Poema de Edson Angelo Muniz

 

 

Andarilho

 

                              Adaptado do conto "Andanças", de Ibrain Calil

 

 

Um empresário tinha tudo em sua vida
Linda esposa e dois filhos que adorava
Um lar sagrado onde era tão feliz
Pra onde todo dia do trabalho ele voltava


Mas certo dia o destino lhe marcou
Voltou pra casa e ficou desesperado
Na sua rua muita gente ele encontrou
Pois o seu lar estava todo incendiado


O desespero tomou conta deste homem
Perdeu a família e saiu louco pro mundo
Abandonou o seu trabalho e se transformou
Em um andarilho, e era chamado de vagabundo


Rosto barbudo, roupas sujas e rasgadas
Falando sozinho, passava-se por um louco
Seu alimento eram restos jogados no lixo
Amigos e parentes foi esquecendo pouco a pouco


Em suas andanças nunca sabia onde estava
E numa manhã passando por uma estrada
Viu duas crianças brincando numa fazenda
Ficou parado lembrando a vida passada


Viu sua casa e sua querida esposa
Igual um filme exibido em sua mente
Viu seus filhos lhe mandando mil beijinhos
Lá no jardim brincando alegremente


Mas de repente ele voltou à realidade
Quando viu uma criança ir para o asfalto
E uma carreta que descia em disparada
Nesse instante o amor falou mais alto


Saiu correndo, movido pela emoção
Pulou depressa e salvou aquela vida
E abraçava aquele ser tão pequenino
Como se fosse a sua filhinha querida


Porém, a mãe daquela linda menininha
Pensando que ele estava a lhe maltratar
Escorraçou o andarilho salvador
Ao ver a filha em seus braços soluçar


Aquele homem foi se afastando cabisbaixo
Mas muito feliz, pois uma vida ele salvou
Olhou para trás e ficou emocionado
Pois a menina um beijinho lhe mandou


E soltando-se dos braços de sua mãe
Ela correu, e ao andarilho abraçou
E as lágrimas rolaram naquele rosto sofrido
Quando a inocente criança em sua face beijou.

 

 

 

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