13.o capítulo do livro

Usando aquela armadura sensacional, eu ajudava na manutenção do laboratório Cetro, e, nas horas de folga, RC me explicava cada detalhe do laboratório, a função de cada computador e a finalidade de cada máquina. E eu via em seu rosto que ele sentia prazer em me ensinar, assim como eu estava maravilhado com tudo o que aprendi e com tudo o que ainda poderia aprender com aquele robô-professor.

Numa manhã, durante uma aula no setor de robótica, perguntei ao meu amigo:

— RC, se você tem a tecnologia em suas memórias e este laboratório de robótica super-equipado, por que ainda não montou um robô, à sua semelhança, para te ajudar nas tarefas e te fazer companhia?

— O meu criador escreveu algumas leis que os RCs têm que obedecer. E o teor da 10.ª LRC é o seguinte: “O RC é uma criação, portanto não poderá criar outros robôs.”

— Ele foi egoísta, hem?

— Não, Erik! Ele foi cauteloso.

— Cauteloso?...

— É. Porque mesmo tendo escrito a 1.ª LRC, que determina a obediência total dos robôs ao Rei de Cetro, e a ele mesmo, o criador quis evitar que algum robô se rebelasse, se autorreprogramasse, construísse outros robôs e os colocasse sob o seu comando, para tentar subjugar os seres vivos.

— É, pensando bem, seu criador foi muito esperto!

— Ele é o pensador mais inteligente do planeta Cetro...

Dizendo isso, RC caminhou rumo ao elevador. E eu sabia aonde ele estava indo. Um dos computadores, que ficava no primeiro plano, duas vezes por dia recebia a sua visita. Era o que controlava o supertransmissor de sinais de rádio, enviando sua mensagem ao espaço. Ele sempre dava a desculpa de que estava só inspecionando, mas a verdade é que ele não perdera a esperança de ser resgatado e sentia falta dos antigos companheiros, mesmo sabendo agora que eles o haviam abandonado na Terra.

Após alguns minutos, subi e fui até lá. Cheguei perto dele e perguntei:

— RC, você ficou com pelo menos uma nave-anã?

— Sim, Erik. Ela está no hangar.

— Eu posso vê-la?

— Vamos até lá. Você vai conhecer uma nave-anã cetroniana, e eu vou lhe ensinar a pilotá-la.

Chegamos no hangar. Fiquei boquiaberto ao ver aquela máquina voadora de tom dourado, que de anã não tinha nada.

RC apertou um ícone no painel de seu antebraço, e a nave pareceu ganhar vida. Ele então comandou: “Permissão para subir a bordo.” Imediatamente uma lateral da nave se abriu e veio descendo, até ficar a poucos centímetros do piso. Na parte interna da grande porta havia uma escada. Subimos por ela e entramos na nave.

Por dentro ela era oca, bem menor do que aparentava ser por fora. Percebi que entre a carenagem e a parede interna da nave havia uma parte fechada de mais ou menos dois metros de largura. Certamente onde ficavam os retroprojetores, computadores, tanques de combustível e aparelhos de controle da nave. Os únicos assentos estavam na cabine de comando, para onde nos dirigimos.

E novamente foram horas de instruções sobre a utilidade de cada botão, como pilotar manualmente, como usar o piloto automático, como voar na velocidade supersônica, como deixar a nave invisível, como deixá-la pairando no ar, igual a um beija-flor...

— Desta vez não terá como você praticar, Erik, porque esta nave está sem combustível.

— Se não tem combustível na nave, como foi que ela ligou?

— Cada nave possui cinco pares de baterias iguais às minhas, para alimentar os computadores e os sistemas de comando. Falta-lhe combustível para os retroprojetores.

Eu fiquei triste, porque já me via cruzando os ares com aquela nave extraterrestre. E até cheguei a pensar que numa dessas voltas eu poderia sobrevoar o meu pedaço de chão, para ver como estava tudo por lá.

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