Lançamento do livro

"Ponto Final",

de Jair Humberto Rosa,

na Biblioteca Municipal Senador Camilo Chaves.

Ituiutaba, 27.09.2012.
 

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Capa do livro

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Jair Humberto Rosa

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Edson Angelo Muniz, mestre de cerimônia, que também escreveu uma sinopse do livro, que segue abaixo,
e a leu neste dia.

 

 

Jair Humberto e eu nos conhecemos há muitos anos. Não posso dizer que fomos amigos na infância ou na adolescência, porque não chegamos a ter um convívio de amizade, mas nos encontrávamos, às vezes, no Bairro Ipiranga, onde morávamos, porque nossas irmãs mais velhas — a Rosinha, irmã do Jair, e a Ednair, minha irmã — estavam sempre juntas. Naquele tempo, a bola, a biloca, o jogo de bete, o carrinho de rolamentos e a matinê no Cine Capitólio é que faziam a nossa alegria; o livro e a caneta ainda não faziam parte dos nossos planos juvenis.

Eu nunca imaginei, e creio que o Jair também não, que nos tornaríamos amigos nas letras e colegas de academia. Cada um seguiu o seu caminho e nos distanciamos um do outro. Na fase adulta, nos encontramos poucas vezes, mas hoje estamos aqui, nesta biblioteca, bem próximos, e eu com a difícil tarefa de apresentar o seu mais recente livro: Ponto Final.

Neste livro, com vinte e seis capítulos, Jair Humberto descreve, numa linguagem simples e direta, histórias de vida de vários personagens, histórias que se entrelaçam e retratam a luta diária de trabalhadores que dão um duro danado para sobreviver, e que todos os dias repetem os mesmos movimentos, passam pelos mesmos caminhos, veem as mesmas caras, enfrentam os mesmos problemas...

E os personagens dessa história, criados pelo autor, foram inspirados em nós mesmos — eu me vi em alguns deles —, porque todos nós vivemos à mercê da maldade humana. Nós também fazemos parte dessa maldade, por que não?, pois, às vezes, durante as nossas horas diárias de trabalho, sorrimos por fora, mas escondemos um desejo de dizer poucas e boas para certos indivíduos que se acham os maiorais e pisam em todos ao seu redor. Muitas são as vezes que queremos dizer: “Não, não vou fazer isso!”, mas, forçados por uma sociedade que sempre nos cobra “o jeito certo de ser”, somos obrigados a dizer: “Sim, vou fazer isso”

Já no primeiro capítulo, conheci o Agenor, personagem principal do livro: um motorista de ônibus circular de um bairro de São Paulo, um empregado certinho, um cara controlado, calado, educado, respeitador e amigo de todos, que em vinte anos de serviços prestados a uma mesma empresa, nunca se atrasou, nunca reclamou do trabalho, e que às vezes ia trabalhar mesmo estando doente. Agenor, nestes anos todos de submissão, já teve vontade de mudar tudo na sua vida, vida que ele mesmo chama de “chata e previsível”, mas se acomodou; como muitos de nós nos acomodamos e deixamos a vida nos levar, ou melhor, nos deixamos levar pela vida, pelas pessoas, pelos problemas, pelas mesmices. Acomodamo-nos para sobreviver... Como Agenor se acomodara para sobreviver.

Porém, um dia, Agenor acorda e fica rememorando a sua vidinha monótona, e decide mandar tudo para o alto e fazer daquele um dia diferente em sua casa, em seu trabalho, em sua vida... Ele quer ser feliz por um dia, dar boas gargalhadas, coisa que raramente fazia. E começa por se deixar ficar mais tempo do que o costume debaixo do chuveiro, enquanto a sua mente trabalha freneticamente.

Depois, conheci Berenice. Ela é a gerente-dedo-duro da padaria onde trabalha, e uma sonhadora, daquelas que ainda acreditam em príncipe encantado. É muito irritada, e não gosta de ver ninguém feliz. Não dá carinho nem ao gato que lhe faz companhia, em seu pequeno apartamento de subúrbio. De tanto ir para o trabalho, anos e anos, no ônibus dirigido por Agenor, neste dia ela dá tratos à bola e pensa em passar uma cantada no motorista, e se desenferrujar, porque há tempos não tem intimidade com um homem. Mas como Berenice fala pelos cotovelos, gosta de ficar ditando ordens, e só sabe reclamar de tudo e de todos, Agenor não se interessa por ela, ainda mais que ele vê nela a mulher que tem em casa.

Clodoaldo é o chefe de pessoal da empresa onde trabalha Agenor. Ele é um chefe ranzinza, que se acha o todo-poderoso da empresa, e por isso tripudia sobre seus comandados. E para Clodoaldo, o único dos seus subordinados que merecia uma promoção, ou um prêmio no final do ano, seria Agenor. Até esse dia...

Bom, toda a trama do livro gira em torno desses três, mas outros personagens vão aparecendo ao longo dessa narrativa envolvente.

Nesse memorável dia para o Agenor, ele quer ter o poder nas mãos, e o poder para ele é o volante, o câmbio e todos os dispositivos do painel do ônibus em que trabalha, e nesse dia ele se rebela contra o mundo, não quer ser mandado por ninguém: nem pelo chefe, nem pelos passageiros, nem pela mulher, nem pelos filhos, nem pela polícia, nem por sua mãe, se ela estivesse viva, por ninguém... Então, ele decide, e aqui eu vou citar o autor, Agenor decide “romper a barreira da censura interna, deixando sair de dentro de si os impulsos contidos durante a vida toda”. Então, cansado de ser o funcionário certinho, bonzinho, colega amistoso e servil, Agenor engrena a primeira marcha, pisa no acelerador e arranca; ele está resolvido: levará o seu ônibus, da garagem ao “Ponto Final”, como sempre fez durante os últimos vinte anos de sua vida, mas de uma maneira diferente, que só ele sabe.

Mas vocês também saberão como Agenor conduziu o ônibus quando lerem este livro, livro que já li duas vezes, e que recomendo a vocês, porque eu o achei muito bom! E apesar de o enredo mostrar o momento crítico na vida de um ser humano, Jair consegue passar para o leitor doses de humor e ironia.

Parabéns, Jair Humberto Rosa. E... “Ponto Final!”

 



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Jair Humberto, falando ao público



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Neusa Marques, Jair Humberto,

Marina Gomide e Ione Marta



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Edson Angelo Muniz, Ione Marta,


Jair Humberto e Sônia Maciel

 


 


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Sebastião, Jair Humberto, Genesi de Fátima,

 

Ana Maria, Ione Félix e Daiana

 



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