3.o capítulo do livro

Sentindo-me atraído por aquele enigma, fui até a escotilha e tentei erguê-la, puxando-a por uma alavanca que havia em seu centro. Não consegui movê-la nem um milímetro. Peguei uma pedra e bati na alavanca, que girou no sentido horário. A escotilha se abriu, deixando escapar um odor acre, revelando uma passagem secreta que dava para uma escadaria esculpida na pedra. Desci a pesada tampa, bem devagar, deixando-a entreaberta, calçando-a com a pedra que usei para abri-la.

Antes de descer pela escada, fui até o pomar apanhar algumas frutas: comi duas goiabas vermelhas, uma banana-da-ilha — ou seria banana-da-montanha? — e chupei três laranjas-peras, bem docinhas. Derrubei, com uma cacetada, uma manga itamaracá das grimpas de uma das mangueiras, e apanhei uma maçã. Levei as frutas para a praia e lavei-as no riacho.

Depois, pensei em acender um fogo e fazer uma tocha para iluminar aquele buraco escuro que se perdia degraus abaixo. Juntei algumas folhas e gravetos secos para fazer uma fogueira. Peguei duas pedras lisas no riacho e comecei a bater uma na outra para produzir faísca. Após várias tentativas, consegui fogo. Coloquei pedaços de paus maiores para avivar as chamas, e me sentei na areia, perto da fogueira, para descansar e secar minhas roupas. Enquanto a madeira crepitava, eu comia as suculentas frutas.

Quando o fogo estava bem alto, peguei um tição e desci pela escada, de uns cinquenta degraus, que terminava em uma porta de aço. Apertei um botão dourado, ao lado da porta, e ela rangeu. Apertei o botão novamente, e a porta se abriu: era um elevador. Mesmo com medo e o coração querendo saltar pela boca, eu entrei. Automaticamente a porta se fechou, e o elevador iniciou uma descida rápida, rumo ao desconhecido.

 

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