SÃO  JOSÉ  DO  TIJUCO

VILLA  PLATINA

ITUIUTABA

 

 

PADRE MÁRIO JACÓ CHUDZIK

 

Pe Mário nasceu no dia 29 de fevereiro de 1920 (há quem diga que foi em 25.7.1918), na cidade de Detroit, no Estado de Michigan, nos Estados Unidos da América do Norte. Filho de Jacó Chudzik e de Josefa Chudzik (ou Josefina Sanowieska), Pe. Mário veio para o Brasil ainda pequeno, em 1925. Doze anos mais tarde, garoto agitado e alegre, veio a "Santa Cruz Colégio" Rio Claro, SP para se tornar um sacerdote. Algum tempo depois entrou para o Seminário Estigmatino, em Rio Claro, SP, concluindo seus estudos no Seminário Estigmatino de Ribeirão Preto, SP. Em 22 de julho de 1945, foi ordenado Sacerdote, no Santuário Nacional de Nossa Senhora de Aparecida, na cidade de mesmo nome. Sua primeira missa foi celebrada em São Caetano do Sul, SP, no dia 25 de julho de 1945.

Em 1946, Pe. Mário veio para Ituiutaba, de onde nunca mais saiu. Aqui foi cooperador da paróquia, hoje Catedral de São José. Ajudou a construir os Colégios Santa Teresa e São José, onde foi Professor de Matemática e Física, Vice-Diretor e Diretor. No Colégio São José, célebre estabelecimento de ensino, educou e instruiu centenas e centenas de ituiutabanos — o escritor Edson Angelo Muniz, idealizador deste site, foi seu aluno neste colégio, no ano de 1968.

Sacerdote do Senhor, homem vivido e sofrido, Pe. Mário conhecia a vida de cor. sua simplicidade e suas lições de viver eram extremamente preciosas e importantes para seus amigos paroquianos. Seu provérbio preferido era: "Nem tudo que reluz é ouro". Precaver-se contra o falso brilho das coisas e contra as aparências enganosas das pessoas era uma de suas lições.

Envergando a sua tradicional batina preta, Pe. Mário era pessoa muito conhecida em nossa cidade. Simples, afável, amigo de todos, era daqueles sacerdotes que se distinguem por ser amigo de sua comunidade. Em suas horas de descanso e lazer, que eram poucas, Pe. Mário gostava de trabalhar em eletrônica.

A história de Pe. Mário estava estreitamente ligada ao "Colégio São José", que adorava a escola visceralmente. No entanto, mesmo quando ele teve que deixar a atividade educacional, não perdeu o zelo apostólico. Dedicou-se intensamente ao trabalho pastoral como pároco na paróquia de Nossa Senhora d'Abadia e, depois, como pastor na Paróquia São Francisco de Assis, ainda Ituiutaba, sempre incansável e diligente em visitar os doentes e recebendo as pessoas. Ele fez muitos amigos na escola e paróquia. Foi um exemplo de vida missionária em humildade e vontade Estigmatina ministerial, no desapego das coisas materiais e no amor à congregação.

Mesmo acometido de grave doença, Pe. Mário sempre estava presente às missas, na Paróquia de São Francisco de Assis, chegando mesmo a celebrar algumas. Ele faleceu no dia 7 de outubro de 1999, em Uberaba, MG, deixando saudades em todos os seus paroquianos e em todos os ituiutabanos.

 

Pe. Lino José Correr, também de saudosa memória, em seu livro "Epopéia", escreveu o seguinte: "Pe. Mário Jacób Chudzik, foi o estigmatino que mais anos (53 anos) trabalhou em Ituiutaba, como mestre no Colégio São José, seu diretor por anos seguidos, e sobretudo indefesso batalhador na construção do mesmo Colégio. Foi também quem terminou a construção da Matriz de São Francisco e seu 2.º pároco." (sic)

 

Depoimento de autor desconhecido: "Volto com a mente lá longe, nos idos de 1932. Recém-chegado do meu saudoso sítio de Piracicaba-SP e entrando no Colégio Santa Cruz de Rio Claro, SP, onde reboava estridente o grito da meninada, novatos uns e outros já mais traquejados, atraiu-me a atenção o jeito de um meninote irrequieto e trêfego, que gritava e corria. Seu nome: Mário Jacob Chudzik, seminarista havia já um ano. Daí por diante sempre o tive como colega e juntos passamos a viver as mesmas preocupações, ambos dominados por um ideal: ser padre. Assim cursamos o período ginasial. Ele era um tanto duro de inteligência, por isso repetiu ano duas  vezes. Mas... Que vontade férrea e que disposição à luta pelo ideal! Nunca se revoltou, jamais desanimou. Lutou e se aplicou firme. Assim foi o curso ginasial, assim foi o segundo grau, foi assim ainda o curso de filosofia, que era estudada e recitada em latim; assim também o curso e teologia, sempre aplicado e decidido, apesar de todas as dificuldades enfrentadas, porque o que queria era ser padre. E ficou padre exatamente no dia 22 de julho de 1945, na basílica nacional de Aparecida, SP. Era chegado, afinal, o dia ansiosamente suspirado: ser padre... Pe. Mário, aos trancos e barrancos, mas afinal, Pe. Mário. E que Padre! Quem conviveu com ele pode dizê-lo. Um dia seu coração foi machucado seriamente, pois, um seu confrade, sabendo que Pe. Mário devia ser seu colaborador numa atividade, que lhe fora designada, disse: “Mário não quero.” E deu, como justificativa que ele não estava intelectualmente apto para aquela tarefa. Ele sofreu, com isso, mas, como sempre, em completo silêncio amargoso, muito embora. Chegada finalmente a data sonhada de tantos anos, recebe, pela frente, a tarefa a cumprir como padre. Corria o ano de 1946 e a obediência o chama, encaminhando-o para a longínqua região do Triângulo Mineiro, precisamente para Ituiutaba, MG. Aqui chegou e aqui ficou o resto de anos que sobravam de vida, atingindo a provecta idade de 81 anos; sempre aqui; sempre a serviço de Ituiutaba, sempre em função da educação da juventude, no “seu” Colégio São José, que amava visceralmente. E foi justamente aqui, nessa tarefa sublime da educação, que se revelou a beleza dessa alma de escol. Foi aqui que ele manifestou o poder de sua vontade férrea de vencer. Ele que alguém poderia julgar como homem de um só talento, se projetou no cenário social, não só como exímio educador, mas também como mestre capacitado e deslumbrante na sua especialidade, que eram a ciência química, a matemática e eletrônica. E, com que satisfação ele se referia aos que foram seus alunos, e hoje ocupam posições de influência na esfera social. Afinal, quem desejasse ter uma ideia da pessoa do Pe. Mário tem que conhecer a vida do Colégio São José, desde a sua construção, que, em tudo, dependeu dele, até a estafante, quanto gloriosa atividade de professor dedicado e solerte. E ninguém pense que Pe. Mário foi só isso. Como padre, seu zelo nunca conheceu descanso. A Paróquia de São Francisco de Assis que o diga; que as Comunidades rurais de São Lourenço o digam. E isso para nós referirmos só aos  seus últimos anos de atividade ministerial. Mas ainda não é tudo. Pe. Mário foi também religioso exemplar, obediente, piedoso e, sobretudo humilde, muito humilde. Resta dizer, que, estes largos traços não contam seus dotes e habilidades educativas e a esperteza em descobrir certos defeitos em motores, aparelhos eletrônicos e máquinas, que punham à prova a capacidade de peritos em tais assuntos. Concluindo, quero ressaltar, que, nesse breve escorço analítico do pranteado amigo, só me prendeu o desejo de fazer público meu apreço por sua pessoa. E agora neste Amém, expresso a íntima convicção de sabê-lo na Glória do Pai."

 

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Fonte deste depoimento: www.estigmatinos.com.br

 

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Página atualizada em 9 de maio de 2012.

 

 

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