Versos de improviso

feitos por

Edson Angelo Muniz

 

 

 

* * * * *

 

Minhas Férias em 2012

 

O trabalho dignifica o homem,

mas trabalhar demais, nem Deus aguentou,

Ele criou o mundo em apenas seis dias,

mas o sétimo, para descansar, reservou.

 

Gosto muito do trabalho que faço,

com artes gráficas sempre trabalhei,

precisei de férias, então resolvi,

e no dia 4 de outubro viajei.

 

Saí de Ituiutaba às sete horas da manhã,

em poucos minutos, passei pelo Trevão,

virei à direita, rumo a São Pedro,

onde mora a dona do meu coração.

 

As rodovias estão sempre cheias,

mas graças a Deus e a Nossa Senhora,

nada de ruim aconteceu comigo,

se houve acidentes, eu fiquei de fora.

 

Em Jaboticabal parei para abastecer,

e perdi a minha chave de ignição,

saí às pressas do banheiro, e fui procurar,

perto do carro, a chave estava no chão.

 

Em São Carlos, parei novamente,

para comprar água e tomar café,

entrei num bar, lavei o meu rosto,

e os meus óculos caíram no meu pé.

 

O dono do bar é muito gentil,

boa pessoa, humilde e inteligente.

Já na rodovia, tive de voltar ao bar,

pois nos meus óculos faltava uma lente.

 

Passei em Prata, Frutal, Planura,

Barretos, Jaboticabal, Araraquara,

Ibaté, São Carlos e Itirapina,

cheguei a São Pedro ainda com o sol na cara.

 

A Nicinha me esperava na porteira,

veio para o meu lado, toda linda e sorrindo,

um longo beijo logo na chegada,

foi o prenúncio de que o dia seria lindo.

 

O Lula e a Lolita também fizeram festa,

ela assoviava e ele dava gargalhada.

Mas quando eu abracei a Nicinha, e me descuidei,

a Lolita desceu da gaiola e me deu uma bicada.

 

Deus é maravilhoso e sempre nos guia,

fomos à igreja, Padre Inácio foi quem celebrou.

Voltamos pra casa, ouvimos música e conversamos,

fiquei admirado quando um urutau, ao longe, cantou.

 

Ficamos na varanda, ouvindo o canto do urutau,

enquanto jantávamos o que a Nicinha preparou,

a serra, a lua, o carinho... A noite prometia.

Fomos pra cama, onde a paixão reinou.

 

No sábado saí de São Pedro,

em um ônibus da Piracicabana,

com destino a Santo André,

 mas voltei em menos de uma semana.

 

(5.10.2012)

 

* * * * *

 

Casamento: Regina Márcia e Antonio Carlos "Nenê"

 

Eu saí de Ituiutaba, via São Pedro,

pra vir a um casamento em Santo André,

dos primos Antonio Carlos e Regina Márcia,

que se uniram com amor e muita fé.

 

Antonio Carlos é filho de Lázara e Antonio Alves,

ele é o caçula dos seis filhos desta família.

Regina Márcia é a caçula entre seis irmãos,

filhos do Senhor Walter e da Dona Petronília.

 

Há vinte anos que eles vivem juntos,

mas só agora se uniram na igreja.

Que Deus abençoe este belo casal,

e que a felicidade com ele sempre esteja.

 

Na Igreja Nossa Senhora do Carmo,

um patrimônio da nossa nação,

todos nós ficamos emocionados,

mas a Aninha chorou de emoção.

 

Tia Terezinha foi quem conduziu

o Antonio Carlos até o altar,

quantas vezes ela foi mãe do Nenê,

e nesse importante dia não poderia faltar.

 

O Padre é meu conterrâneo,

e ficou feliz no meio de nós,

de repente ele se assustou,

quando em resposta só ouviu a minha voz.

 

O Nenê é um primo muito amigo,

por quem eu tenho muito carinho.

Sua família se completou

com os filhos Júnior e Miguelzinho.

 

Já na festa encontrei muitos parentes:

Dalva, Vinícius, Ednazir, Aninha,

Tia Terezinha, Tia Maria Aparecida,

Dulcemar, Vânia Aparecida e Lucinha.

 

(6.10.2012)

 

*  

 

No domingo fomos convidados,

para um almoço na casa dos recém-casados,

festa animada, muita gente e cantoria,

nem parecia que os noivos estavam cansados.

 

Eu não sei cantar de dois,

mas gosto de uma festa "animá",

em Santo André encontrei um bom parceiro,

estou cantando com o Xará.

 

Dos meus parceiros de cantoria,

um dos que mais me encanta.

conheci na casa dos noivos,

é o Nelson, que tem força na garganta.

 

A cantoria nos contagiou,

e cantar sempre me empolgou,

mas nesta casa a tarde esquentou,

quando o casal, Lidiane e Cristiano, chegou.

 

Eu gosto de ficar sempre enturmado,

e tocar e cantar muito me consola,

o Cristiano até que enfim largou o prato,

e vai assumir a cantoria e a viola.

 

Vou aproveitar esta minha folga,

pra beber cerveja, comer carne assada e tirar foto,

depois, eu, a Ednazir, o Vinícius e a Aninha,

vamos, no carro da Regina Márcia, justificar o nosso voto.

 

Fiquei feliz o domingo inteirinho,

mas uma tristeza me bateu agora,

estou vendo alguém se despedir,

é o Xará que está indo embora.

 

Hoje a emoção está muito grande,

e o Nenê até já me fez chorar.

E agora nós vamos ficar mais tristes,

pois o Robertinho também tem que vazar.

 

O Robertinho, conhecido por "Brasil",

já resolveu: vai ficar bebendo por aqui,

mesmo que ele durma na casa do Pit,

não volta hoje para Jundiaí.

 

O Robertinho, aos quarenta e cinco,

foi ao médico, acompanhado de sua amada,

na hora do toque, ele chamou por vários santos,

mas nem um o livrou de uma dedada.

 

O "Brasil" é um amigo verdadeiro,

do Nenê e da Regina Márcia foi padrinho,

ele é amado pelos seus muitos amigos,

e pela Vilma, que lhe dá muito carinho.

 

O Cícero, filho do José Honório,

é um cara sério, e não é babaca,

mas ele já mexeu com fumo,

pois é natural lá de Arapiraca.

 

O Adevilson tem as mãos calejadas,

é carpinteiro dos bons, e não é um cara mau,

é muito querido pela sua mulher,

mesmo ele mexendo só com pau.

 

A Sandra veio lá de Cáceres,

para o casamento de sua irmã querida.

Ela tira leite das vacas de sua fazenda,

e é muito feliz com essa sua vida.

 

Ela é uma mulher muito séria,

mas neste dia, eu botei sentido,

ela nos contou uma piada pesada,

ficou vermelha, mas foi reflexo do seu vestido.

 

Amigo "Brasil", preste muita atenção,

por este conselho não vou te cobrar nada:

se for dirigir, não beba mais, então,

e se beber não ponha o carro na estrada.

 

O Robertinho vai sair só de madrugada,

pois ele está com a mente cansada,

amanhã, já com a cara lavada,

vai se encontra com a Vilma, sua amada.

 

Cara Vilma, eu vou lhe dizer,

não te conheço, mas já sou seu fã,

o Robertinho bebeu demais,

por isso ele só vai viajar amanhã.

 

O Adevilson ficou reclamando,

que eu não faço versos com o meu nome.

Eu estou aqui, mas fico sempre pensando

na Nicinha, e a saudade me consome.

 

E ele está certo, eu vou atendê-lo,

só porque da noiva ele é irmão,

eu sou um cara muito descuidado,

na porta da igreja perdi um cartão.

 

Pra minha sorte o Adevilson encontrou

meu cartão de crédito e para o Nenê o entregou.

Esse nobre gesto muito me alegrou,

pois de ficar duro ele me salvou.

 

A Fátima, que trabalha para a Regina Márcia,

chegou cedo, abriu a porta e entrou,

se assustou quando me viu sentado à mesa,

e quase correu quando à cozinha ela chegou.

 

Mas ela é muito esforçada e dinâmica,

logo tudo estava limpo e lustroso,

e enquanto eu lia, escrevia e pensava,

ela me trouxe um cafezinho gostoso.

 

(7.10.2012)

 

*

 

Segunda-feira levantei-me bem cedinho,

saí sozinho e caminhei pelo calçadão,

mas confesso, não gostei de Santo André,

tem muita gente, correria e poluição.

 

Mais tarde voltei pra casa do Nenê,

pegando carona com o amigo Claudino,

conversando com ele, fiquei sabendo,

que ele é mineiro lá de Ouro Fino.

 

Ele trabalha na Imobiliária Terraço,

onde é um dos corretores e motorista,

de vez em quando ele também é

faxineiro e ajudante de eletricista.

 

Há muitos anos não ando de trem nem de metrô,

e na terça-feira, logo depois do almoço,

a Dalva e eu fomos à estação rodoviária,

andamos de ônibus, trem e metrô: que alvoroço!

 

Comprei passagem direto para São Pedro,

cheguei à rodoviária uma hora antes da partida.

Deixei Santo André na quarta de manhã,

rumo aos braços da minha amada querida.

 

(10.10.2012)

 

* * * * *

 

Chácara Muniz Martins

 

Em São Pedro, na Chácara Muniz Martins,

vivo momentos de rara beleza,

paz, harmonia, felicidade e amor,

abençoados pela mãe natureza.

 

Ouvindo os pássaros, admirando a serra,

levo a vida que pedi pra Deus.

Recebo carinho das gatas: Mel e Safira,

e dos cães: Chicão, Madox, Eros e Zeus.

 

Até os papagaios: Lula e Lolita,

que se agitavam quando eu chegava,

agora estão, aos poucos, me aceitando,

já peguei a Lolita, que antes só me bicava.

 

Aqui tudo me deixa muito tranquilo,

as árvores, o vento frio e o sol arregalado,

as flores têm mais aroma e brilho,

e assim vou ficando desestressado.

 

Nesta chácara eu nunca estou sozinho,

recebo carinho e toda a atenção

da Ju e do Reiner, da Lu, Osmar e Pedro Henrique,

e da Dona Fiíca, Tia do meu coração.

 

A sabedoria é um dom de Deus,

que com o tempo se aprimora.

Tia Fiíca, uma grande sábia,

é a matriarca desta família que a adora.

 

Minha felicidade, agora, está completa,

pois a Nicinha está do meu lado,

trocamos abraços, beijos e carinhos,

eu a amo e sou por ela muito amado.

 

Agradeço a Deus por tudo que Ele me dá,

pelo dom da vida, da leitura e da poesia,

e por conhecer este recanto adorado,

oásis do amor e de muita magia.

 

(15.10.2012)

 

* * * * *

 

De São Pedro a Ituiutaba

 

A última semana das minhas férias,

foram cinco dias bem gostosos,

cheios de muitas e boas novidades,

até tomei cinco banhos sulforosos.

 

Fomos a um Shoping, em Piracicaba,

comer pizza, conversar e dar risada.

Joguei boliche pela primeira vez,

e fiz um strick na primeira jogada.

 

Parti de São Pedro deixando tristeza,

saí pelas rodovias levando saudade.

Passei por Charqueada, Ipeúna, Rio Claro,

e por Araras, uma linda cidade.

 

Viajei sozinho, tendo Deus por companhia,

entrei na Anhanguera e apertou meu coração.

Passei por Leme, Pirassununga, Porto Ferreira,

e pelo trevo de Luís Antonio e São Simão.

 

Quanto mais eu corria, mais a saudade apertava,

liguei pra Nicinha para amenizar.

Passei por Cravinho e Ribeirão Preto,

em Orlândia eu tive de parar.

 

A velocidade na via Anhanguera,

ia de cem a cento e quarenta.

Quando cheguei a São Joaquim da Barra

o calor aumentou de forma violenta.

 

Liguei o som em músicas sertanejas,

e enquanto as ouvia, eu também cantava.

Passei por Guará, Ituverava, Buritizal.

Vi Aramina e cheguei em Igarapava.

 

Atravessando sobre o Rio Grande,

eu fiquei muito emocionado,

por estar de volta a Minas Gerais,

este meu grande e querido Estado.

 

Passei por Uberaba, Capital do Zebu,

rodando agora pela BR-050,

graças a Deus, cheguei a Uberlândia,

sem correr riscos, mas vermelho igual pimenta.

 

Fui para a casa do Tibastião,

almocei, descansei, mas não dormi.

à noite fomos ao Bar Capricórnios,

do senhor Antonio e da dona Juraci.

 

Neste bar conheci muitos artistas,

que se tornaram meus amigos e companheiros,

todos cantaram e eu declamei,

nesta tradicional roda de violeiros.

 

Antonio e Gonzaga; Rubim e Rosalvo,

Reginaldo e Gil, Luiz e Tomaz,

Trio ASP: Abadio, Sebastião e Pedro,

Antonio e Pinduca, que nossa alegria faz.

 

No sábado fui almoçar com a Stfana,

minha prima e afilhada do coração,

junto com Vilson, Stéfane e Shelyta Loredana,

passei muitas horas de alegria e emoção.

 

Fui me encontrar com meu irmão Wanderlei,

no Bairro Luizote, no seu salão de barbeiro,

encontrei-me com a Cida e meus afilhados,

fiquei feliz por rever meus companheiros.

 

O Wanderlei contou-me as novidades,

e sobre a política ele me segredou:

"Apoiei um candidato a prefeito,

é o Gilmar Machado, que em Uberlândia ganhou."

 

O Wanderlei corta meu cabelo há muitos anos,

e ele é um barbeiro tarimbado.

Em 32 anos de profissão,

corta também o cabelo do Gilmar Machado.

 

Gilmar Machado é um homem sério e competente,

não o conheço, mas já ouvi falar,

em sua gestão "o que está bom vai continuar,

e o que não está bom, vai melhorar."

 

À noite, depois das 22 horas,

recebi um convite que alegre fiquei,

pra ir passar o fim de semana,

no rancho Buenos da Cida e do Wanderlei.

 

Neste rancho a a felicidade não se acaba,

cantamos e bebemos, foi só alegria.

Saí no domingo à tarde, rumo a Ituiutaba,

e cheguei bem, graças à Virgem Maria.

 

(19.10.2012)

 

* * * * *

 

Aniversário do Rubão

 

Hoje eu estou na casa da prima Leila,

filha da Tia Maria Abadia e do Tio João,

mas eu não vim aqui à toa,

vim cantar parabéns para o Rubão.

 

O Rubão é pau pra toda obra,

mas eu falo disso depois.

Ele tem experiência de sobra,

pois ele hoje só fez seis ponto dois.

 

Esse amigo, que cativa a todos nós,

gosta de uma pinguinha, desde menino.

Ele nasceu na Fazenda do Barreiro,

filho da Luiza Nazareth e do Antonio Justino.

 

O Rubão é um moreno careca,

tem um bigode digno de se filmar.

mas todo dia ele corre de suas noras,

porque o bigode dele elas querem cortar.

 

(31.10.2012)

 

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