FAMÍLIA MUNIZ
Tronco do Triângulo Mineiro

Autor: Edson Angelo Muniz

 


MINHA INFÂNCIA
 

Autor: Edson Angelo Muniz

                                                                    

            Nos meus tempos de criança

            tinha paz, amor e esperança,

            minha casa era um doce lar.

            Mas o tempo foi passando,

            minha vida se transformando

            e hoje eu fico a recordar.

            Coral: Mas o tempo foi passando

            e hoje eu vivo a recordar.

        

            Lembro a casa à beira do rio,

            onde nas manhãs de frio,

            me aquecia junto do fogão.

            E aquela sagrada alegria,

            que em nossa casa existia,

            ainda trago em meu coração.

 

            Coral: E aquela sagrada alegria,

            ainda guardo em meu coração.

 

            O rio amigo traiçoeiro,

            quantas vezes foi meu companheiro,

            outras tantas quase me matou.

            Lembro o rio beijando a areia,

            hoje nela a saudade vagueia,

            saudade do que passou.

 

            Coral: Vejo o rio beijando a areia,

            sinto saudade do que passou.

 

            Em sonhos vejo a gameleira,

            onde outrora tão ligeira

            Balançava uma gangorra ao vento.

            E a balsa pioneira,

            que meu pai fez de madeira,

            lá ficou esquecida no tempo.

 

            Coral: Velha balsa pioneira,

            já ficou esquecida no tempo.

 

            O tempo que a tudo apaga,

            deixa apenas uma lembrança vaga,

            do lugar onde eu morava.

            Se eu pudesse voltar o tempo

            não hesitava um só momento,

            eu juro pra lá eu voltava.

 

            Coral: Se eu pudesse voltar o tempo

            praquele recanto eu voltava.

            

            Coral: Se eu pudesse voltar o tempo

            pra minha infância eu voltava.

 

            _____________

            Notas:


            Esta foi a minha primeira poesia, escrita em 1970, quando eu contava com quatorze anos de idade.

 

            Em 1999, participei do 1.o Festival de Música Sertaneja, apresentando esta poesia, que foi musicada pelo Marcão.

            Minha filha, Aline, e minha prima, Renata, participaram comigo, fazendo o back vocal.
 

            Em 2005, a música foi gravada por mim em um CD amador, junto com várias outras poesias e poemas.
 

            Em 2008 este poema foi publicado no livro V Antologia de Poetas de Ituiutaba, editado pela ALAMI.
 


* * * * *

 

            Bem depois, quando eu já devia ter perto de quarenta anos, escrevi mais as duas estrofes abaixo,

            que não foram gravadas no CD nem publicadas no livro:

 

            Certo dia numa brincadeira,

            eu caí na corredeira,

            tão pequeno sem saber nadar.

            Meu cachorro fiel e amigo,

            sem ter medo do perigo,

            saltou no rio para me salvar.

 

            Coral: O Leão, cachorro amigo,

            pulou no rio para me tirar.

 

            Em sessenta fiquei curioso,

            pois ouvi um choro manhoso,

            e no quarto eu queria ir.

            Vovó Lena me mandou pro terreiro,

            só depois soube que o berreiro,

            era da maninha Ednazir.

 

            Coral: A Vó Lena me mandou pro terreiro,

            e quem chorava era a Ednazir.                  

 

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