Versos de improviso

feitos por

Edson Angelo Muniz

 

 

 

* * * * *

 

Fazenda do Toinzico

 

Eu estava muito tranquilo,

este sábado para mim foi folgado,

quando a Maria, prima-esposa do Valtenis,

me deixou mais feliz e mais animado.

 

Ela me disse: "Vamos pra Fazenda,

na beira do Rio da Prata."

Eu lhe disse: "Eu também vou,

pois a saudade de lá quase me mata."

 

No meu carro vieram o Gilberto e a Maria Delfina,

no do Valtenis, a Gláucia, a Maria e a Cidinha.

Demoramos muito para sair de viagem,

mas eu juro que não foi culpa minha.

 

É que o Valtenis é muito devagar,

demora demais, por isso tem a mente sã.

O Gilberto me disse, sorrindo,

"Ele demora uma hora pra beijar a minha irmã!"

 

A Cidinha também nos atrasou,

e quase que em Ituiutaba ela ficô,

e na rodovia, na parada obrigatória,

ela ficou flertando com um vendedô.

 

A Neide e o Idivaldo chegaram primeiro,

do asfalto pra fazenda foi ela que dirigiu,

deu um problema, eu fiquei sabendo,

num mata-burro a camionete caiu.

 

Um dos pneus do carro não aguentou,

e no corte saiu todo o ar quente,

e a Neide, de tanta raiva,

amassou a roda com o dente.

 

O Toinzico, um primo sempre alegre,

ficou mais sorridente quando me viu.

Há muitos anos que nos conhecemos,

foi o sangue que sempre nos uniu.

 

O Maurício e o Primo Carlito, no truco,

ganharam quatro quedas do Idivaldo e do Toinzico,

quando eu o Valtenis sentamos à mesa,

o tempo fechou e o jogo ficou esquisito.

 

O Maurício é um bom jogador de truco,

ele descarta bem e rouba de cara lavada,

estávamos de jogo a jogo, e eu o enganei,

tava com o zape e dei sinal pro parceiro que não tinha nada.

 

O Carlito e o Maurício levantaram da mesa,

e sentaram a Cida e a Prima Maria,

elas roubaram e fizeram tanto barulho,

que o Valtenis e eu entramos numa fria.

 

A Maria, esposa do Primo Gilberto,

é muito séria, mas às vezes é treteira,

ela não queria vir conosco pra fazenda,

só pra ir dançar no Clube Palmeira.

 

A Nêga está bem e muito feliz,

dispensou carona e disse, com amor:

"Vou pra fazenda é de ônibus,

pra levar o Henrique e o Heitor."

 

O Maurício é um cabra macho,

mas às vezes vira uma geringonça,

ele não quer mais ir na beira do rio,

só por causa do rastro de uma onça.

 

A Cida está muito serelepe,

não para de comer, já lambuzou o bico.

Descobrimos que ela gosta muito

da linguiça do Idivaldo e da mandioca do Toinzico.

 

Dos netos do Toinzico e da Nêga

tem um que é muito engraçado,

é o Henrique, que fica sempre rindo,

ele é feliz e diz que é apaixonado.

 

O Heitor é um pouco mais sério,

mas gosta muito de palmas bater.

Ele é esperto e muito inteligente,

e vai ser doutor quando crescer.

 

Os primos Heitor e Henrique,

são pequenos mas já viajaram de avião.

Eles são mais corajosos do que eu,

pois eu sou velho e nunca tirei os pés do chão.

 

O Idivaldo não quer sair da mesa de truco,

isso é esquisito e não está certo,

porque é um senta-levanta e ele perdeu,

mas ele não levanta porque a Cida está por perto.

 

O Carlito já está ficando sem jeito,

e ele até, baixinho, me confessõ:

"A Cidinha tá me relando muito,

não aguento, eu acho que vô..."

 

A festança já estava muito boa,

mais tarde ficou a melhor do ano,

porque chegaram à sede da fazenda:

a Elisa e o meu primo Juliano.

 

Bebi demais e joguei muito truco,

deitei num catre, e acho que desmaiei,

pois o Valdenis me jogou até um besouro,

o Idivaldo e a Maria dormiram comigo e eu não acordei.

 

Eu não tomei banho, mas não fui o único,

acordei só de madrugada, um pouco assustado,

o Idivaldo e a Neide foram buscar o Mário Neto,

que estava num casamento e já chegou chapado.

 

Dormi novamente e só acordei às 6 horas,

vi as árvores, o céu azul, e caindo uma garoa.

ouvi os passarinhos cantando maviosamente,

fechei meus olhos e pensei: "Oh meu Deus, que vida boa!"

 

O Maurício é um cara trabalhador,

destila pinga, tira leite; e é muito espertinho.

Ele foi trabalhar para o Jovanil,

deixando enciumado um tal de Setinho.

 

No domingo o Maurício chegou mais tarde,

e trouxe um saco com cerveja gelada.

A Maria Aparecida, muito curiosa,

pegou no saco dele com a mão fechada.

 

O Gilberto, quando jogava truco,

deu cãibra na perna, e ficou todo torto.

A Maria Delfina disse pra sua comadre Maria:

"Podia dar cãibra em outro nervo dele, que já tá morto!"

 

Mas o Gilberto é um bom pescador,

ele e o Idivaldo foram pescar no vau,

logo voltaram com o samburá bem cheio,

de traíra, lambari, cascudo e piau.

 

O Gilberto caiu na água suja,

o Idivaldo se enfiou em uma loca,

eles foram para o rio logo cedinho:

um levou vara e o outro levou minhoca.

 

No domingo, começamos a beber logo cedo,

e logo hoje que tenho de ir à igreja.

E ainda chegou o Carlinho e o Júnior,

trazendo com eles mais uma caixa de cerveja.

 

O Júnior namora com a filha do Vaci,

menina linda, porém muito durona.

Dessa vez o Júnior está ferrado,

pois morre de medo da namorada mandona.

 

O Mário Neto nos contou do casamento,

tudo lindo, cerveja gelada, e mais ainda...

que fazia tempos que ele não via a menina:

e repetiu várias vezes: "A noiva estava muito linda!"

 

(1.12.2012)

 

* * * * *

 

Na casa do Zezinho (José Mamede)

 

Eu sou um cara muito viajado,

onde eu chego, alguma coisa me conquista,

em Ituiutaba, na casa do Zezinho,

gostei da Pipinha, e ela de mim, à primeira vista.

 

Nesta casa eu ganhei mais amigos:

a Donda, o Sérgio, a Simone, o Zezinho,

a Maria Dirce, a Maria Luiza e a Milene,

que em meu coração vou guardar com carinho.

 

A Milena é uma moreninha linda,

é carinhosa e gosta muito do avô,

certo dia o vovô Zezinho ficou mal na fita,

pois a Milene de mal dele "ficô".

 

Mas o Zezinho, conversou com sua neta,

e ela disse: "Eu vou pensar, Vovô",

O Zezinho cobrou, e a Milene lhe falou:

"Meu penso ainda não 'pensô'."

 

A Maria Luiz ganhou um violão,

ela o trouxe pra mim o afinar,

é um bonito Gianini, nele eu toquei,

quando eu voltar aqui, quero ver ela tocar.

 

A Maria Dirce e a Nicinha, minha namorada,

saíram de carro para buscar um litro de vinho,

demoraram demais, eu fiquei preocupado,

pensei que tinha perdido o meu benzinho.

 

*

 

Neste dia, me surpreendi e fiquei feliz, quando a Milene me pediu o papel e a caneta

que eu estava usando, e me disse: "Deixa eu fazer uns versinhos também."

Ela escreveu, pegou o meu violão,

mesmo sem saber tocar ainda, e cantou assim:

 

O Edson Muniz é tão legal,

ele é bem inteligente,

eu conversei com ele

e conheci um amigo legal.

 

A Onice é muito bonita e bem inteligente,

adoro ela. Tia Onice gosto de você.

beijos da Mimi.

 

Vovó e Vovô, amo vocês,

e todo mundo.

Beijos de coração.

Amo vocês.

 

Parabéns, Milene Mamede Santos!

 

*

 

(16.12.2012)

 

* * * * *

 

Na Fazenda do Zé Grosso

 

O Delico, um dos meus primos que mora mais longe,

veio do Pará, e volta depois de alguns dias.

No outro dia chegou a sua irmã, Onilta,

e a Tia Fiíca redobrou as alegrias.

 

Sexta-feira, à noite, na casa da Tia Doracina,

jogamos truco, uma boa douradinha,

o trio: Maurício, Tio Gerson e Edson,

contra a Edna, a Neide e a Nicinha.

 

Não tivemos dó, ganhamos a primeira,

e as mulheres fizeram cara de choro.

Jogamos mais duas quedas, e o baralho virou,

não teve jeito, os homens levaram um "côro".

 

Sábado de manhã fui trabalhar um pouco,

parei mais cedo, para irmos pro Barreiro,

almoçar com o Zé Grosso e a Leonarda,

e ficar por ali quase o dia inteiro.

 

Vieram comigo a Fadicinha, minha amada,

a Tia Fiíca, a Onilta e o Delico,

rodando veloz, por aquela boa estrada,

a cada minuto mais feliz eu fico.

 

Encontramos o Zé Grosso e a Leonarda,

Valdeci, Valdenice e a Kemily, sua netinha.

Foi uma festa, muitos abraços e sorrisos,

só a Kemily é que estava tristinha.

 

Tia Fiíca receitou leite de magnésia,

mas a Kemily não quis nenhuma remédio tomar,

mas quando eu peguei o meu violão,

ela sorriu, se aprumou e veio comigo cantar.

 

O Vanderli chegou, trazendo um quarto de novilha,

ajudei a dependurar, sujei a camisa, me deu canseira,

a prima, Onilta, pegou uma faca e logo o descarnou,

relembrando os seus tempos de açougueira.

 

O Valdirinho combinou de vir, mas mancou,

esse Zinabre não puxou a avó, a Fiíca Muniz.

Então, de repente, lá na estrada apontou,

o Rafael e a Linéa numa pequena Biz.

 

A Nicinha comprou mais um litro de vinho,

mas não trouxe o saca, não tivemos escolha,

com um parafuso rosca soberba e um alicate

em pouco tempo conseguimos sacar a rolha.

 

Esta casa  é abençoada por Deus,

Nossa Senhora também a está abençoando,

e tem na sua porta uma grande beleza:

uma bandeira do Corinthians tremulando.

 

Essa tranquilidade não tem dinheiro que pague,

sentamos em bancos, debaixo do pé de tamarindo,

ouvindo os pássaros e outros sons da natureza,

não tem tristeza, todo mundo está sorrindo.

 

Que o Zinabre é muito conversador,

todo o mundo sabe, mas isso não é humilhante,

porém, hoje descobri, e triste eu fiquei:

o meu primo-sobrinho é um grande tratante.

 

A Kemily tem um sorriso lindo,

e ela canta e enconta com emoção,

ela agora está curada e até dançando,

e o remédio foi o toque do meu violão.

 

O primo Delico está sorrindo por fora,

mas por dentro ele tem pouca alegria,

pois sente saudades de sua casa,

e da esposa: Maria do Carmo Garcia.

 

A Valdenice é uma mulher trabalhadeira,

hoje já fez queijo, retalhou carne e lenha cortou,

o Valdeci ficou só pra acender a churrasqueira,

mas ela nos disse: "O fogo esse homem bagunçou."

 

O Rafael, quando veio pela estrada de terra,

num poço d'água deu uma desequilibrada,

sujou seu tênis e sua meia ficou molhada,

toda vermelha com a lama da enxurrada.

 

A prima Kemily é muito minha amiga,

ela e eu temos um sentimento profundo,

desde pequenos nós dois torcemos

para o Corínthians: o bi-campeão do mundo.

 

A Valdenice está acendendo o fogo

pra assar carne, mas está demorando,

acho que vamos embora sem mastigar,

pois tá escurecendo e o Toinzico nos esperando.

 

Antes passamos na casa do Tio Antenor,

onde encontramos muita gente querida,

e relembrei o passado daquele recanto,

onde eu vivi belos momentos nesta vida.

 

O Eurides estava muito bêbado,

"Hoje eu estou feliz", ele me disse,

"pois está fazendo 33 anos,

que me casei com a minha Helenice."

 

Chegando à fazenda do Toinzico e da Nêga,

logo, logo, o truco estava formado,

a Nicinha e eu contra o Delico e o Toinzico,

outra vez eu apanhei feito um condenado.

 

O Delico disse: "Nós nunca perdemos no truco."

Mas a sorte é ingrata e muito mesquinha,

ele e o Toinzico, apesar dos roubos,

perderam pra dupla: Nêga e a Nicinha.

 

(22.12.2012)

 

*

 

No domingo, levantei bem cedo,

eu a procurei mas a Nicinha sumiu,

o Toinzico estava fazendo café,

perguntei por ela mas ele também não a viu.

 

O Toinzico me ofereceu café,

eu o agradeci, e ele saiu rumo ao curral,

foi misturar os bezerros com as vacas,

e voltou com dois baldes cheios de leite natural.

 

Fiquei sozinho, escrevendo alguns versos,

de repente, no morro, a Nicinha apontou,

ela jogou milho para a galinhada,

e quando me viu, seu rosto se iluminou.

 

Dali a pouco, a Nicinha se levantou,

e emocionada foi andando rumo a uma camioneta,

eu fui também pra ver quem é que chegou:

o Fernando, a Pricilla, a Mini, e a Duda, sua neta.

 

De repente vimos chegar um carro preto,

eu fiquei pensando: "Quem será que chegou?"

quando desceram do carro, nós conhecemos:

o Valdirinho e o Valdir — que 'desinlocou'.

 

A prima Onilta sempre tem razão,

ela falou, e isso eu também senti:

o Valdirinho só apareceu na fazenda,

porque o Fernando está aqui.

 

(23.12.2012)

 

* * * * *

 

De Ituiutaba a São Pedro - 1

 

A casa do Oleir e da Odília, em Ituiutaba,

por 20 dias foi o meu hotel,

com a Nicinha sempre do meu lado,

esta casa era para mim um céu.

 

Numa noite, eu com a boca seca,

fiz a cozinha virar uma lambreca,

pois despejei água de uma jarra

no fundo de uma grande caneca.

 

Quanto mais eu conheço o homem,

mais aumenta a minha mágoa,

digo isso porque a palavra do Valdirinho

para mim é igual a um risco n'água.

 

O dia 24 foi muito triste,

quando cheguei vi lágrimas nos olhos da Nicinha,

e ela queria vir embora naquele dia,

depois descobri que a culpa foi toda minha.

 

Ela ligou para uma de suas filhas-amigas,

e a Ju com a sua mãe muito conversou.

A Nicinha, mesmo magoada, retrocedeu,

conversamos e ela para o Natal ficou.

 

Só no sábado saímos de Ituiutaba,

para chegarmos a São Pedro para o almoço,

com Deus na frente, eu não tenho medo,

vamos pela Anhanguera, que é um colosso.

 

Levantamos antes das 5 horas,

mas só saímos depois das seis,

fomos pra rodovia, rumo ao Rio Grande,

para voltar a São Pedro outra vez.

 

Eu no volante e a Nicinha do meu lado,

mãe amorosa da Ju, da Lu e do Fer Garcia.

No banco de trás vieram dois chulés:

o primo J.P. e a minha Tia, Maria.

 

O João Paulo está com o pensamento longe,

pois com a Ana Carolina ele muito se importa,

sem largar o celular ele entrou no meu carro,

mas se esqueceu de trancar a porta.

 

Contornando o trevo, rumo a São Carlos,

um amigo da estrada deu uma buzinada,

e falou para a Nicinha, com educação:

"A porta de trás não está trancada."

 

Tia Maria é um anjo de pessoa,

mas quando ela fuma, cheiro de fumaça eu sinto,

ela foi descer pra acender outro cigarro,

mas esqueceu de destravar o cinto.

 

Estes dois versos seguintes foram escritos pela Nicinha,

enquanto o carro corria veloz pela Anhanguera.

 

"Sou um ser de pura emoção,

acredito no verdadeiro amor e o busco com o coração.

Pensei ter encontrado o meu amorzão,

mas sofri uma grande decepção.

 

Vivemos numa época de desamor e ilusão,

o homem é vaidoso, falso e muito cruel,

é só aparecer uma piriguete,

que ele esquece o seu amor fiel."

 

Com a voz embargada, eu cantei para a Nicinha:

 

Nicinha, meu amor, minha paixão,

eu pisei na bola, perdi a razão,

mas eu te amo do fundo do coração,

e por isso eu peço o seu perdão.

 

Graças a Deus a viagem foi tranquila,

fizemos algumas paradas para o xixizinho.

O motorista e a Nicinha, a navegadora,

erraram só quatro vezes o caminho.

 

Em cima da grande serra Itaqueri,

eu fiquei pasmo e extasiado,

quando vimos passando pelo asfalto,

andando lentamente um belo veado.

 

Devido ao homem, que mata por maldade,

este animal também está sendo dizimado,

eu disse pra Nicinha, e ela disse: "eu também":

"Há mais de 40 anos que eu não via um veado."

 

Ao chegar a São Pedro, à chácara Muniz-Martins,

o latido dos cães nossa chegada anunciou.

Quando a Nicinha pegou o Lula e a Lolita,

ela se arrepiou e riu e ele alegre cantou.

 

Este recanto é lindo e muito tranquilo,

cheguei aqui, almocei e capotei,

a Nicinha deitou do meu lado,

dormi bastante, ronquei e sonhei.

 

(29.12.2012)

 

*

 

O ar de São Pedro é frio e muito gostoso,

o ar de Ituiutaba é seco e muito quente.

Aqui a gente acorda ao som da passarada,

e não tem nenhum barulho estridente.

 

(30.12.2012)

 

* * * * *

 

Na Chácara Muniz-Martins

 

Neste dia, muitos dos que estavam na Chácara Muniz-Martins fizeram versos:

 

Esta chácara é abençoada por Deus,

"Não quero sair daqui", Tia Maria me disse.

E hoje a família recebe a visita,

do primo Milton e sua esposa Elenice.

(Edson)

 

Se eu não estivesse aqui,

certamente estaria num manicômio.

estou com minhas filhas, e também vi,

minha prima, a Maria do Patrimônio.

(Milton)

 

Hoje a noite é de muita alegria,

estamos reunidos, bebendo, jogando e cantando,

numa grande felicidade, que contagia,

para comemorar 2013 que já está chegando.

(Edson)

 

Aqui em casa tem muita gente boa,

e vou aproveitar este belo momento,

para dizer que gosto muito de vocês,

e expressar o meu sentimento.

(Ju)

 

Já estamos em contagem regressiva,

não demora a chegar o Ano Novo.

O Osmar é muito bom de prato,

quando acaba tudo ele ataca até ovo.

(Ju)

 

Depois de amanhã é que vamos embora,

já estou com saudade, mas não posso ficar,

mas já estou aqui matutando:

que dia será que vamos voltar?

(Maria Aparecida)

 

O Túlio Andrade está muito feliz,

aqui na chácara, junto com as priminhas,

mas ele me disse que só vai aqui voltar,

se o Milton lhe trouxer mais pratinhas.

(Edson)

 

Quando assisto a alguma novela,

sempre me lembro do personagem Bimbo.

Nesta casa eu estou muito feliz,

que até vou fumar neste cachimbo.

(Milton)

 

(31.12.2012)

 

* * * * *

 

Os desmemoriados

 

De manhã a Nicinha me levou à Egil,

mas à tarde ela não foi me levar.

Trabalhei muito, pensando em ir embora,

e fiquei esperando a Nicinha vir me buscar.

 

Sentei num degrau, na porta da gráfica,

por dez minutos a Nicinha esperei,

peguei meu celular e na agenda pesquisei,

e para a Tia Fiíca então eu liguei.

 

A Tia não atendeu, eu liguei pra Linéa,

mas disse a ela: "Não é nada, não",

comecei a rir, pois o carro estava comigo

e a chave do carro estava na minha mão.

 

A Odília, a Maria Aparecida e o Oleir

foram ao centro algumas coisas comprar.

Na Brasil Utilidades as duas conversavam,

e foram saindo sem às compras pagar.

 

Entraram noutra loja e o Oleir ficou no carro,

e na volta, passaram pelo carro, conversando.

O Oleir teve que ir atrás delas, e chamá-las,

porque as duas continuavam andando.

 

(4.1.2013)

 

* * * * *

 

Na casa da Oneida e do Nenê Batata

 

Neste sábado a Nicinha e eu,

saímos cedo, passamos pelo Rio da Prata,

em poucas horas chegamos ao Rio Doce,

à casa da Oneida e do Nenê Batata.

 

Fomos recebidos com carinho e alegria,

pelo Nenê Batata e pela Oneida Garcia,

mas o Marquinho ainda dormia.

Vivemos momentos especiais neste dia.

 

Encontramos depois, os primos-sobrinhos:

Sandra Cristina, Flávia, Mateus, Carlinho,

Diogo, Sabriny, Gabriela e Olgaídes,

só bem mais tarde apareceu o Marquinho.

 

Conversamos muito sobre vários assuntos,

e antes do almoço jogamos caxetão.

A Nicinha saiu pra rever alguns amigos,

e no jogo eu fui o grande campeão.

 

Durante o caxetão a Nicinha estressou,

saiu da mesa e ficou falando:

"Desse jeito eu não vou mais jogar,

vi a Flávia e a Gabriela trapaceando."

 

No almoço fui às panelas duas vezes,

comi arroz, feijão, guariroba em salada,

carne de porco e franguinho na panela,

que minha barriga ficou bem arredondada.

 

À tarde visitamos a chácara da Sandra,

onde o Olgaídes trabalhava de pedreiro.

Comemos siriguela vermelha, bem madurinha,

enquanto o Jovem corria atrás dos frangos no terreiro.

 

Obs.: Jovem é o cachorrinho de estimação da Miriam e do Ednaldo, que estava com a Sandra.

 

Lá eu arranquei uma muda de bananeira,

e depois, outra muda de um pé de ata,

com as mudas que a Nicinha ganhou da Ilda e da Oneida,

vamos voltar pra São Pedro levando uma mata.

 

Mais tarde formamos uma mesa de truco,

e bebemos cerveja como se água fosse.

A Nicinha e eu contra o Marquinho e o Olgaídes,

e perdemos para os meninos de Rio Doce.

 

No domingo eu acordei bem cedinho,

abracei a Nicinha e ela me deu um beijo.

Escutamos barulhos lá na cozinha,

era a Madrinha Oneida preparando pão de queijo.

 

Pela janela semiaberta vi passando alguém,

parecendo fantasma, um vulto branquinho,

era a Rejane que chegava de mansinho,

para se encontrar com seu namorado Marquinho.

 

Levantamos e fomos tomar café,

e comer pão de queijo que a Madrinha fez.

Eu comi bastante, tomando chá de canela,

e a Nicinha, hehehe, comeu bem uns seis.

 

O Nenê precisava sair pra linha do leite,

mas queria comer pão de queijo assado.

Enquanto esperávamos, formamos uma dupla:

eu no violão e o Nenê Batata no teclado.

 

A prima Flávia tem a pele bonita,

acho que eu tenho uma explicação:

ela chegou aqui depois das onze horas,

é porque ela gosta muito do seu colchão.

 

(6.1.2013)

 

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