11.o capítulo do livro

Olhei o robô caminhando rumo ao elevador, e o segui.

— Aonde você está indo, RC?

— Vou lhe mostrar seus aposentos e depois vou me conectar com o computador central, para, juntos, descobrirmos um meio de livrar a Terra da terrível ameaça do superaquecimento e, consequentemente, livrar os seres vivos dos nocivos raios ultravioleta do sol.

Fiquei muito feliz. Agora eu via uma luz no fim do túnel, pois eu estava convicto de que aquele super-robô seria mesmo capaz de salvar a Terra. Foi preciso que um ser de outro planeta, que não precisava do ar para respirar nem da água para beber, viesse nos salvar, corrigindo os maus tratos que o homem praticou — e infelizmente ainda pratica — contra a natureza.

Quando entramos no elevador, RC disse: “Primeiro plano.” Começamos a subir. De repente, ouvi um estalo: o elevador começou a balançar e a ranger. Fiquei preocupado. Parecendo ler os meus pensamentos, ele disse:

— Não tenha medo, Erik, os cabos que sustentam o elevador suportam um peso de até 3.000 quilos.

— E quantos quilos você pesa, RC?!

— Peso 500 quilos.

— Nossa!... Você é bem gordinho, hem!

Ele sorriu, mas não disse nada. Saímos do elevador e entramos em uma sala com vários compartimentos.

RC me disse:

— O seu aposento será o de número 29, aquele que tem o símbolo real estampado na porta. Ele é muito espaçoso. Tem um quarto com uma cama larga e um aparelho de tevê, conectado com o meu satélite, no qual você poderá assistir o que quiser; tem uma sala, uma cozinha, um...

Eu o interrompi:

— Tem banheiro?

— Sim, Erik, tem um banheiro, com uma banheira de água quente, e, ao lado dele, uma academia de ginástica.

— Puxa!... Quem ocupava esse apartamento de luxo?

— Ninguém. Você será o primeiro hóspede a usá-lo.

— Por que ele nunca foi usado?...

— Este aposento foi preparado para o caso de o Rei Cetro VI, ou o Príncipe Oten, vir inspecionar o laboratório; como isso nunca aconteceu...

— Ele ficou abandonado.

— É. Inclusive, Erik, os guarda-roupas estão abarrotados de roupas que também nunca foram usadas. Desculpe-me a franqueza, mas essas que você está usando estão um molambo.

— É verdade, estou mesmo precisando...

— Venha, vamos gravar o código de sua íris no leitor ótico da porta, para que só você tenha acesso aos seus aposentos.

— Para quê, RC? Não existe mais ninguém conosco. Não há necessidade disso!

— É assim que funciona. Não discuta.

Diante destas afirmativas, ditas com voz firme, eu não disse mais nada.

Depois que RC escaneou a minha íris e gravou o meu código de acesso ao apartamento real, cheguei os olhos perto do leitor ótico e uma luzinha dourada cruzou com o meu olhar. Imediatamente a porta se abriu. Entramos.

O quarto precisava de uma boa faxina, mas eu o achei bem aconchegante. Eu não disse nada, mas o robô não resistiu. Pareceu-me que além de emotivo ele também era curioso:

— E então, Erik, gostou do aposento?

— Claro. Ele foi muito bem projetado. Vou ter uma vida de rei, morando aqui.

— Há tempos que eu não venho aqui, desculpe-me por esta desordem...

— Não se preocupe, RC! Mais tarde eu faço uma boa arrumação em tudo isso, tomo um banho na banheira real e experimento todas as roupas. Mas, agora, vamos continuar a inspeção?

— Sim, vamos. Chegou o momento de lhe mostrar uma... uma beldade, como vocês diriam aqui na Terra. Uma maravilha tecnológica!...

 

Próximo Capítulo
 


Para adquirir livros de Edson Angelo Muniz, clique aqui.