Versos de improviso

feitos por

Edson Angelo Muniz

 

 

 

* * * * *

 

Seresta Muniz em Ituiutaba

 

A cada sábado faço uma coisa diferente,

trabalho pouco, e depois saio da rotina.

Hoje me levantei bem cedo e fui para o batente,

mas pensando no almoço na casa da Tia Doracina.

 

Ao meio dia a prima Dulce me ligou,

confirmando se eu iria mesmo, almoçar.

Eu disse a ela: "Ainda estou na Egil,

mas já vou subir, é só o computador desligar."

 

Antes do almoço tomamos uma cerveja,

acompanhada de um gostoso frango assado,

cortesia do primo Ronie Muniz de Lima.

E ouvindo algumas músicas do passado.

 

Depois do almoço fomos pra casa do Tio Zé Duca,

onde nos encontramos com a Nívea, o Volninho,

a Irla, Beatriz, Bárbara, Amanda e Ana Carla,

Neide, Gláucia, Criôla, Duda, Maria e Nelsinho.

 

Não demorou muito, pequei meu violão,

e comecei tocar e a cantar moda sertaneja,

e a Seresta Muniz em Ituiutaba,

foi até tarde, com muita alegria e cerveja.

 

Fiz uma pausa e saí um pouquinho,

pra ir buscar minhas duas irmãs queridas,

a Ednair e a Ednazir se juntaram a nós,

e foi só alegrias, esquecendo as feridas.

 

Eu gosto muito de tocar violão e de cantar,

e quando isso acontece, eu não canto pouco,

e se não tiver ninguém para me atrapalhar,

chega dói os meus dedos e eu fico rouco.

 

Caros primos foi um prazer estar com vocês,

cantando, sorrindo e bebendo cerveja gelada,

mas estou cansado, tenho que ir embora,

pois hoje eu acordei às quatro da madrugada.

 

Primo Nelsinho, já fazia muito tempo,

que eu não me encontrava com você,

foi um prazer revê-lo e estar aqui, cantando,

e saiba que eu nunca cobro cachê.

 

(13.7.2013)

 

* * * * *

 

Passeio inesquecível

No sábado, após o almoço, eu e a Nicinha,
seguimos de carro para o Barreiro do Valadão,
mas antes passamos pela Fazenda Mateirinha,
onde vivemos momentos de grande emoção.

Fizemos parada na fazenda do finado Jó,
e conhecemos a sua mulher: Dona Dorcelina.
Era o Jó que atravessa todos, de canoa, pelo rio;
onde a Nicinha perdeu um anel, quando menina.

Naquela casa comemos um gostoso pão de queijo,
que no forno do fogão a lenha foi assado.
Tiramos fotos da Dona Dorcelina e do fogão,
e seguimos nossa rota, por um matinho fechado.

Em pouco tempo chegamos ao nosso destino,
e da porteira o Rio da Prata a gente via.
Nesta fazenda moram dois primos da Nicinha:

O Vadico e seu irmão, João Divino Garcia.

Passamos a porteira e caminhamos de mãos dadas.
A Marrom* e o Vadico vieram nos receber.
Entramos na casa, onde o João Divino estava,
a quem eu tive o prazer de conhecer.


* Marrom é uma cachorrinha.

As conversas giraram em torno dos familiares,
e todos nós falávamos e ouvíamos com atenção.
Em pouco tempo fiquei sabendo que o Vadico
também gosta de cantar e de tocar violão.

Fui ao carro e busquei o meu inseparável violão,
e o Vadico e eu formamos uma dupla improvisada,
cantamos várias músicas sertanejas, sem repetir,
bebendo, nos intervalos, uma cervejinha gelada.

De repente as angolas cacarejaram,
Fazendo um alarde, dentro de um buraco.
Pareceu-me que elas estavam nos vaiando:
“Tá fraco, tá fraco, tá fraco, tá fraco...”

Dois cachorrinhos, filhos da Marrom,
Brigaram feio, entre irmãos isso é comum.
Mais tarde, quando as galinhas empoleiraram,
apareceu no terreiro um garboso mutum.

A Nicinha e eu caminhamos até o rio,
e molhamos as mãos e o rosto naquela água abençoada.

O grande Rio da Prata faz parte da nossa história,
Pois nossas famílias, às suas margens, já fizeram morada.

Os dois irmãos nos convidaram pra jantar,
e o Vadico disse que iria um franguinho matar,
mas a Nicinha é que iria para o fogão.
Então eu disse: “Se jantarmos, vamos ter que pernoitar.”

E assim a Nicinha fez um franguinho na panela,
que comemos com arroz branco e um gostoso feijão,
depois fomos pra sala, assistir um DVD,
com um belo show do Sanfoneiro Tostão.

Bateu o cansaço, fomos pra cama bem cedo,
mas os três primos não paravam de conversar.
Dormi um pouco, e eles ficaram contando histórias,
Mas acordei assustado, ouvindo o João rir sem parar.

O João contou a história de um fordinho,
que o motorista, Delico, na subida não engatou,
o caminhão voltou com tudo, morro abaixo,
e só parou numa velha porteira,que se arrebentou.

O Vadico contou casos das viagens que ele ia
para o Mato Grosso, na casa do primo Alaor,
foram viagens longas, divertidas, mas sofridas,
numa delas o caminhão do Laerte fundiu o motor.

E assim passamos várias horas de muita alegria,
em que a tristeza bateu em retirada.
Rimos tanto, que meu queixo ficou doendo,

e essa algazarra foi até de madrugada.

Dormimos um pouco, mas logo se fez dia,
pela fresta da porta o Sol mostrou o seu brilho;
nos levantamos e a minha amada Nicinha,
fez o café e fritou biscoitos de polvilho.

Depois do desjejum, fizemos a despedida,
e então partimos para a Fazenda Barreiro,
lá encontramos o Tio Antenor Rosado,
sentado no banco, sem nenhum companheiro.

Logo seguimos pra casa da Leonarda,
e levamos junto o querido Tio Antenor,
lá almoçamos e conhecemos novos amigos,
e o nosso domingo também foi um esplendor.

A Nicinha já havia me lembrado,
que naquele dia a Odília aniversariava,
então fiz o verso abaixo, e ligamos pra ela:
enquanto eu cantava, em Conceição, a Odília chorava.

Na casa da Leonarda e do saudoso Zé Grosso,
almoçamos hoje, e aqui reina a alegria.
Vamos cantar com grande emoção,
parabéns para a Odília Garcia.

Ali estavam: Leonarda, Tio Antenor, Carlinho,
Vanderli e Cida, Pedro Henrique e Letícia,
Valdeci e Valdenice, Cida e Luzimar, Edson e Nicinha,

e concordamos que o almoço estava uma delícia.

A Nicinha, que é sempre muito moderada
E come pouco — digo isso, pois conheço ela —,
neste dia exagerou um pouquinho,
pois ela foi duas vezes à panela.

Na primeira vez a Nicinha procurou,
mas não achou asa nem pé nem moela.
Depois ficamos sabendo que a Valdenice
Havia tirado a moela para a sogra dela.

Mas a Leonarda, que estava ao meu lado,
Disse: “Eu não comi a moela, não!”
Descobrimos então que a Valdenice,
Pegou foi pra ela este pedaço “bão”.

Como diz o ditado: “Barriga cheia, pé na areia”,
nos despedimos e fomos visitar outros parentes.
Fizemos uma visita rápida ao Sítio do Toinzico,
mas mesmo assim ficamos muito contentes.

Graças a Deus, chegamos bem em nossa casa,
e fomos recebidos, com festa, pela Pitucha*.
Cansados mais felizes, fomos descansar,
mas, é claro, depois de uma gostosa ducha.


* Pitucha é uma cadela de rua. A Nicinha e eu a adotamos, e ela já está morando em nossa casa.

 

(17.8.2013)

 

* * * * *

 

Nicinha

Na adolescência eu conheci

uma linda garota e me apaixonei,

nós crescemos, e eu não a esqueci.

Ele casou com outro, com outra me casei.

 

Quarenta e dois anos depois

nos encontramos e o amor ressurgiu,

a alegria tomou conta de nós dois,

e do meu lado ela não mais saiu.

 

Aquela menina continua linda,

ela também me ama, pra felicidade minha.

Eu não disse o nome dela ainda:

é a minha querida prima, Nicinha.

 

Ela é a filha caçula da Fiíca e do Eurípedes,

é a neta caçula da Vovó Bosa,

tem nas veias sangue Garcia-Muniz,

por isso é brava, meiga e carinhosa.

 

De seu ventre nasceram três filhinhos,

que são tesouros de grande valor:

Luciana, Fernando e Juliane,

e os educou com garra e muito amor.

 

A Nicinha é uma avó-coruja,

pois tem quatro netos, que a fazem feliz:

o Pedro Henrique, a Maria Eduarda e o Heitor,

e não demora nasce a Bárbara Martins Muniz.

 

(5.10.2013)

 

* * * * *

 

Visita à Pri e ao Heitor

No sábado saímos de Ituiutaba,

e fomos pra rodovia, enfrentando o calor,

Tia Fiíca, Nicinha e eu fomos a Goiânia,

pra visitar a Pri e seu filho Heitor.

 

O Heitor está pesado e bem-criado,

não demora ele estará engatinhando,

ele é muito calmo e gosta de brincar,

dificilmente ele fica chorando.

 

Peguei o menino Heitor e o pus no colo,

e fiquei brincando com ele, e lhe dando beijinhos,

cheguei a cabeça perto dele e disse: "bate a cabeça",

ele bateu a cabeça na minha, fechando os olhinhos.

 

Após o almoço fomos todos passear,

no Parque do Areião ficamos pouco tempo,

e na entrada para o Carrefour,

enfrentamos um grande engarrafamento.

 

(9.11.2013)

 

No domingo levantamos bem cedo,

pra ir a uma feira que é famosa aqui,

a Nicinha e eu, lá no Setor Pedro Ludovico,

compramos um frango caipira e um litro de pequi.

 

Numa das bancas que vendia pequi,

tinha uns frutos podres, feios demais.

O poeta escreveu e acertou em cheio,

pois já acabou os pequis de Goiás...

 

Voltando pra casa da Pri e do Fernando,

viemos pelo mesmo caminho da ida,

mas virei errado num dos semáforos,

e fomos parar num beco sem saída.

 

Nossa visita foi muito prazerosa,

o Heitor e a Pri ficaram muito contentes.

Viemos embora no domingo à tarde,

também felizes, saímos sorridentes.

 

(10.11.2013)

 

 

* * * * *

 

De volta ao Barreiro

Sábado à tarde deu-me um grande preguiça,

tirei um cochilo logo depois de almoçar.

Depois liguei para o Zé Carlos, querendo jogar truco,

e ele me disse: "Venha para o Barreiro jogar..."

 

Já passava das quatorze horas,

mesmo assim chamei a Nicinha, minha doce amada,

em poucos minutos chegamos ao Barreiro,

levando a Tia Fiíca, minha tia-avó-sogra adorada.

 

Lá já estavam com uma mesa de truco formada,

e o Zé Carlos acendendo a churrasqueira,

depois dos cumprimentos e dos abraços,

jogamos três quedas: ganhamos duas e perdemos a derradeira.

 

Numa jogada a prima Edna fez a primeira,

e tornou um dois, contando potoca,

a Nicinha fez a do meio com um três,

e gritou: "Agora é 'turno na troca'!"

 

Obs.: Ela querida dizer: "Agora é 'truco a torna'!",

mas num ato falho do cérebro...

 

Saímos de carro com destino à Leonarda,

na arreia da estrada vimos um nhambu chitão,

mais à frente, perto de um mata-burro,

a Nicinha sentiu um aperto no coração.

 

É que avistamos um lindo cachorrinho,

perto de uma poça d'água, abandonado na estrada,

ele não andava, estava triste e sozinho,

e parecia estar com uma pata quebrada.

 

Ficamos na Fazenda muito pouco tempo,

e voltamos pelo mesmo caminho,

a Nicinha veio com a intenção,

de ajudar aquele pobre cachorrinho.

 

Mas não o avistamos e seguimos  em frente,

a Nicinha muito triste, com dor no coração,

ela pediu pro Zé Carlos um pedaço de carne,

e voltou à estrada, para alimentar o cão.

 

Ela o encontrou e ele veio para o seu lado,

mas quando a Nicinha foi lhe dar a comida,

o cachorrinho, com gana, de tanta fome,

abocanhou a carne mas fez na mão dela uma ferida.

 

Mesmo assim, esta protetora dos animais,

pegou e pôs no carro esse pobre bichinho,

e me disse que ia trazê-lo para casa,

para cuidar dele com muito amor e carinho.

 

(23.11.2013)

 

* * * * *

 

Aniversários do Edilson e da Ednazir

No domingo, bem de manhãzinha,

levantamos e tomamos café para sair,

depois de visitarmos a Santa, o Tio Zé Duca e a Tia Doracina,

fomos almoçar com a mana Ednazir.

 

A Ednazir, a caçula dos meus irmãos,

hoje ela fica mais experiente,

a sua casa está repleta de alegria,

e a mana está feliz, linda e sorri muito contente.

 

No dia 20 deste mesmo mês,

nosso irmão Edilson mais velho ficou,

por isso hoje estamos aqui reunidos,

cantando, bebendo e comendo da carne que ele assou.

 

Estão aqui: o Vinícius, a Ednazir e o Edilson,

a Raissa, a Francielle, o Francis e a Rosa,

o Sô Pedro, a Ednair, a Nicinha e eu,

o Fausto, a Cida, e o Luiz Marceneiro, muito prosa.

 

Depois que cantamos os parabéns aos dois,

Marisa, Aline, Elisangela e Ana Paula chegaram.

Formamos uma mesa de truco, jogando a Nicinha e eu,

contra a Ana Paula e o Francis, mas logo eles apanharam.

 

Depois sentaram o Luiz e o Edilson,

mas não teve jeito, eles perderam também,

a Ana Paula voltou com a Elisangela de parceira:

mas a Nicinha e eu não demos chance pra ninguém.

 

(24.11.2013)

 

 

Bárbara

Foi no ano de dois mil e quatorze,

vinte e sete foi o grande dia,

em que veio à Luz uma linda menina,

filha do Reiner Martins e da Juliane Garcia.

 

E o nosso  mundo ficou mais bonito,

quando a menina Bárbara nasceu,

ela é um presente bendito,

que o Criador nos concedeu.

 

Nasceu grande e forte esta menina,

para a alegria do pai e da mãe querida,

e já no dia do seu nascimento,

mostrou seus olhos cheios de vida.

 

A Bárbara mora no pé da serra,

com os seus pais e a sua avó, Nicinha,

tem o carinho do vovô Edson e da bisa Fiíca,

e a cada dia ela fica mais espertinha.

 

Aos quatro meses lhe nasceram dois dentinhos,

aos seis, tomava suco e comia frutas e sopinha.

Ela recebe amor e atenção de todos nós,

principalmente da Ju, sua mamãezinha.

 

(3.9.2014)

 

* * * * *

 

Juliane

 

A Juliane viajou pra Ilha Solteira,

com a Bárbara e o Reiner, "curtindo à beça",

ela que hoje completa mais um ano de vida,

está distante mas quer voltar depressa.

 

E nós que ficamos aqui na serra,

com saudades pra chuchu,

com um friozinho de dez graus,

vamos cantar para a querida Ju.

 

(6.9.2014)

 

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