SÃO  JOSÉ  DO  TIJUCO

VILLA  PLATINA

ITUIUTABA

 

ALTAIR ALVES FERREIRA


 
 

O poeta é de Formiga (MG) e residiu em Ituiutaba, de junho de 1953 a 11 de janeiro de 1981, ao transferir-se para o além. Casou--se com Maria de Lourdes Ferreira e tiveram seis filhos: Luís, Maria Marta, Wilson, Ênio Eustáquio, Maurício e Maria das Graças. A obra poética: Alma em Delírio (1966), Pérolas e Seixos (1970) e Palco da Vida (1977). Em 1980, enveredou pela trilha histórica e coletou fatos locais no volume intitulado Caminhadas para o amanhã. Pertenceu a várias academias, como a dos Poetas de Minas Gerais, as de Letras do Brasil Central, de Anápolis (GO), e de Uruguaiana (RS). Amante das trovas, militou também nos clubes dos Trovadores do Seridó (RN) e do Triângulo Mineiro. Foi Vice-Presidente da União Brasileira dos Trovadores, Seção Ituiutaba.

O gosto pelas artes cênicas fez de Altair grande incentivador do teatro nesta cidade e região: ensinou os segredos do metier na Escola de Arte Dramática Dom Bosco, de Uberlândia. Há registros de várias montagens de sua autoria e direção nesta praça, como os espetáculos no salão paroquial. Antes do Teatro Vianinha, a improvisação foi a tônica, e palcos itinerantes prestaram-se à expressão artística e corporal de autores e atores que ele valorizou. Membro da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), fundou, em Ituiutaba, o Movimento de Revelações Artísticas (MORA).

Assim como foi pioneiro no campo teatral, também venceu preconceitos e impôs-se ao provincianismo, resgatando o vocábulo poeta da usual depreciação. Num tempo em que a sociedade oriunda do meio rural era pouco familiarizada com arroubos líricos, ele soube-se poeta e não teve pudor de o ser. Apesar dos olhares de viés. Era de vê-lo sempre de terno escuro, cabelos parecidos aos do famoso Castro Alves, que só uns poucos iniciados na literatura conheciam, a visitar redações de jornais: um breve reconhecimento oficial aqui, um elogio ali, o poema recém-criado, a promessa de edição ou publicação de novo livro, tudo confortava a alma simples. Vai distância entre vaidade e essa motivação — o alimento da sensibilidade criadora, própria dos artistas. Altair foi um artista solitário e, às vezes, mal compreendido pelos contemporâneos. Poucos captaram o significado de seu papel de mediador entre a poesia tradicional e o modernismo que, em algumas criações, perde terreno para a poética clássica.

O famoso escritor João Antônio, autor de Abraçado ao meu rancor, advogava a prática de os escritores também caitituarem espaço na mídia. Ele fez isso na sua Rio de Janeiro de mentalidade aberta, mas depois de Altair Alves Ferreira, numa cidade meio provinciana ainda. Sob o sol escaldante de Ituiutaba e não da aragem de uma Copacabana, nosso Poeta caitituou primeiro e em ambiente hostil. Armado tão só de criatividade e ousadia, inaugurou o verbo caitituar em nossa São José do Tijuco, ao que nos parece.

Literato e jornalista, o Poeta Altair lecionou Literatura Brasileira e Portuguesa em escolas de Ituiutaba. Escreveu prosa algumas vezes também. Ele é o autor do texto de capa de dois discos: Intimidade Espírita, de Jerônimo Mendonça, e Uma voz e um violão, do professor J. Marques. Atuou ainda como jornalista colaborador na região, na sua terra, Formiga, e Camaçari (BA). É um dos sócios fundadores da Associação dos Jornalistas do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

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Texto extraído de O Livro de (quase) Todos, de autoria de Alciene Ribeiro Leite (Egil, 2004, páginas 178 e 179).