novamente, só que agora, deixando de lado o moderno aparelho de comunicação, gritou bem alto, à moda antiga:

— Ô de casa!...

Desta vez alguém abriu a porta da casa, só o suficiente para pôr o rosto na fresta e perguntar, com voz seca:

— O que você quer?

As crianças, que haviam parado de correr e de gritar, subiram na grade e esperaram, ansiosas e famintas, pelo desfecho da conversa.

— Meus filhos não comem desde ontem... Me dá um prato de comida... — disse Dona Alzira, com voz suplicante.

— Não temos nada — foi a curta resposta.

E a porta se fechou logo em seguida.

Dona Alzira pediu em outras casas, mas não encontrou, em nenhuma delas, o coração bondoso que mencionou aos seus filhos e que esperava encontrar naquele domingo.

As crianças já estavam cansadas de tanto andar e não comerem nada, pois, até a lixeira da padaria, onde sempre encontravam algum pedaço de pão, ou de rosca, ou mesmo massa crua, estava vazia.

Dona Alzira pegou a caçulinha nos braços e foi em direção a um restaurante, que ficava a alguns quarteirões, seguida de perto pelos outros dois filhos. O restaurante, o mais freqüentado do bairro, estava repleto àquela hora. Ela entrou com Martinha nos braços. Pedrinho e Luizinho se agarraram à sua saia e passaram a língua pelos lábios ressecados, engolindo em seco, ao sentirem o cheirinho bom de comida e ao verem a fartura que havia em cada mesa.

Logo, logo, veio o gerente, com cara de poucos amigos, e disse à Dona Alzira.

— Ponha-se no olho da rua. Não queremos mendigos aqui no restaurante.

Dona Alzira, com humildade, fingindo não entender o que ele disse e nem perceber o gesto desumano daquele homem — a necessidade de comida falando mais alto que a dignidade -, estendeu-lhe a mão esquerda, segurando Martinha só com o braço direito, e pediu:

— Pelo amor de Deus, Senhor, dá um prato de comida ou pelo menos um pouquinho do resto de comida que vocês jogam fora, pra matar a fome dos meus filhinhos...

— Já disse e repito, vá embora daqui com estes pestinhas, não tenho nenhum resto de comida para lhe dar. Eu não tenho culpa se você pôs filhos no mundo para deixá-los passar fome.

Dizendo isso, o gerente, num ato de total desprezo, foi empurrando Dona Alzira, por cima dos filhos, para fora do restaurante.

Em uma das mesas mais afastadas, um senhor alto, de cabelos grisalhos, de barba e bigode brancos, aparentando ter uns 60 anos, vestindo uma roupa simples, mas bem alinhada, indignado com a crueldade que acabara de presenciar, levantou-se e chamou o gerente pelo nome:

— Rogério?...

O gerente, como se tivesse sido picado por uma cobra, voltou-se na direção do chamado.

— Senhor João!... — balbuciou ele. — O Senhor por aqui? É um prazer...

Interrompendo-o, o Senhor João exclamou, olhando para o rosto do gerente:

— Você não tem coração! Só hoje percebo o quanto é mal-educado e prepotente; não deveria ocupar a posição que ocupa. Você, sendo um administrador de empresas recém-formado, deveria respeitar esta senhora e seus filhos, pois eles são seres humanos e estão precisando de ajuda!...

E voltando-se para Dona Alzira, abrandando a voz, o Senhor João disse:

— Venha, Senhora, traga seus filhos e sentem-se comigo, por favor. Cheguei de uma viagem hoje e iria almoçar sozinho, agora não vou mais.

Dona Alzira, com um sorriso nos lábios, foi conduzindo seus filhos por entre as mesas, até chegar onde estava o Senhor João, e sentaram-se. Martinha ficou no colo da mãe, um pouco assustada.

O Senhor João, antes de sentar-se, chamou novamente o gerente e lhe pediu — um pedido que mais pareceu uma ordem:

— Rogério, você me conhece muito bem. Eu não sou rico, mas também não sou mesquinho. Sirva almoço para cinco pessoas. E não quero saber de sortido, traga o melhor do cardápio de hoje. Esta senhora e seus filhos almoçam comigo.

— Sim, Senhor João — respondeu o gerente, demonstrando ter um certo respeito por aquele cliente.

— E por favor — disse o Senhor João — troque a toalha vermelha desta mesa, por uma de cor branca, e traga uma cadeirinha de criança para a menininha.

O gerente chamou um dos garçons para fazer a troca das toalhas e um outro para trazer a cadeirinha. Depois, perguntou humildemente:

— Mais alguma coisa, Senhor João?...

— Só mais uma coisinha, Rogério: o tratamento que é dispensado a todos os clientes deste restaurante, deve ser o mesmo dispensado aos meus convidados. Estamos entendidos?

Rogério, desconcertado, com as faces avermelhadas, concordou com um gesto de cabeça.

Dona Alzira, com lágrimas nos olhos, agradeceu ao Senhor João:

— Muito obrigada, se não fosse pelo Senhor...

— Estou fazendo o que o meu coração manda, Senhora... Como é mesmo o seu nome? — perguntou ele.

— Alzira — ela respondeu, cabisbaixa, enquanto colocava Martinha na cadeirinha cor-de-rosa, que ficou perto dela e do Senhor João.

Dona Alzira sorriu para os filhos e beijou o rosto da filha, voltando o olhar para o chão.

— Vejo, em seu semblante, que a Senhora sofre muito, Dona Alzira — disse o Senhor João.

Ela levantou a cabeça e ele perguntou:

— O pai dos seus filhos os abandonou?

Dona Alzira olhou bem no fundo dos olhos castanhos daquele homem calmo e caridoso, e, sem saber bem por que, percebeu que poderia desabafar com ele, contando o porquê de ela estar ali, pedindo um resto de comida para amenizar a fome dos filhos. E não pensou duas vezes:

— Meu marido era um homem honrado e trabalhador, Seu João, nunca faltava ao serviço, e lutou bastante para sustentar a família. Mas, faz um ano que ele morreu...

Um soluço entrecortou a sua voz. O restaurante silenciou. Só se ouviam o tilintar dos talheres e o choro de Dona Alzira.

— Desculpe-me, Dona Alzira, eu não devia ter perguntado nada — disse o Senhor João.

Após alguns segundos de reflexão, ele continuou, melancólico.

— Eu também sei o quanto é triste viver sem alguém para dividir as alegrias, as tristezas e os problemas... Minha esposa também já se foi...

— Sinto muito — disse ela, entre soluços.

— A Senhora não tem mais ninguém no mundo? — perguntou ele.

— Eu tenho, sim, Seu João. Eu tenho minha mãe e cinco irmãos mais novos do que eu, mas eles moram bem longe daqui. Desde que vim para esse oco de mundo, há seis anos, que eu não tenho notícias deles, nem eles de mim. Eles nem sabem que eu me casei e que tenho três filhos. Bem que um dos meus desejos é voltar pra junto deles, mas, de que jeito?...

Os garçons entraram, trazendo o pedido do Senhor João: arroz branco, feijão tropeiro, frango caipira com quiabo, macarrão ao molho de tomate com carne moída, salada verde completa, filé à parmegiana, picanha à brasileira... Para acompanhar, uma garrafa de vinho, para os adultos — o gerente conhecia o gosto do Senhor João -, suco de laranja com acerola, para as crianças, e uma jarra com água.

As crianças foram as primeiras a serem servidas. Comeram avidamente, com um brilho de felicidade nos olhinhos miúdos. Dona Alzira e o Senhor João também se serviram. Ela comeu um pouco e voltou a falar.

— Depois que meu marido morreu, o meu lar foi totalmente desfeito. Como eu não trabalhava, não tinha com o que pagar o aluguel nem os talões de energia e de água... Fui despejada. Então, fui morar, de favor, em uma garagem, que ficava na mesma rua. Fiquei devendo na mercearia do Seu Manuel, onde meu marido sempre comprava. Mas, como eu não tinha dinheiro para saldar a dívida antiga, Seu Manuel não me fiou mais.

— É, Dona Alzira, são os tempos modernos. Hoje em dia, infelizmente, alguns empresários usam a solidariedade somente em discursos — disse o Senhor João.

Dona Alzira comeu mais uma porção daquele manjar dos deuses.

Os clientes do restaurante não diziam nada. Pareciam interessados em ouvir mais da história daquela mulher.

Como que entendendo o pedido velado naqueles olhares, ela continuou:

— O pouco de mobília que eu tinha, tive de ir vendendo. Primeiro, porque estavam do lado de fora da garagem, se estragando com o Sol ou com a chuva e sendo roubadas, e, segundo, porque eu precisava de dinheiro para o nosso sustento. Vivemos assim por uns três meses, até acabar tudo que tínhamos. Inclusive as roupas: ficamos somente com as roupas do corpo.

Ela tomou um gole do vinho, pôs no prato mais uma colher do arroz, uma coxa do frango e um pouco do macarrão com molho de tomate. Olhou para os filhos e sorriu: eles estavam com as bocas cheias e haviam feito uma bagunça generalizada no forro da mesa e em suas roupas, que, se antes estavam sujas de terra, agora estavam sujas de comida.

— Por que a senhora e seus filhos foram viver na rua? — perguntou o Senhor João, tomando um pouco de vinho.

Dona Alzira, olhando novamente para ele, continuou:

— Comecei a lavar roupas pra vizinhança. Às vezes me pagavam com dinheiro, às vezes com comida, e a gente ia vivendo ali, até o dia em que o dono da garagem alugou o ponto pra um comerciante desconhecido, pra ele montar um lava jato.

— Sei — disse ele, mordendo um pedaço de picanha.

— Tive que sair de lá e não tive pra onde ir. Fui jogada na rua; eu e meus filhos dormindo ao relento e procurando o que comer no lixo ou dependendo da ajuda de algum filho de Deus... como o Senhor. — disse Dona Alzira.

Senhor João abaixou os olhos. Tomou mais um pouco de vinho e indagou, intrigado, sem olhar para Dona Alzira:

— E a pensão alimentícia? A Senhora não recebe uma pensão alimentícia do INSS?

— Não...

— Não?!... — ele estranhou. — Mas, a Senhora me disse que seu marido era um trabalhador...

— Ele trabalhava muito, sim, de sol a sol, todo dia, Seu João, mas a sua carteira de trabalho, desta vez, não estava assinada. Como os carnês pagos por ele não foram suficientes; não tive direito a nenhuma pensão...

— Entendo — disse ele — esse é um problema que afeta milhares de brasileiros.

— É... Estive com vários destes brasileiros, lá no posto do INSS. Fiquei na fila por três horas, só para agendar uma consulta. Após dois meses de espera, voltei ao posto. Fui atendida por um sujeito gordo, arrogante e mal-educado, que, depois de olhar a carteira de trabalho do meu marido e consultar o seu computador, me disse: "A Senhora não tem direito a nada! Seu marido contribuiu muito pouco com a Previdência. Sinto muito."

— Mãe? — chamou Pedrinho, quase sussurrando. — Posso comer mais?...

Dona Alzira olhou para o Senhor João. Ele fez-lhe um sinal afirmativo com a cabeça e ela disse para o filho, carinhosamente:

— Pode sim, meu filho; e ponha mais um pouco de comida nos pratos de Luizinho e de Martinha.

Comovido com a história da vida daquela família, o Senhor João ficou em silêncio por alguns instantes. Limpou a boca e enxugou discretamente os olhos, com uma toalhinha também branca, acariciou a cabeça da pequenina Martinha, que naquele momento levava à boca um pedaço de carne, e perguntou à Dona Alzira:

— Como foi que seu marido veio a falecer?

Terminando de saborear uma coxa de frango, ela respondeu, com voz chorosa:

— Foi uma crueldade o que fizeram. Meu marido havia recebido o salário e estava voltando pra casa, como sempre fazia depois de mais um dia de trabalho honesto, para abraçar seus queridos filhos e sua esposa que tanto lhe amavam...

Dona Alzira não conseguiu prosseguir, chorou copiosamente. Depois de alguns minutos, bebeu um copo d'água, gentilmente oferecido pelo Senhor João, e continuou:

— Ele vinha distraído, subindo a rua, quando, de repente, surgindo não se sabe de onde, um homem... homem não, um monstro! — Disse ela, quase gritando, correndo os olhos pelo restaurante. — Aquele monstro chegou por trás dele, e sem lhe dar a mínima chance de se defender, lhe deu um tiro na cabeça, à queima-roupa, e roubou o dinheiro que meu marido havia ganhado com o suor do seu rosto.

O silêncio frio e pesado foi quebrado por um burburinho, num misto de indignação e espanto.

— Que barbaridade! Um crime hediondo! — exclamou o Senhor João.

Dona Alzira, chorando muito, limpou as lágrimas do rosto e a boca com as costas da mão e exclamou:

— Até quando, meu Deus! Até quando vamos estar à mercê desta violência?...

O Senhor João, estendendo uma toalhinha branca para ela, perguntou:

— O criminoso foi preso, Dona Alzira?...

— Sim... Uma das pessoas que viu o crime conhecia o assassino e fez uma denúncia anônima. O assassino foi preso no outro dia. Foi julgado e condenado a trinta anos de cadeia. Mas eu sei que em breve ele será solto. E ele não merecia nem viver mais... — disse Dona Alzira, com voz rancorosa.

— Entregaram à Senhora o dinheiro do roubo? — perguntou ele.

— Não, o policial que foi me avisar que haviam prendido o ladrão, me disse que ele estava "limpo"...

— Hum!... — disse o Senhor João.

— Nem mesmo um enterro decente eu pude dar ao meu marido. Ele foi sepultado como indigente, em uma vala comum, no cemitério municipal — ela completou.

— Esse criminoso será castigado, Dona Alzira, na terra e no céu, pode estar certa — vaticinou o Senhor João.

Dona Alzira, levantando-se, disse, em bom tom, para que todos ouvissem:

— Sei que esse assassino já está pagando pelo seu crime, na justiça dos homens. Mas na cadeia ele tem conforto, lá ele bebe, come e dorme sob um teto, enquanto, por culpa dele, eu fiquei sozinha neste mundo e meus filhinhos não têm mais o pai, que adoravam, vivem passando fome e não têm onde morar. Esse criminoso frio e cruel tirou o bem mais precioso que meu marido possuía... a vida, e nos mergulhou nesse mar de sofrimento.

O Senhor João levantou-se e foi para perto de Dona Alzira e, sem dizer nada, deu-lhe um longo abraço no intuito de acalmá-la e de amenizar a sua dor.

Dona Alzira, sentindo-se confortada, por aquele carinhoso abraço, se aconchegou ao peito do Senhor João, abraçou-o fortemente e deixou que as lágrimas brotassem livremente. Lágrimas estas, agora, não só de agonia e de rancor, mas também de alívio e de felicidade, por saber que ainda existem pessoas boas neste mundo cão, o que lhe deu uma injeção de ânimo e renovou suas esperanças para enfrentar o futuro incerto.

Pedrinho, Luizinho e Martinha, sem entender por que sua mãe chorava, já que eles não estavam mais com fome, levantaram-se e foram para junto dela, na tentativa de consolá-la.

As pessoas que ainda se encontravam no recinto, mesmo tendo terminado de almoçar, não se moviam, pareciam estátuas, com os pensamentos nas palavras marcantes de Dona Alzira, com a imagem daquela família fixada, para sempre, em suas retinas e com os olhos, embaçados pelas lágrimas, voltados para a mesa do Senhor João — o dono do restaurante.

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Essa história é uma livre adaptação da moda de viola
 

Resto de comida,
 

composição de Sulino e Moacir dos Santos,

que se eternizou nas vozes de Cacique e Pajé.

 

 

Eu entrei num restaurante e sentei lá num cantinho
Nisso chegou uma mulher rodeada de filhinhos.
Pediu um resto de comida nem que fosse um bocadinho.
O garçom foi empurrando por cima dos menininhos.
"Se tem fome a culpa é sua se ponha no olho da rua
E vai limpando o meu caminho."

Vendo aquela triste cena eu me revoltei sozinho

Ao garçom eu fui dizendo "tome cuidado mocinho.
Eu não sou nenhum ricaço

mas também não sou mesquinho.
Ela é um ser humano e necessita de carinho.
Ninguém põe ela pra fora respeite bem essa senhora
E esses pobres coitadinho"

"Ela vai comer aqui com seus filhos reunidos.
Negar um resto de comida é um golpe dolorido.
Põe a toalha na mesa e atenda o meu pedido.
O que vier pra mim comer pra ela será servido.
Eu pagarei a quantia mais traga o prato do dia
E não me venha com sortido."

"A senhora sofre muito vejo pelo seu semblante"
Ela contou sua história silenciou o restaurante.
"Meu marido foi um homem que por nós lutou bastante.
Honrado e trabalhador no serviço era constante.
Mais ele foi assaltado e morreu assassinado
Pelas mãos de um assaltante."

"Esse grande sofrimento é o que hoje me consome.
Criminoso está preso mas não vou dizer seu nome.
Sei que ele está pagando pela justiça dos homens.
Na cadeia tem conforto lá ele bebe e come.
Por causa de um vagabundo fiquei sozinha neste mundo
E os filhos passando fome."

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