SÃO  JOSÉ  DO  TIJUCO

VILLA  PLATINA

ITUIUTABA

 


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            "In principio"... Quem contempla o horizonte da banda do planalto que, em bissetriz, divide o território do Triângulo Mineiro, tem a impressão de que a seus pés se amanta, a perder de vista, nas curvas distantes, uma como extensa planície marinha, encapsulada na convexidade de um céu azul e diáfano. Quem, da mesa dos últimos morros da serra de São Vicente, uma das digitações em que o grande planalto se bifurca, ao desaparecer no Paranaíba, lá para as bandas do arraial de São José do Tijuco, admira o cenário de tonalidades verdes, azuis e violáceas, tem a impressão de ter à frente uma ampla enseada.
            No fantástico ancoradouro, parece, deitaram ferros, por artes de ilusionismo, ameaçadoras belonaves, cujos costados cor de chumbo, pela distância, lembram construções de aço. A esses dois morros azuis, que ancoram ao largo, Pilões e Pouso Alegre, fantasiam-se, espontaneamente, mastros ou torres, aos quais se prende o alambrado das cordas, tomando eles o aspecto solene de cruzadores, cortejados por outras unidades menores, os morros Baú e Bauzinho, fundeados mais longe. Esta impressão do conjunto se concretiza, à certeza de que aquela planície não é, nem será, mas já foi um largo ou um mar, a cuja margem ou em cujo seio se processou importante função telúrica e continental.
            Observando-se a estrutura geológica da região, fica esclarecido que aquele regime lacustre ou marinho participou do "mare internum", que os estudos e explorações do geólogo Guilherme Milward constataram haver abarcado vasta extensão do centro do país, compreendendo a bacia média e superior do Paraná, em era pré-histórica.

            No término do chapadão que tomou o nome de serra de São Vicente, quando ele se fragmenta nos morrotes derradeiros do sistema, atravessados pela torrente do rio Paranaíba, existia um lugarejo que, ao tempo desta história era apenas uma embrionária possibilidade do futuro.
            À margem de um pequeno arroio que vinha diretamente da serra, ele se pontoava de míseras cabanas, dispostas em incertos arruamentos.
            Ali, não imperava ainda o estetismo retilíneo das plantas cadastrais, mas as toscas habitações se alinhavam ao longo de sinuoso rego d’água, derivado da vertente próxima.
            A igrejinha, não ornada, ainda, de torres, descansava no dorso do espigão, comprimido pelos córregos Sujo e Pirapetinga, que se precipitavam a confluir, antes de alcançarem o rio Tijuco.
As igrejas primitivas do sertão não comportavam, pela pequenez e pela fragilidade da estrutura, que dentro se inumassem os mortos, mas, em torno delas, se dispunham os montículos terrosos das covas, em cujas entranhas se guardavam os despojos humanos. Ainda se via, em frente à porta principal a dupla carneira de pedra, depositária dos restos mortais dos doadores do patrimônio local.
            Ali pelo ano de 1820, começaram a chegar posseiros, provindos das Gerais e, no demarcarem as respectivas sesmarias, reservaram a lombada, entre os citados córregos, para nela se edificar um povoado, sob a invocação de São José. A doação primitiva foi efetuada por dois nomes genearcas do lugar, Joaquim Antônio de Morais e José da Silva Ramos. A primeira localização do povoado foi à margem do córrego Sujo, onde o padre Antônio Dias de Gouveia construiu a primeira capela. Foi nomeado capelão o padre Sousa Fleury, sucedido pelos padres Serafim e Fortunato Alves Pedrosa de Resende.
            Os próprios capelães promoveram a remoção da capela para a situação do templo atual, ao meio do espigão. O povoado deslocou-se, também para a margem do córrego Pirapetinga, tomando a rancharia o alinhamento do rego, principalmente em 1862, quando se edificou a matriz coberta de telhas.
Em 1867, ocorreu a elevação a paróquia e, algum tempo depois, foi nomeado vigário o padre Balanzuela Lira, seguido, em 1880, pelo padre Tristão Carneiro de Mendonça. Grande acontecimento para a vida do lugarejo foi a nomeação, em 1883, do vigário padre Ângelo Tardio Bruno que alinhou os arruamentos da povoação e imprimiu-lhe, com o seu entusiasmo, durante mais de 30 anos, a vontade de progredir.
            Nos primeiros tempos, a região era habitada por numerosas hordas de índios caiapós, cuja freqüência ainda hoje se testifica com os depósitos de cerâmica característica, em vários pontos, onde se localizavam os aldeamentos. Os brancos e, em geral, todos os que participavam das turmas adventícias, eram compelidos a se agruparem para a defesa comum. Assim, o lugarejo se esboçou e, entre espessa vegetação arbustiva do fedegosal, surgiu o provisório rosário da rancharia, coberta de folhas de buriti.
            Ao tempo desta história, pouco se havia modificado a conformação do arraial e pouquíssimas seriam as habitações cobertas de telhas.
            Quanto à topografia, o lugarejo se assentava em lugar sabiamente escolhido, circundado por lindas campinas. Localizado no declive do espigão, entre os córregos Sujo e Pirapetinga, não lograva vista para a serra mas, para além do rio Tijuco, distante três quilômetros, se descerrava o amplíssimo cenário do vale do Paranaíba, onde se localizam os majestosos baús.
            Tudo, desenhado em linhas amplas e suaves, sem a angústia das serranias e gargantas, sob um céu circular.
História, não se sabe se o corculoso arraial a possuía. Tinha-a, talvez, no anonimato das sociedades primitivas que se aglutinavam para os atos das afirmações civilizadoras. Tinha-a, como todos os grupos humanos que se colocaram no coração do país.
            A bela realização que é hoje Ituiutaba, o minúsculo povoado de São José, de um século atrás, detentora, no Brasil, da prioridade na produção do milho e, em Minas, na maior expressão numeral de gado, tem seus fundamentos nesse punhado de aventureiros e suas gerações que, no espaço de pouco mais de um século, ali se radicaram no solo, áspero e inculto, lutando, enobrecendo a terra.

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Texto extraído do livro "Caiapônia", de Camilo Chaves, 3.a edição, Egil, 1998.
 

 

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Ituiutaba se localiza no Estado de Minas Gerais, numa região que já recebeu vários nomes: "Sertão do Novo Sul", "Sertão Grande", "Sertão do Sul", "Geral Grande" e "Sertão da Farinha Podre"*. A partir de 1884 é que ficou conhecida como Triângulo Mineiro, denominação idealizada pelo Dr. Raymond EnricDes Gennetes, médico francês, jornalista e político, radicado em Uberaba, Minas Gerais, por saber que a região situada entre o Rio Grande e o Rio Paranaíba, terminava na junção dos dois rios, formando o Rio Paraná, nas divisas de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás, apresentava a forma aproximada de um enorme triângulo agudo.

Os legítimos donos das terras eram os índios Caiapós (do grupo JÊ ou TAPUIA), cuja presença na região é comprovada com os depósitos de cerâmica característica, nos pontos onde se localizavam os aldeamentos. Os primeiro posseiros, os desbravadores deste sertão, aqui chegaram no início do século XIX, provindos das gerais e na boca destes primeiros entrantes, a região ficou denominada de "Campanhas do Tijuco" (Campanha significando Campo ou Sertão). E ao demarcarem as suas terras, reservaram a lombada, onde deram início a um lugarejo, entre os córregos "Sujo" (Ribeirão São José) e "Pirapitinga".

O ano de 1820 é a primeira data da história de Ituiutaba, registrada por Cônego Ângelo, no livro "Tombo da Matriz de São José", onde cita a doação do patrimônio desta igreja por dois fiéis: Joaquim Antônio de Morais e José da Silva Ramos.

 

 

Vista de São José do Tijuco, no século XIX
(Foto extraída do Livro "A Loja do Osório", de Petrônio Rodrigues Chaves)

 

No canto superior direito, a Igreja do século XIX.
À esquerda, perto da árvore, a Casa de Neco Vilela (esq. Av. 7 c/ Rua 20),
depois a casinha onde funcionou a Farmácia do Xanico,
e a seu lado a residência de Joaquim Carvalho.
A casa maior, à esquerda, ficava no local onde hoje
funciona a Cultura Inglesa (na Avenida 9, esquina com a Rua 20).
No centro, um quintal típico da época, cercado de
pranchas de aroeira; e abaixo, um galpão, coberto com telhas comuns,

sob o qual um homem, de costas, trabalha. Parece ser uma serraria.

 

 

Até 1830, o lugarejo, ainda sem nome, era "pouco mais de uma dúzia de ranchos de capim", espalhados pelo cerrado.

Em 1832, Padre Antônio Dias de Gouveia — que nasceu na região de Lavras, em 6 de agosto de 1790 e faleceu em 1863 —, ergueu a primeira Capela da Comunidade, junto de um olho d'água, na margem esquerda do Córrego Sujo (Ribeirão São José), acima do antigo matadouro municipal (Rua 26 entre as avenidas 5 e 7), e fundou o "Arraial de São José do Tijuco".

Em 1833, Padre Francisco de Sales de Sousa Fleury assumiu a capelania de São José. Neste mesmo ano foi criado o Distrito de Paz de São José do Tijuco, sendo eleito Manoel Tomaz Garcia como seu primeiro Juiz de Paz.

Em 1839 o arraial passou a chamar-se "Capela de São José do Tijuco". Logo depois, no mesmo ano, "Freguesia de São José do Tijuco" e, posteriormente, em 13 de março de 1839 (há documentos que registra 1836), pela lei mineiro número 125, o Arraial de São José do Tijuco foi elevado à categoria de "Distrito de São José do Tijuco", pertencente ao Termo de Vila de Uberaba, em razão da doação acima citada e de uma posterior doação de terras na Fazenda do Carmo, pelo abnegado posseiro José Lemos Pereira dos Santos, em benefício do novel Distrito.

Em 1839, estava concluída a segunda Capela de São José. E foi à sua volta que o povoado começou a se expandir. As palhoças eram construídas desordenadamente, aqui e ali, desde as margens do Córrego Sujo, até atingir o alto do espigão onde foi construída a capela. De momento para outro, houve a transferência do vilarejo para a margem direita do Córrego Pirapitinga, por ser a água deste córrego mais limpa e melhor para a serventia. As primeiras casas foram levantadas com esteios de aroeira e cobertas de telhas comuns.

Em 27 de abril de 1854 (Lei n.º 668) foi instalada a Vila do Prata do Imperador e a região de São José do Tijuco passou a fazer parte da nova Vila.

Em 1862, foi edificada a Matriz de São José coberta de telhas. (Clique aqui e veja fotos e um breve histórico desta igreja.)

Em 7 de novembro de 1866, freguesia pela segunda vez, o Distrito recebeu, em definitivo, o nome de "São José do Tijuco" (Lei n.º 1360).

Até 1870, o panorama urbanístico de São José do Tijuco, foi caótico. Era uma corrutela com sete casas cobertas de telhas e choupanas de sapé construídas desordenadamente.

Em 1875, um rego-d'água foi rasgado entre os quarteirões da Rua 18 (Rua do Comércio) e da Rua 20, até a Avenida 7, desaguando no Córrego Pirapitinga, para abastecer o povoado com água vinda da Lagoa do Neca  local onde, por muitos anos, funcionou o Hospital Santa Cecília — Avenida 21, entre ruas 20 e 22). Mais tarde foi feito um açude para a elevação da água, no Córrego Pirapitinga (pouco acima das casas populares da Vila Natal). Antônio Pedro Guimarães foi quem projetou e construiu este rego-d'água.

Só a partir de 1880 é que começaram a aparecer os primeiros e pequenos estabelecimentos comerciais. E neste mesmo ano, o senhor Antonio Pedro Guimarães promoveu algumas esmolas com os fiéis para a construção de um cemitério público, que foi concluído em 18 de setembro de 1882.

Em março de 1886, surgiu, no Distrito de São José do Tijuco, a primeira "Banda de Música".

 

(Clique aqui e leia um pequeno histórico sobre as bandas de música de Ituiutaba.)

 

No Censo geral do Brasil, efetuado em 31 de dezembro de 1890, a Freguesia de São José do Tijuco  contava  com 5.067 habitantes, que eram chamados pelos pratenses de "fedegoso" devido a essa planta de cheiro  forte,  encontrada  em nossos campos.

Em novembro de 1891, como a Lei Estadual ordenava, tinha de proceder-se a eleição de presidente e vereadores da Câmara de Prata. Pe. Ângelo Tardio Bruno se apresentou  como candidato a vereador especial pelo Distrito de São José do Tijuco, sendo eleito com unanimidade de votos, sem maior esforço, e tomou posse no dia 1.º de janeiro de 1892.

No dia 25 de agosto de 1898, sob juramento, tomou posse, como Escrivão da Paróquia de São José, o senhor Francisco Antonio de Lorena.

No início do ano de 1900, atendendo ao apelo do Padre Ângelo, o Capitão Vicente José Muniz  doou à Matriz de São José um sino grande, pesando mais ou menos umas 10 arrobas, pagando, inclusive, pelo carreto do mesmo. O negociante que fez a compra do sino foi o senhor Aureliano Martins de Andrade, ao preço de um conto de Réis. Surge a partir de então a necessidade de ornar a Matriz de torres imponentes capazes de sustentar tamanho sino. Infelizmente, na época da Festa da Abadia do ano de 1914 constatou-se que este sino estava rachado e em outubro do mesmo ano completamente inutilizado.

Em 16 de setembro de 1901 — terça-feira — o então Arraial de São José do Tijuco passou a denominar-se Villa Platina, ocasião em que se desmembrou do município do Prata, com 2.694 quilômetros quadrados de área (Lei Estadual n.º 319).

Em 1.º de janeiro de 1902 instalou-se em Villa Platina seu primeiro Governo Municipal: Augusto Alves Vilela "Capitão Augusto" foi o Agente Executivo (Prefeito de 1902 a 1905), Ele era farmacêutico e fundou em Ituiutaba a Farmácia Popular.

 

Capitão Augusto

(Foto extraída do Livro "A Loja do Osório", de Petrônio Rodrigues Chaves)

 

 

Em 2 de janeiro de 1902 foi realizada a primeira sessão ordinária da primeira Câmara Municipal de Villa Platina. Os primeiros vereadores foram: Pio Augusto Goulart Brum (Presidente), Manoel Joaquim Bernardes Sobrinho (Secretário), Constâncio Ferraz de Almeida, João Evangelista Rodrigues Chaves, Antonio Pedro Guimarães, Manoel Tavares da Silva, José de Andrade e Souza, Antonio da Costa Junqueira, Marinho Dias Ferreira, Jerônimo Martins de Andrade e Antonio Domingues Franco (Tonico Franco).

Em 1904 foi feito um novo recenseamento, constatando-se ser de 13.237 a população total da Freguesia da Villa Platina (6.700 homens e 6.537 mulheres).

Em 1905 ocorreu a instalação da primeira iluminação nas ruas da cidade, a gás acetileno.

"No dia 25 de janeiro de 1905, vindo da Paróquia de Monte Alegre, acompanhado do RR. PP. Theophilo de Paiva, vigário da Abadia do Bom Sucesso, Sr. Benevenuto Casaubou, Mário Mendonça e o Vigário desta freguesia, Pe. Angelo Tardio Bruno, chegou a Villa Platina o Exmo Sr. Bispo Diocesano, D. Eduardo Duarte Silva. Passada a ponte, presenciamos todos um tocante espetáculo que a todos comoveu, e de modo especial ao Reverendíssimo Vigário: cento e vinte e seis cavaleiros, apeados em duas alas, segurando cada qual pela rédea do animal, aguardavam, na maior alegria e satisfação o seu Pastor. [...] O dia 27 (dia do aniversário do bispo) amanheceu estripidozamente (sic) com alvorada, repiques de sinos e estrugir de rojões. [...] Durante o dia Sua Excia. foi muito visitado e recebeu os que vieram cumprimentá-lo e oferecer ramalhetes de flores. Oraram por essa ocasião o Dr. Petráglia, o Pe. Theophilo, o menino Alipio Maranhão, o seminarista Joaquim Antonio da Silva e o Sr. José Campanha, que findo o seu belo discurso, apresentou a Sua Excia. um ramalhete de flores, dentro do qual, delicadamente, havia ocultado uma oferta para as obras da Capela do Palácio Episcopal, angariada pelo povo pela comissão composta dos cavalheiros seguintes: Coronel Pio Goulart, Tenentes Coronéis Arlindo Teixeira e Augusto Alves Vilela, e Major José Campanha. [...]"  (Texto extraído do Livro N.º 1 do Tombo da Igreja Matriz de São José).

1907 — Clique aqui e veja fotos e um breve histórico da Igreja de Nossa Senhora da Abadia.

No ano de 1907, surgiu o "Villa Platina", o primeiro jornal de Ituiutaba, editado por Pio Augusto Goulart Brum, tendo como redator o Sr. Coleto de Paula. O jornal circulou até 1910, quando veio a desaparecer.

Em 1910, o Sr. José Cândido de Souza tenta estabelecer a primeira indústria em Ituiutaba: a Fábrica de Cerveja "Estrela", mas não durou muito.

 

Rua Bela Vista (16 c/ esq. da 9)
À esquerda, Farmácia Victória (posteriormente mudou-se para a Avenida 9);

logo em seguida, a casa onde funcionou a "Escola São José",

e, à direita, a residência da Chácara do Cel. José Soares.
(Foto extraída do livro "A Loja do Osório", de Petrônio Rodrigues Chaves)

 

 

Em abril de 1913, circulou o primeiro número do segundo jornal editado na cidade, com o nome de "Gazeta Platinense" — funcionava na Rua da Matriz (20) — e tinha como diretor o Dr. Pedro Salazar Moscoso da Veiga Pessoa, advogado e jornalista. Infelizmente a Gazeta funcionou apenas um ano, desaparecendo em 1914. Depois, em 1935, foi instalada no mesmo prédio uma indústria de bebidas. Mais tarde funcionou ali a Escola Estadual Prof. "Ildefonso Mascarenhas da Silva". Só depois o prédio antigo foi demolido e construído o Cine Capitólio, o mais famoso cinema da cidade. João Angelo de Oliveira, o "Neinho", meu pai, trabalhou na construção deste cinema, como carapina, em 1953.

Surge então, em 1914, o jornal "A Alvorada", sob a direção de Hipólito Maria de Freitas e seu filho Alfeu de Freitas. "A Alvorada", que muito contribuiu para a criação de Ituiutaba, circulou até 1917. Em 19 de junho de 1914, circula nas ruas da então Villa Platina, o primeiro automóvel, trazido pelo Dr. Paes Leme. Este acontecimento foi recebido pela população com uma grande festa: centenas de foguetes estrugiram nos ares, as duas bandas da cidade percorreram as ruas, e o velho vigário Cônego Ângelo Tardio Bruno, quase que banhado em lágrimas, exclamou: "Ah! Sr. Bispo, não sou mais vigário do sertão!"

Em 18 de novembro de 1915 (Lei n.º 663) Villa Platina passou a chamar-se Ituiutaba, mas ainda pertencendo à Comarca de Prata. Camilo Rodrigues Chaves foi quem deu a Villa Platina o significativo nome de Ituiutaba: I (Rio); Tuiu (Tijuco); Taba (Cidade) = Cidade do Rio Tijuco. Neste mesmo ano foi instalada a primeira máquina de beneficiar arroz, de propriedade do Sr. José Temístocles Petraglia e do Sr. Antônio Severino, movida à força hidráulica, situada à margem direita do córrego sujo, próxima à junção deste com o córrego do Carmo.

Em 6 de julho de 1917, tomou posse o primeiro Juiz Municipal: Dr. Luiz Jefferson Monteiro da Silva, autor da letra do Hino de Ituiutaba.

Na década de 1920, as principais ruas eram assim conhecidas:

        Rua União (hoje Rua 24),

        Rua 24 de Maio (depois João Martins, hoje Rua 22),

        Rua da Matriz (hoje Rua 20),

        Rua do Comércio (no século XIX era a Rua do Cotovelo, hoje Rua 18),

        Rua do Brejo (hoje Rua 16),

        Avenida Paranaíba (hoje Avenida 17),

        Avenida Cruzeiro (hoje Rua 26),

        Rua Antônio Pedro Guimarães (hoje Avenida 15),

        Travessa São José (hoje Avenida 13)...

Em junho de 1922, foi inaugurada em Ituiutaba a iluminação elétrica, com a implantação da Usina do "Salto do Morais".

No Largo da Matriz existia um belíssimo chafariz, todo trabalhado em bronze, imitando enorme taça, encimado por artística imitação de um abacaxi, também de bronze, de onde jorrava a água. Lamentavelmente, este tradicional objeto histórico desapareceu misteriosamente...

 


(Desenho extraído do livro "A Loja do Osório", de Petrônio Rodrigues Chaves)

 

 

No centro da antiga Praça João Pinheiro, popularmente chamada de Largo da Matriz, erguia-se o Coreto onde a banda de música tocava seus dobrados e maxixes.

Em um prédio velho (já demolido), ao lado da atual "Predial Ituiutaba", na Rua 22 com avenidas 9 e 11, funcionou o Cine "Santo Antonio" de propriedade do Sr. Tonico Morais. Até 1932, as películas apresentadas, uma vez por semana, eram de "Cinema mudo", só em 1935, quando Omar de Oliveira Diniz comprou o cinema, é que o público ituiutabano pôde ver e ouvir os filmes sonoros.

Em 24 de janeiro de 1925 (Lei n.º 879), foi transferida para Ituiutaba a sede da Comarca de Monte Alegre, sob clima de protesto por parte dos nossos vizinhos monte-alegrenses. Em 12 de abril do mesmo ano foi instalada a Comarca de Ituiutaba, sob a presidência do Dr. Newton Bernardes Ribeiro da Luz, que foi também o primeiro Juiz de Direito da cidade — em homenagem a este juiz, pelos seus grandes feitos em prol da cidade, o atual Fórum de Ituiutaba leva o seu nome.

Em 1933, surge em Ituiutaba um time de futebol com o nome de "Associação Ituiutabana". Nesta época faziam parte do seu plantel os seguintes jogadores: Xaroca, Lili, Piriá, Reinaldo Bertoni, Jacaré, Quito, Napoleão, Alarico, Cícero Matraca, Joãozinho Novais e outros. Basicamente com a mesma equipe acima, em 17 de julho de 1933, foi fundada a "Associação Esportiva Ituiutabana — AEI".

 

 

O Sr. Coleto de Paula, que, sem dúvida, foi o seu maior baluarte, prestou valorosos serviços ao clube e à causa dos esportes em Ituiutaba, em razão disso a merecida homenagem de se colocar seu nome no estádio da AEI. Citamos aqui outra equipe da AEI (1940): Lili (Aloísio da Silva Novais, autor do livro "História Antiga de Ituiutaba"), Alarico, Gradim, Pará, Tião, Zizinho, Joãozinho Novais, Piriá, Nagibe, Napoleão, Justo, Omar, Xaroca, Nadico, Nenê, Mica, Jacaré e outros. Em 1947 houve uma cisão no quadro social da AEI e ela perdeu os seguintes jogadores: Agenor, Gildo Cancella, Paulo Chaves, Lince, Leão, Ari, Onésio Brasileiro "Capitão" (O estádio do Vila Nova de Goiânia leva o nome "Onésio Brasileiro", em homenagem a este ituiutabano, pelas suas belas atuações como goleiro e como diretor da equipe do Vila Nova), e vários outros, que foram formar o time do "Bôa". Por isso, em 30 de abril, surge o Ituiutaba Esporte Clube, com o nome de "Boa Vontade", fundado por Gildo Cancella, Luiz Alberto Franco Junqueira (criador do emblema abaixo que significa: "uma nova estrela que surge e brilha no mundo da bola em Ituiutaba"), Saulo Barros e outros desportistas.

 

 

O time era chamado de "Bôa Vontade" porque o desportista e jogador da Ituiutabana, Gildo Cancella, contratou uma partida entre a Associação Esportiva Ituiutabana e a Associação Atlética Pratense, mas alguns jogadores da AEI não quiseram participar. Então o sr. Gildo disse: "Este é um time de BÔA VONTADE, só vai quem quer", e o nome ficou. Para este jogo eles reuniram alguns titulares e alguns "cascudos" e foram jogar na vizinha cidade do Prata, onde empataram em 0x0. Depois a AAP veio jogar em Ituiutaba e novamente empataram em 1x1. O "Bôa" alcançou muitas vitórias e era um dos mais temidos quadros da região. O seu estádio é chamado de "Fazendinha". No mesmo ano de 1947, o novo time formado sagrou-se campeão do Torneio "Cancella-Philco", promovido pela Cancella Veículos, em parceria com a Revenda dos Rádios Philco. Em 1948 foi formada a "Liga Ituiutabana de Futebol", que realizou o I Campeonato de Futebol de Ituiutaba (oficial), do qual a AEI foi a campeã. Em 1951 a esquadra da "Véia" é reforçada com Juarez, Fiúco, Janjão, Airton, Paulo Maia, Alberto, Benedito e João Anésio, e foi campeã do I Torneio Regional do Triângulo, ficando o "Bôa" com o vice-campeonato, jogando com os seguintes craques: Agenor, Coelho, Nena, Jorge, Lince, Paulinho e outros.

 

Ituiutaba na década de 1930 - Rua 22, esq. com a Avenida 13
A segunda casa à esquerda foi demolida em 1972. Antigamente nela se instalou a firma

"Princesa do Sertão", de Melquíades Ferreira Diniz e Arvelo Avelino Avelar.

No mesmo local, em 1972, foi construído o Edifício "Antônio de Sousa Martins".
Em frente, do lado direito, está a casa que era conhecida como "Casa das Turcas",

construída pelas irmãs Maria e Nacibe Noiame, tias de Bacarat Nicola Nasser.
A casa foi demolida depois de um incêndio, na década de 1950.

No mesmo local, hoje, está o "Edifício Ituiutaba".
Na foto podemos ver os cavalos, os Fordinhos 29 e como a "rua" era sulcada pelos carros de boi.

(Foto e legenda extraídos do livro "Família Franco, Genealogia e História",

de Gabriel Junqueira Franco e Luiz Alberto Franco Junqueira)

 

 

Em 12 de junho de 1936, foi fundado o Ituiutaba Clube, e esta foi sua primeira diretoria: Cel. Aureliano Martins de Andrade, Dr. Tobias Gomes Junqueira, Cel. Adelino de Oliveira Carvalho, Dr. Fernando Alexandre Vilela de Andrade (Presidente de Honra), Dr. Múcio de Abreu Lima (Presidente), Dr. Saul de Oliveira Carvalho (Vice-Presidente), Dermeval Tavares Martins (Secretário) e Carlos Marquez de Andrade (Tesoureiro).

Em 20 de março de 1938, foi fundada a ACIAPI — Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Ituiutaba (hoje ACII), dirigida por: Antonio Manuel Horta, Raphael de Lourenço, Manuel de Almeida, Geuid Dib, João José Elias, João Martins de Andrade, Cícero de Freitas Barros, Dermeval Tavares Martins, Jandiro Vilela, Agesípolis Maciel, Camilo Chaves Junior, Manuel A. Cancella e outros.

Atrás da velha Igreja, um terreno baldio cedido por Camilo Chaves, serviu à prática do futebol, de 1919 a 1949. Até que a "Veterana" AEI construísse o Estádio "Coleto de Paula", e o Ituiutaba Esporte Clube, o Estádio da "Fazendinha", era ali que se realizavam os treinos, as "peladas" e até mesmo alguns torneios.

 

Foto extraída do livro "A Loja do Osório", de Petrônio Rodrigues Chaves

 

 

A capela-escola da Vila Platina foi construída em um terreno doado à Congregação dos Padres Estigmatinos por Gerôncio Rodrigues Chaves e Olegário Ribeiro Chaves. Na ocasião da doação Gerôncio disse ao Pe. João Avi que uma parte daquele terreno devia ser reservada para a construção de uma capela, para atender às necessidades espirituais da nova Vila Platina.

 

 

(Foto: arquivo do Foto Studio Maia - Agradecimentos à proprietária Vânia)

 

Nesta igrejinha, o idealizador deste site, Edson Angelo Muniz, e sua irmã, Ednair Ângela Muniz, estudaram, em 1961, no primeiro aninho. Foram nossas professoras a Dona Guilhermina Moreira Maia, chamada por nós de Dona Zica, e a Dona Juventina Nunes de Araújo. A escolinha funcionava graças ao empenho de Dona Izaura Franco (mãe do ex-deputado Luiz Alberto Franco Junqueira) e de Dona Celisa Moura Leite Foch, que inclusive pagavam os salários das professoras. Depois disso, funcionou ali a Escola Estadual Cônego Ângelo e mais tarde a Escola Tonico Franco. Esta última, fundada pela Dona Icanusa, com uma sala de aula na casa do Sr. Galdino Queiroz e duas salas na capelinha, separadas por um biombo.

Em 1939, na gestão do prefeito Adelino de Oliveira Carvalho, aconteceu a mudança dos nomes das ruas para números, em vez de nomes de pessoas. Hoje, há uma mistura dos dois tipos.

Em 4 de julho de 1942, Ítalo Terêncio José Bermase Gentil (escrivão policial e cronista) e Aloísio Silva Novais (escrivão da Coletoria Estadual), fundaram o Jornal "Folha de Ituiutaba", que contava com a colaboração do Dr. Guilherme Boeing Lacor, Dr. Fábio Teixeira Rodrigues Chaves, Dr. Camilo Chaves Júnior,  Adalberto Albuquerque Pajuaba, Otacílio Nascimento e Eurípedes Alves de Oliveira. Em novembro de 1946 este jornal foi adquirido pelo Sr. Ercílio Domingues da Silva, que foi seu diretor-proprietário por muitos anos. Em 1963 Geraldo Séptimo Moreira era o seu redator-chefe, e Manoel Agostinho um de seus redatores.

Em 1946, Dr. Omar de Oliveira Diniz, então prefeito de Ituiutaba, mesmo combatido por elementos contrários à religião, não titubeou um instante em doar o terreno de 40.000 metros quadrados mais ou menos, situado entre as avenidas 3 e 5 e as ruas 22 e 26, para a construção do Colégio São José. Mas, para a realização deste projeto era preciso fechar a Rua 22, entre as avenidas 3 e 5, para unir os dois terrenos situados aos lados daquela rua. Para isto, foi requerido à Câmara Municipal, como complemento necessário, a doação do aludido trecho. Houve protestos, ameaças, discursos pelo rádio, luta judiciária, mas os Padres Estigmatinos ganharam a causa e ergueram o Colégio São José, tão almejado pelos ituiutabanos. A fundação do colégio aconteceu em 1948, mas só em 1952 é que a construção foi iniciada.

Adelino Moura Guimarães, ex-expedicionário, ganhou a concessão de uma emissora de rádio e instalou em Ituiutaba, juntamente com Hélio Guimarães e Dr. Omar de Oliveira Diniz (prefeito na época), a Rádio Platina de Ituiutaba (ZYV-4,1250 kcs., ondas médias), inaugurada em 26 de outubro de 1947, em um prédio na Rua 22 (local onde hoje está instalada as Casas Pernambucana). Adelino, seu irmão José Moura, Sandra Maria e Zilá Tannús foram os primeiros apresentadores da rádio. Em 1950, no primeiro programa de auditório da Rádio Platina, ao vivo, Sanhaço (Eduardo José Ferreira), cantou em parceria com sua irmã. Mais tarde, desfazendo-se a dupla, ele gravou três discos 78 rpm como acordeonista, com o trio Canário (1961, 1962 e 1963). Em 1959, foi ao ar, na Rádio Platina de Ituiutaba, o programa "Hora Sertaneja", apresentado aos sábados, por Fernando Santiago e por Sanhaço. Este programa dava oportunidade a todos que quisessem se tornar apresentador. Foi aí que surgiram José Maria da Costa, Márcio França, Abadio Costa (Badião), Antonio Ribeiro, Valdir Fonseca, Manoel Alves Valadão e outros. Foi neste programa que a dupla Praião e Prainha tiveram a oportunidade de se apresentarem pela primeira vez e ficaram famosos em todo Brasil. Se apresentaram ainda: Tião Carreiro & Pardinho e as Irmãs Galvão, no início de suas carreiras.

Em 1963 a Rádio Platina contava com os seguintes radialistas: Fernando Santiago, Horácio Costa, Hélvio Sena, Pereira Rezende e Agnaldo Zoccoli. E dentre os programas apresentados na época, destacamos: "Repórter Chevrolet", "A Voz do Povo", "Atrações Fernando Santiago", "Rádio-Jornal Platina" e "Petizada em Festa".

 

Fernando Santiago (4.5.1926 — 10.10.1983)

 

Nesta mesma época o Raul Paulo já trabalhava na Rádio Platina, mas como cobrador, só mais tarde é que ele teve sua oportunidade como locutor. Sanhaço foi apresentador da Rádio Platina por muitos anos e depois deixou o rádio, só retornando em 1997, na Rádio Cancella AM, apresentando o Programa "Sertão em Festa", até 1999, quando foi trabalhar na Rádio Difusora, apresentando o mesmo programa. Em 5 de novembro de 1959, foi fundada a Rádio Difusora de Ituiutaba (ZYV-63, 1600 kcs., ondas médias), pelos senhores Fauzi Abdulmassih e Dr. Jair Abdulmassih, de Tupaciguara. Em 1963, ela foi dirigida pela Sra. Maria Elite Cunha Cancella. Nesta época, a Difusora ainda não tinha programas de auditório e seus principais radialistas eram: Geraldino Alves de Freitas, Silas de Paula e Rui Barbosa. Em 7 de março de 1963, surge a Rádio Cancella de Ituiutaba (ZYV-76, 1300 kcs., ondas médias), fundada por sócios da firma Cancella S/A, sendo seu diretor comercial e artístico o Sr. João Alberto Zuzade Reis, radialista e cronista. Alguns de seus principais radialistas e cronistas: José Arantes, Manoel Valadão, Antônio Umberto e Pereira Lisboa. Dentre seus vários programas destacaram-se: "Repórter Cancella" e "Portal da Glória".

 Ituiutaba já foi a capital brasileira do arroz. Nas décadas de 50 e 60 foi grande o surto de progresso desta cidade, que tinha diante de si um grande futuro. Chegou a contar quase uma centena de máquinas de arroz e a agricultura se desenvolvia farta, favorecendo a vida do campo e o crescimento do comércio. A riqueza e a prosperidade eram evidentes, atraindo para cá numerosas pessoas, que vinham tentar fortuna. Nessa fase a cidade continuava a conquistar espaço, estendendo as construções em todos os quadrantes, surgindo rápidos, novos bairros. Dentre esses primou o bairro Progresso, que se estendeu além, gerando novos bairros. Foi assim que surgiu o bairro Ipiranga, a partir, mais ou menos, de 1967, quando se construiu o primeiro núcleo de casas populares, na região, até então conhecida como Capão da Lagoa. Essa gleba era, praticamente, despovoada, existindo pequenas chácaras esparsas e povoadas por famílias provindas de outras cidades, entre elas Conquista e Conceição das Alagoas, MG.

 

Desfile de 16 de setembro de 1951, em comemoração ao Cinquentenário de Ituiutaba.
(Foto extraída da Revista Páginas da Semana - Especial 91 anos de Ituiutaba)

 

 

1951 — "Engastada qual pérola preciosa, neste recanto de Minas que é o Triângulo Mineiro, Ituiutaba, cidade industrial e progressista, celebra feericamente circundada de glória, seu cinquentenário de fundação. São dez lustros de uma passado penoso mas irrefreável."  (Clique aqui e leia, na íntegra, esta crônica do Pe. Vitório Zanin).

Em 1955 foi inaugurado o novo prédio da Prefeitura, uma construção com linhas modernas, na Praça Cônego Ângelo. Na mesma ocasião tomou posse o novo prefeito Sr. Antonio de Souza Martins (Nicota), que sucedeu ao Dr. David Ribeiro de Gouveia.

Em 9 de fevereiro de 1958, era inaugurado em Ituiutaba o Educandário Ituiutabano, a primeira escola gratuita de Ituiutaba, onde eu, Edson Angelo Muniz, e minha irmã Ednair Ângela Muniz, estudamos nos anos de 1964 e 1965. Nesta época a Dona Nair Gomes Muniz  era a nossa querida diretora e ela permaneceu no cargo até 1985. Em 1978 o Educandário Ituiutabano passou a chamar-se Colégio Comercial de Ituiutaba e posteriormente Colégio Comercial Prof.ª Maria de Barros e, hoje, Escola Estadual Prof.ª Maria de Barros.

 

Educandário Ituiutabano
(Foto extraída do livro "Foi Assim...", de Maria Gertrudes)

 

 

Na gestão do prefeito Geraldo Gouveia Franco, de 1964 a 1966, foi feito o ajardinamento da Praça Cônego Ângelo e a doação do terreno para a construção do Colégio Estadual. Nessa escola, eu, Edson Angelo Muniz, estudei de 1968 a 1974. Neste período, fui aluno do Professor Jarbas Gomide e da Professora Marina Ribeiro Gomide. Em 1989, terminei o 3.º científico, ainda no Colégio Estadual, e neste ano fui aluno do Professor Hélis Ferreira da Silva, que muito me honrou, prefaciando o meu livro "Família Muniz — Tronco do Triângulo Mineiro" (clique aqui para ler o prefácio).

Em 1964, por iniciativa do então Deputado Estadual Dr. Luiz Alberto Franco Junqueira, criou-se o Grupo Escolar "Cônego Ângelo", em homenagem àquele que foi uma das figuras das mais salientes da grandeza de Ituiutaba: Cônego Angelo Tardio Bruno (clique no nome e leia memorial). No início, o Grupo Escolar "Cônego Angelo" funcionava com apenas quatro salas de aula, em diferentes pontos da cidade: na Capelinha da Vila Platina, na Capelinha da Vila Natal, na Pedreira e no Rotary Club (Rua 36, entre avenidas 5 e 5-A, Bairro Progresso). Muitas foram as professoras que ali lecionaram, dentre elas: Zilá Miguel Franco Quirino, em 1966; Zirany Franco Miguel Souza, em 1967; Maria Helena Villela Mendonça "Dona Leninha" e Maria Terezinha Villela de Souza "Dona Terezinha".

Em 23 de abril de 1967, Irmão Mário Cesar (em destaque na foto abaixo), levado por grande zelo e idealismo, fundou o Escotismo em Ituiutaba. O Grupo Escoteiro Padre Anchieta contava neste ano com 80 jovens, de 7 a 15 anos, compreendendo Escoteiros e Lobinhos. Até os dias atuais o ideal do Irmão Mário é mantido. O Grupo Escoteiro Pe. Anchieta está aí, prestando diversos serviços à comunidade ituiutabana, formando cidadãos cônscios de seus direitos e deveres, com formação moral e cívica.

 

Primeiros Escoteiros de Ituiutaba
(E/D) À frente: Valdeir, Fábio Bezerra, Edivaldo, Jair Rosa (Escritor), Flávio de Paula Leite,
Severino Paulino de Souza, Beto, Creso Garvil (Dentista), Helder de Paula Leite e Wilson.
No meio: Paulo Gomes, Paulo Ferrari, Domingos Donizete (Domingão), Milton, César Luiz de Miranda,

Domingão, Leonardo Chaves, Welesley Carvalho, Ubaldo Rocha Catuta Filho e Irmão Mário.
Atrás: William Rimet Muniz, Doca, Paulo Prado (Fotógrafo),

Tio Inácio, Bilac, Paulo César Samora e Paulo Aidar.

 

 

Em 30 de outubro de 1963 foi criada a Fundação Educacional de Ituiutaba (Lei Estadual n.º 2.914), que preparou o caminho. O primeiro vestibular foi realizado em março de 1970, para os cursos de Ciências Biológicas, Matemática, Letras, Pedagogia e História. Outro marco histórico foi a autorização para o funcionamento da FAFI, em 20 de maio de 1970, com a assinatura do decreto pelo Presidente Emílio Garrastazu Médici.

 

Prédio próprio da FAFI
(Foto: arquivo da Biblioteca "Vânia Morais Jacob" — FEIT-UEMG)

 

 

As primeiras aulas ocorreram em salas de aula instaladas provisoriamente nos Colégios Santa Teresa e São José, e no dia 3 de março de 1972, a FAFI transferiu-se para prédio próprio, no Setor Universitário (antiga Chácara do Horacinho, cuja Rua, hoje, leva o nome de Horácio Paula Siqueira). O primeiro Diretor da FAFI — Faculdade de Filosofia de Ituiutaba, foi o Dr. Edelweiss Teixeira e a primeira Secretária Acadêmica, Dalva Muniz de Almeida.

"Após um prolongado pregão de promessas da implantação de uma faculdade de filosofia nesta cidade, realizou-se o difícil parto da mesma aos 27 de abril de 1970, dia em que funcionou com sua aula inaugural, passando os seus primórdios de existência no Colégio São José, com 5 (cinco) cadeiras. É, sem dúvida, uma conquista inestimável para a população e mais um sinal de progresso." (Pe. Lino José Correr).

A FAFI foi a célula-mãe das nossas Faculdades. Hoje, o Campus de Ituiutaba, pelo seu Instituto Superior de Ensino e Pesquisa de Ituiutaba, é um patrimônio vivo, consciente de sua função social, que busca expandir-se para atender às demandas crescentes do mundo moderno. Para atender alunos residentes no município de Ituiutaba, toda região do pontal do Triângulo Mineiro, Sudoeste Goiano e diferentes regiões do País, Ituiutaba conta atualmente com duas instituições que oferecem vários cursos superiores: a Escola Superior de Ciências Contábeis e Administrativas (ESCCAI), com os cursos de administração de empresas e ciências Contáveis; e a FEIT/UEMG — Unidade da Universidade do Estado de Minas Gerais, com os cursos de Agronomia, Engenharia Elétrica, Direito, História, Física, Matemática, Química, Pedagogia, Biologia, Letras, Psicologia, Engenharia da Computação e Tecnologia em Informática (no curso de Processamento de Dados, embrião dos cursos atuais, Edson Angelo Muniz formou-se, na primeira turma, em 1992).

Em 31 de janeiro de 1973, toma posse o prefeito Fued José Dib, com a efusiva participação de todo o povo tijucano. Fued Dib, no seu mandato, enfrentou um grande desafio: a canalização do Ribeirão São José, antigo córrego Sujo, por conta do Município. Vencendo resistência política local, no mês de janeiro de 1975, Fued José Dib contrata junto ao FDU (Banco do Brasil) a abertura de crédito fixo, pelo qual a Prefeitura obteve recursos no montante de Cr$ 12.260.000,00, com prazo de 10 (dez) anos, para a canalização de 1500 metros lineares do Ribeirão São José com o consequente surgimento de majestosa via pública, com 60 metros lineares de largura, e mais urbanização de diversas vias públicas, com cerca de 118.000m2 de área asfaltada, compreendendo todo o bairro Universitário, parte do bairro Progresso e parte da área Central, entre a Avenida 31 e a Avenida Minas Gerais, inclusive.

Em 30 de maio de 1973, a população ituiutabana, principalmente os "santistas", recebem com honrarias o ilustre visitante Edson Arantes do Nascimento, o "Rei Pelé", que veio com a equipe do Santos Futebol Clube enfrentar a nossa UTE. Em 1976, Hairton Dias da Silva, vereador e radialista, idealiza e realiza os Jogos Estudantis de Ituiutaba (JEI), de 7 a 16 de setembro, desde o ano de sua criação, até 1982, Hairton Dias (vereador por Ituiutaba de 1972 a 1992) oficializou os Jogos Estudantis de Ituiutaba, na Lei Orgânica do Município, promulgada em 21 de abril de 1990. Em 2002, foi realizada a 26.ª edição destes jogos.

Em 15 de setembro de 1979, aconteceu a inauguração do Canal 9 de Televisão Paranaíba/Bandeirantes, autorizada pela Portaria do Ministério das Comunicações N.º 1760/79.
         Em 21 de setembro de 1979, Acácio Alves Cintra Sobrinho, prefeito de Ituiutaba, inaugura a Praça dos Trabalhadores, nas ruas 14 e 16 e Av. 3, numa merecida homenagem aos trabalhadores, com a presença do Senador Tancredo Neves.

Em 17 de fevereiro de 1981, um dia após a sua posse como prefeito interino, o arquiteto Eurípedes da Costa Mello, deu início às obras de construção do calçadão, uma bela rua de lazer na Avenida 15, entre as Ruas 20 e 22.

Em 1983, inicia-se o mandato do prefeito Romel Anísio Jorge, que deu à cidade, mais praças que todos os seus antecessores, oferecendo enormes opções de passeio, diversão e prática do esporte ao seu povo. Todas as grandes praças dispõem de quadras, minicampos de futebol e parques infantis. Construiu o Ginásio Poliesportivo Romão, com linhas arquitetônicas modernas e funcionais, com capacidade para abrigar 5000 espectadores, contando com instalações completas e ampla área de estacionamento.

Em 1989, toma posse o prefeito Gilberto Aparecido Severino. Em termos econômicos, o governo de Gilberto Severino destacou-se pelos seguintes fatos: saneou a dívida pública; dotou o Distrito Industrial de Ituiutaba de água e esgoto; consolidou o Distrito Industrial Manoel Afonso Cancella com o Parque Cerâmico; juntamente com a presidência da Nestlé conseguiu a construção da 3.ª linha de leite em pó, em nossa cidade; teve participação ativa nas negociações de venda do Frigorífico Ituiutaba ao Grupo Bertin; em parceria com os empresários locais, instalou o Frigorífico Diamante do Pontal, substituindo o Matadouro Municipal; realizou-se a 1.ª FECIT, expondo produtos para o mercado local e regional, com a participação de 27 empresas; construção do Laticínio da Cooperativa Agrícola de Ituiutaba, às margens da BR 365; edificou a estação de embarque do Aeroporto Tito Teixeira; incluiu Ituiutaba no grupo de Cidades-Polo de Minas Gerais; quando Presidente da AMVAP, implantou o PLADIR (Plano Diretor de Integração Regional), objetivando unir os municípios a ter um projeto único de desenvolvimento; participou da Constituinte Mineira, assessorando a questão tributária entre o Estado e os municípios no que se refere à distribuição da verba do IPVA; a administração Gilberto Severino manteve em boas condições de tráfego a malha viária do Município, permitindo o escoamento normal da produção agrícola; foram construídas e reformadas nesta administração cerca de 191 pontes e 758 mata-burros; implantação com toda infraestrutura básica dos bairros: Novo Tempo I, Novo Tempo II e Sol Nascente II; venceu desafios históricos levando água para o bairro Satélite Andradina e implantação, também histórica, de água, esgoto e asfalto, à custa de implosão de dinamites no Setor Norte.

Em 1993, Dr. João Batista Arantes da Silva é empossado como prefeito de Ituiutaba. Foi na sua gestão, a construção do CAIC, através do PRONAICA, num trabalho extraordinário do Deputado Federal Romel Anísio Jorge, que lutou muito para que a cidade pudesse ter uma Escola de altíssimo padrão. O CAIC foi inaugurado com o nome de Escola Municipal “Aureliano Joaquim da Silva”, em homenagem ao pai do prefeito João Batista. Houve a reconstrução da pista do aeroporto Tito Teixeira, porque o mesmo tinha sido interditado por causa das precárias condições, que não ofereciam segurança de aterrissagem e decolagem de aeronaves. A prefeitura, com o apoio do vice-governador Arlindo Porto, que conseguiu a liberação de uma verba, recapeou toda pista, construiu pátio de manobras e estacionamento. No governo do Dr. João Batista, a saúde foi levada a sério. Foram instalados dois centros de saúde em regiões consideradas carentes, como os bairros Tupã e Novo Tempo II, e o atendimento no Pronto-Socorro Municipal foi melhorado consideravelmente.

Em 1997, inicia o mandato do administrador Públio Chaves, que no comando da Prefeitura Municipal de Ituiutaba, assumiu também a SAE – Superintendência de Água e Esgotos de Ituiutaba, que era uma autarquia.

De 1997 a 2000, o prefeito Públio Chaves investiu em obras de ligações de água, redes de água, ramais de água, ligações de esgoto, redes de esgoto, ramais de esgoto e com uma das mais importantes obras do seu governo a ERPAI – Estação de Recuperação Ambiental de Ituiutaba. Nesse mesmo período a SAE obteve o certificado ISO 9000 e, consequentemente, conquistou o certificado ISO 9002, o que comprova sua excelência no tratamento de água. Foi reformado e tombado o prédio da Casa da Cultura e tombado o Teatro Vianinha. Foram asfaltadas cerca de 95% das vias públicas da cidade, dotadas de toda infraestrutura como água, luz e esgotos. Foi, também, feito um excelente trabalho pela Secretaria de Obras, através da Comissão Municipal de Trânsito, quanto à sinalização e colocação de semáforos, construção de rotatórias em todo o perímetro urbano da cidade. O Departamento de Parques e Jardins realiza a manutenção de praças e outros logradouros públicos, tudo isso visando ao bem-estar da população tijucana.

Ituiutaba se transformou num dos polos no comércio da região, com amplos segmentos na área de eletrodomésticos, vestuários, comércio varejista de secos e molhados, combustíveis e amplas redes bancárias, concessionárias de veículos como VW, Fiat, Chevrolet e Ford. Existe, também, toda uma infraestrutura montada no comércio que visa atender a uma população de,  aproximadamente, 100 mil habitantes.

No período de 1997 a 2000, a prefeitura municipal desenvolveu o PROMAP, o qual beneficia o pequeno produtor agrícola com o preparo do solo, doação de adubo, conservação do solo, proteção de mananciais, dando total apoio ao plantio de cana para silagem, nas propriedades rurais. Além de tudo isso, promove a conservação das estradas rurais através da EMMAG, para escoamento de toda produção rural.

Entre as inúmeras atividades realizadas sob a administração de Públio Chaves, destacamos: Instalação do Pronto-Socorro Municipal e Hospital Dr. Darci Furtado, com atendimento mensal a 8000 pessoas; municipalização da saúde; instalação do Programa de Saúde Familiar; transporte diário de doentes para outras cidades, onde fazem tratamento; transporte local diário de pacientes de fisioterapia, hemodiálise e alunos com deficiência visual; aterro Sanitário; reforma e ampliação de todas as escolas municipais, urbanas e rurais; construção de duas escolas municipais rurais nas Comunidades Mateirinha e São Lourenço; construção da escola municipal urbana Nadime Derze; transporte de todos os alunos da rede municipal urbana e rural; informatização das escolas municipais; aquisição do prédio próprio para a Biblioteca Municipal "Senador Camilo Chaves", na Rua 22, com Avenida 17; aquisição do imóvel para a instalação do Centro Histórico de Ituiutaba, na Rua 22 com avenidas 7 e 9; pavimentação asfáltica de 600.000m2 de ruas e avenidas; criação do CEMAP – Centro Municipal de Assistência Pedagógica e Treinamento de Professores; elaboração e aprovação pela Câmara Municipal de Ituiutaba do Plano de Carreira do Magistério; desenvolvimento de projetos sociais voltados ao resgate de menores em situação de risco; desenvolvimento do Projeto Ituiutaba Recicla, com atividades de reaproveitamento do lixo; municipalização das Escolas Estaduais Mascarenhas e Manoel Alves Vilela; criação, construção e funcionamento do Centro de Atendimento às Famílias, no bairro Brasil; substituição das lâmpadas de vapor de mercúrio por vapor de sódio; construção da sede da Liga do Truco; incentivo ao esporte: realização de campeonato de futebol amador, Jimi, Futsal, Interbairros, Estudantil; apoio a creches e entidades filantrópicas; criação, instalação e funcionamento do Banco do Povo; criação e Instalação da Incubadora de Empresas; criação, instalação e funcionamento do Banco da Terra — assentamento de terra — 1.º lugar em Minas Gerais; programa de participação da comunidade em obras de asfalto — PRODEC — 1.º do Brasil; Casa da Cultura; regulamentação do Serviço de Moto-Táxi; concurso Canto de Ituiutaba (festival de música sertaneja e MPB); na saúde, além da estrutura hospitalar e odontológica  à disposição da população, são realizadas campanhas preventivas, de grande valor; construção do edifício sede do INSS — Instituto de Seguridade Social; PREVESTI — Cursinho de Vestibular — Bolsas; construção da Unidade Mista de Saúde I, na Avenida Minas Gerais, com Rua 18; construção da Unidade Mista de Saúde II, na Avenida 11 com Rua 38, somente para crianças e gestantes; construção do Monumento do Centenário (2001), na Rua 18 com Avenida Minas Gerais; dentre outras.

Públio Chaves foi o único prefeito, nos 100 anos da história de Ituiutaba, a governar a cidade por dois mandatos consecutivos. Ele foi o último prefeito do século XX e do 2.º milênio e o primeiro do século XXI e do 3.º milênio.

 

 

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Bibliografia:

 

Livros de Tombo N.º 1, Nº 2 e N.º 3, da Igreja Matriz de São José.

 

Livro "Caiapônia", de Camilo Chaves.

Livro "A Loja do Osório", de Petrônio Rodrigues Chaves.

Livro "Família Franco — Genealogia e História", de Gabriel Junqueira Franco e Luiz Alberto Franco Junqueira.

Livro "Foi Assim...", de Maria Gertrudes.

Revista "Acaiaca", editada em 1953.

Revista "Ituiutaba Ilustrada", editada em 1968.

Revista Páginas da Semana,  edição Especial dos 91 Anos de Ituiutaba — Editor: Joarez Rezende.

Livro "História Antiga de Ituiutaba", de Aloísio Silva Novais.

Livro "Ituiutaba Conta a Sua História", de Carmen Dalva Cunha Côrtes.

Livro "Povoadores do Sertão do Rio da Prata", de Benedito Antônio Miranda Tiradentes Borges.

Livro "2001 — Centenário de Ituiutaba", da Secretaria de Educação e Cultura de Ituiutaba.

 

 

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