4.o capítulo do livro

O  elevador descia, e a ansiedade crescia a cada minuto. Minutos que pareceram intermináveis para mim, que já começava a suar intensamente, mais por causa da ansiedade crescente do que por causa do calor do fogo baixo.

O elevador parou, e a porta se abriu. A temperatura era ambiente. Quando saí, luzes se acenderam, ofuscando minha visão. Um vulto surgiu à minha frente e uma voz forte soou na imensidão:

— Saudações cetronianas, terráqueo!

Recuei, assustado, com o tição em posição de defesa.

— Não precisa ter medo de mim, rapaz, e apague esse fogo, senão você pode se queimar ou provocar um incêndio e explodir tudo por aqui.

Não sei bem por quê, mas aquele estranho ser me inspirou confiança. Sem dizer nada, soltei o tição e pisei nele, apagando o fogo e sujando de carvão o piso liso, verde-oliva, e quase queimando a planta do meu pé direito,
pois o solado da minha botina estava furado.

Fiquei alguns minutos observando aquele homenzarrão e aquele local. O homenzarrão era mais alto do que eu, robusto, e usava uma espécie de armadura, de tom azul-celeste, e um medalhão no peito, um medalhão parecido com o brasão de uma família. O local deveria ser um grande laboratório, porque, até onde minha vista alcançava, eu via máquinas de todos os tamanhos e formas, e telas de computador nas paredes.

Ele foi chegando perto de mim. Olhando mais atentamente para o seu rosto, notei que ele tinha os olhos grandes, de um brilho intenso, que não tinha nariz, nem cabelos, e que a sua pele era bem grossa.

 

 

Nota: as ilustrações deste livro,
incluindo a capa, são de Edgar Franco.

 

 

Ele parou a meio metro de mim, e disse:

— Meu nome é RC 1.500. Qual é o seu nome, terráqueo?

Ainda com receio de conversar com ele, respondi, laconicamente:

— Erik.

— Erik... Bonito nome.

— Foi minha mãe quem escolheu...

— Você sabe o significado de seu nome?

— Não. Nunca pensei nisso. E você, sabe o que ele significa?

— Poderoso como uma águia.

— Se eu tivesse asas tão poderosas... — eu disse, quase que para mim mesmo.

E olhando para as suas mãos, eu perguntei:

— Você perdeu os dedos em alguma dessas máquinas?

Mostrando-me as mãos espalmadas, ele disse:

— Não, Erik. Eu só tenho quatro dedos em cada mão. Não sou humano como você, sou um robô.

— Um robô?... Meu Deus! — exclamei, passando a mão direita sobre meus olhos. — Devo estar sonhando, só pode ser isso!

— Você não está sonhando, Erik. Eu não sou de carne e osso, mas sou tão real quanto você.

Procurei por mais alguém, mas parecia que ali só vivia aquele robô, que não tirava os olhos de mim.

— E esse laboratório, o que é?... — eu perguntei.

— Venha, vou mostrá-lo a você. O nome dele é Cetro — disse o robô, começando a andar.

— Cetro?... — eu estranhei. — Por que esse nome tão antigo? É a sigla de alguma seita, ou entidade, tipo: Central Terráquea do Robô?

— Você tem o raciocínio rápido, hem, Erik?

— Eu acertei?...

— Não, Erik, não é bem isso. É porque eu fui criado pelos cetronianos, habitantes do planeta Cetro. E este laboratório foi construído por nós. Só por isso.

— Só por isso... Até parece que isso é normal!

— Desculpe-me, Erik, mas eu não sou de fazer rodeios.

— Cetro!... Acho que nossos astrônomos ainda não conhecem esse planeta. — Pode ser que eles, com seus potentes telescópios, já o tenham descoberto, mas devem tê-lo batizado com outro nome.

— É... Pode ser. Mas, por que você está aqui na Terra, e por que este laboratório subterrâneo? Você é um espião extraterrestre? Os cetronianos pretendem invadir a Terra e exterminar a todos nós?...

— Calma, Erik, eu vou explicar. Mas essa é uma longa história.— Sou todo ouvidos...

 

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