Versos de improviso

feitos por

Edson Angelo Muniz

 

 

 

* * * * *

 

Na casa do Teco

 

Nós estamos na casa do Professor Teco,

tomando cerveja, conversando, numa alegre festa...

Mas a Tia Maria, mãe do Teco, está acabrunhada,

acho que ela está querendo ir pra seresta.

 

O amigo Luizão trombou de moto,

e quase que ele foi parar lá no céu,

mas, como vaso ruim não quebra fácil,

ele sobreviveu, assiste novela e se apaixonou pelo Teo.

 

(17.5.2013)

 

* * * * *

 

Aniversário do Tio Antenor

 

Este dia ficará na história da família,

como o dia da paz, da amizade e do amor,

hoje comemoramos os 83 anos de vida

do nosso querido Tio Antenor.

 

Tio Antenor é um parente especial,

de muita força e de todos grande amigo,

apesar de ele ser muito brincalhão

é sistemático, é do regime antigo.

 

Neste terreiro, há quarenta anos,

eu queria dançar e namorar com a Nicinha,

mas não lhe falei, porque eu era tímido,

mas hoje dançamos aqui e ela é namorada minha.

 

Tudo isso nos é dado por Deus,

que uniu os nossos corações.

A Nicinha e eu seremos sempre unidos,

e neste dia, no truco, somos os campeões.

 

Tio Antenor eu lhe digo: muito obrigado,

por tudo que o senhor representa pra nosso povo.

Neste dia cantamos parabéns para o senhor,

e desejamos que ano que vem tenha festa de novo.

 

Este recanto é abençoado por Deus,

aqui só a alegria é a nossa parceira.

Tio Antenor, sentimos imensa saudade

da Tia Nêga, sua grande companheira.

 

Depois da festa fomos dormir na casa do Toinzico,

onde o tratamento com as visitas é sempre igual,

sempre temos mordomias, com simplicidade,

desta ver dormimos numa suíte especial.

 

(18.5.2013)

 

*

 

Levantei bem cedo e fui passear um pouco

à beira do Rio da Prata, mas não fui sozinho,

levei a Nicinha, minha amada, e dois guardiães:

a cadela Chiquinha e o cachorro Chumbinho.

 

Demoramos bastante naquele recanto tranquilo;

voltamos ao sítio e fomos pegar frangos para o almoço,

o Toinzico derrubou um, com uma boa paulada,

e o João Neto acertou em outro, no pescoço.

 

Na hora do almoço, não me fiz de rogado,

o franguinho na panela foi a minha mira.

O João Neto contou os pedaços que comi,

e disse pra Nicinha fritar ovo, pois não gosto de frango caipira.

 

Temos de ir embora hoje à tardezinha,

pra ver o jogo do Corinthians, que vai ser uma barbada,

mas me pediram, e eu vou atender:

só iremos embora amanhã de madrugada.

 

Eu sempre gostei de tocar violão e de cantar,

mas sei que não sou um bom violeiro.

O João Vitor, neto do Toinzico, vai aprender a tocar,

e no violão vai ser meu companheiro.

 

Aqui na casa da Nêga e do Toinzico

existe paz, amizade e muita emoção,

mas hoje minha felicidade foi completa,

pois o Corinthians foi campeão do Paulistão.

 

João Neto, Patrícia, Toinzico, Maurício e Nicinha,

estavam torcendo para o Santos ganhar,

o Galego e eu éramos os únicos corinthianos,

e agora nós dois vamos comemorar.

 

O João Neto abriu uma cerveja,

e me deu um copo para brindar,

ele me deu os parabéns pela vitória do Corinthias,

e disse: "Um dos dois tinha de ganhar."

 

Eu torci para o meu Corinthians,

mas isso não muda a minha hombridade,

ganhando ou perdendo, pouco me importa,

por causa de futebol não perco amizade.

 

Já ficou combinado que no sábado que vem,

a Nicinha e eu na beira do rio vamos acampar,

mesmo que o Toinzico cobre um aluguel caro,

nós iremos, com alegria, e eu vou pagar.

 

O primo Juliano Rosado já facilitou,

pois vai nos emprestar a sua barraca,

chegaremos bem cedinho, antes do nascer do sol,

e eu vou embora, no domingo, de ressaca.

 

Mas já vou adiantando um assunto sério,

queremos ficar na beira do rio só nós dois,

vocês podem ir lá, de dia, pra beber e jogar truco,

mas não demorem, venham logo embora depois.

 

(19.5.2013)

 

* * * * *

 

Na casa da Criôla

 

Neste sábado que está um pouco quente,

estamos aqui, bebendo com muita alegria,

comemorando esta inesperada união

do Evilásio com a Helena Maria.

 

Eu sei que vocês não me entenderam,

então eu vou lhes dar uma pequena ajuda:

nós estamos comemorando hoje,

a felicidade da prima Criôla e do Duda.

 

A Criôla há muito tempo está sozinha,

e este namoro começou numa seresta,

todos nós merecemos ser felizes,

prima eu desejo que entre vocês seja só festa.

 

Atualmente é difícil se ter amigos,

o corre-corre é um deus-nos-acuda.

Quero nestes versos parabenizar

a dois amigos: o Zé Costa e o Duda.

 

O Zé Costa tá de olho nas primas,

já percebemos a sua intenção,

mas ele terá que decidir

em qual das duas ele vai pôr a mão.

 

Passou as horas e o Zé Costa ficou sozinho,

pois em nenhuma das primas ele pôs o bico.

E a Tia Maria que bebeu cerveja e energético,

dançou meio esquisito e pagou mico.

 

(8.6.2013)

 

* * * * *

 

Passeio à Fazenda Saltador

 

No dia 16 do mês de junho,

eu, a Tia Joana e a Tia Maria,

fomos passear, rumo a Gurinhatã,

pra Fazenda Saltador, onde há muito eu não ia.

 

Trouxemos no Fiat da Tia Joana

muitas sacolas, meu violão, computador,

e um quadro de vidro, que fiz para a Ilanna,

o qual a Tia Joana trazia com muito amor.

 

Em Gurinhatã paramos pra comprar cerveja,

desci do carro, que tem os vidros fumê.

Quando voltei com as garrafas de Skol,

abri a porta e sentei no quadro sem ver.

 

À fazenda chegamos bem rapidinho,

pus a cerveja no freezer pra ficar bem geladinha,

fui ajudar as mulheres a limpar a casa,

quebrei um vidro que estava com uma plantinha.

 

Apesar destes desastres com os vidros,

correu tudo bem, foi um ótimo fim de semana.

Gosto do lugar, e gosto de sair da rotina,

e é sempre bom estar ao lado da Tia Joana.

 

(16.6.2013)

 

* * * * *

 

Aniversário da Tia Joana

 

Neste sábado, dia 22 de junho,

saímos de Ituiutaba pra fugir do calor,

em pouco tempo o Edilson, a Rosa e eu

chegamos, felizes, à Fazenda Saltador.

 

No dia 24 a Tia Joana nasceu,

trazendo alegria a seus pais e irmãos.

Hoje nós viemos à fazenda pra comemorar,

e abraçar a Tia e ser abençoados por suas mãos.

 

Nesta fazenda mora a felicidade,

aqui a alma da gente se sente cigana.

Podemos rodar o mundo que não encontraremos,

anfitriã mais carinhosa do que a Tia Joana.

 

Tia Joana tem uma alma caridosa,

e veio ao mundo trazendo paz e alegria.

Ao lado dela, sempre prestativa e brincalhona,

encontramos a sua irmã, a Tia Maria.

 

A seleção brasileira estava jogando,

quando chegamos, Tia Joana ligou a televisão.

O time do Brasil ganhou do time da Itália

de 4 a 2, ficando mais perto de ser o campeão.

 

Ao terminar o primeiro tempo do jogo,

saí apressado, quase que fiz carreira,

pois pra falar com a Nicinha, meu amor, por telefone,

tenho que ficar perto do mourão da porteira.

 

Aqui o céu é sempre mais bonito,

e a natureza mais alegre e florida.

Quem não conhece esta rara beleza,

não pode dizer que é feliz nesta vida.

 

No fim da tarde ouvi um grande alarde,

Tia Joana foi ver o que era aquela zoeira.

Ela voltou e me disse: "São os tucanos,

que fazem festa na mexeriqueira."

 

A noite nos reservou outro belo espetáculo,

lá na porteira, fiquei até arrepiado,

vendo a Lua cheia vagando, solitária,

procurando uma brecha pra exibir seu brilho prateado.

 

Deitei-me no sofá para ver televisão,

mas dormi ali mesmo, pois não fazia frio,

acordei à meia noite, e fui abrir a porteira,

para o Fiinho que chegava numa F-4000.

 

Antes de chegar, com o sacolejo pela estrada,

o Fiinho quis dormir no volante, em meio à poeira.

A Raysa falou: "Papai, preste atenção!

Eu não dou conta de dirigir esta banheira."

 

Ele não veio sozinho, trouxe sua família,

dentro da cabine, um pouco  apertada,

a Nei, a Raysa e a Ilanna Carla,

que riam muito, numa alegria desenfreada.

 

A Raysa desceu e me deu um abraço,

a Ilanna pediu bênção, com amor e carinho,

e ela disse pra Raysa: "Tome cuidado!

Não vá deixar cair o meu Juninho."

 

Eu pensei: "Será que é um cachorro,

daqueles pequenos, que é um primor?"

Mas a Ilanna me disse, ainda sorrindo:

"O Juninho é o meu computador."

 

(22.6.2013)

 

*

 

No domingo levantei bem cedinho,

ouvindo os pássaros que cantavam alegremente.

Tomei café com rosca e fui pra porteira,

e liguei pra Nicinha, em São Pedro, novamente.

 

Eu vi o Sol que saía detrás das nuvens,

vi um rastro de fumaça de um grande avião,

ouvi as rolinhas e um bando de quero-queros,

vi tucanos, periquitos e um cavalo alazão.

 

Afinei meu violão e fiz um acorde em Dó maior,

quando ouvi o Moisés latindo lá na estrada.

Fui abrir a porteira para o Maurício e a Edna,

ele trazia o Tio Gerson, Tia Doracina, e a Neide sua cunhada.

 

A Nei reclamou porque não fui ligar a roda-d'água,

dizendo que o Fiinho tá cansado, com o corpo doído.

E ela disse: "Se você não tem dó do seu primo,

eu tenho muita dó do meu marido."

 

Tia Joana veio em minha defesa,

vou escrever isso, antes que eu esqueça:

"O Edson está certo em não ter ido ligar a roda,

porque ele trabalha mais com a cabeça."

 

Tia Maria disse-me que não pode beber,

pois lhe dói a cabeça em um segundo.

Mas também ela não para, bebe demais,

e seca o seu e os copos de todo o mundo.

 

Chegaram à fazenda dois carros cheios de gente,

um Chevrolet branco e um Citroen de luxo,

trazendo a Dulce, o Celso, a Catiane, a Lauren,

o David, o Casmim, o Perereca e o Gaúcho.

 

Teve um deles que achou muito ruim,

ficou bravo e me falou, dando pinote:

"Quem foi que lhe disse que eu me chamo Gaúcho,

gosto que me chamem pelo nome de Benotti."

 

A Lauren está com o rosto pintadinho,

mesmo assim, ela é uma gracinha,

e esta garota é muito conhecida

como Lauren, a Baguncinha.

 

O Perereca está muito tristonho,

pois há dois meses da mulher se separou,

com os olhos vermelhos, ele comentava,

não teve jeito, o Perereca chorou.

 

Não fique triste, amigo Perereca,

nem verta lágrimas pela mulher que o deixou,

isso é ruim, mas acontece com qualquer um,

e muitos homens por mulher já chorou.

 

Mas a mulher quando diz que ama,

pode estar certo, ela fala a verdade.

Se você está triste, é porque ainda gosta,

e ela precisa de sua sinceridade.

 

O amor não sobrevive só de um lado,

é preciso haver mútua compreensão.

Para que o amor resista às intempéries

é necessário haver entre os dois muita união.

 

O Casmim é um bom camarada,

mas seu amor não tem ninguém que define.

Mas parece que desta vez não está mentindo,

ele está mesmo apaixonado pela Aline.

 

Antes do almoço, bebemos cerveja e jogamos truco,

e o Casmim e eu ganhamos três vezes seguidas,

perdemos uma queda, para o Edilson e a Edna,

mas o almoço foi a melhor das partidas.

 

Na volta pra casa o Perereca se descuidou,

caiu num buraco, arrebentou dois pneus.

Paramos pra ver o que tinha acontecido,

mas ninguém se machucou, graças a Deus.

 

Estes dois dias de alegria e descontração,

foi regado com carinho e muito amor.

Tia Joana, sempre que a senhora permitir,

voltaremos à linda Fazenda Saltador.

 

(23.6.2013)

 

* * * * *

 

De Ituiutaba a São Pedro - 2

 

Há semanas que eu não via nem beijava

a querida Nicinha, minha amada-amante.

Então, deixei para trás a linda Ituiutaba,

e fui a São Pedro onde está este brilhante.

 

Deixei vários serviços e fui passear,

mas, modéstia à parte, eu muito mereço,

já suei a camisa de tanto trabalhar,

e em São Pedro o que me espera não tem preço.

 

Saí de casa às cinco da madrugada,

o vento estava frio, num clima sem igual,

liguei para o Mamão, na Rádio Difusora AM,

e pedi uma música com Lourenço e Lourival.

 

Já conheço bem cada curva, cada trevo,

e os pedágios onde a tarifa não é cara.

Mas nessa sexta-feira, por falta de atenção,

segui na rodovia que vai pra Araraquara.

 

Descobri que aquela não era a rodovia de sempre,

pois comecei a notar uma paisagem diferente,

vi à minha esquerda uma extração de areia,

mas acelerei o motor e segui em frente.

 

No próximo trevo entrei numa estrada vicinal,

sentido São Carlos, que é a minha rota certa.

Parei o carro debaixo de uma grande árvore,

e "marquei o território" perto de uma porteira aberta.

 

O meu Pálio Flex corria, muito veloz,

pois com álcool ele rende mais do que com gasolina.

Graças a Deus, cheguei bem e muito feliz,

e novamente afaguei minha menina.

 

Revi a Tia Fiíca, sempre altaneira e muito forte,

o João Paulo, a Ju, o Reiner e o Osmar,

a Luciana e o seu filho, Pedro Henrique,

e todos, com carinho, vieram me cumprimentar.

 

(28.6.2013)

 

 

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