SÃO  JOSÉ  DO  TIJUCO

VILLA  PLATINA

ITUIUTABA


 


PERSONAGENS CARACTERÍSTICOS
 

 

               Toda cidade tem os seus “loucos” característicos (os loucos são eles ou somos nós?) Alguns bem simples, outros mais complicados de se entender, mas todos fazem parte do folclore. Vamos ver somente alguns que passaram por Ituiutaba; poucos dados, porque sobre eles quase não há registros que poderiam nos orientar melhor.


 

XANXO

 

            Homem de cor negra, mal trajado, com a camisa sempre com um nó, dado nela mesma, na altura da cintura, mas Xanxo era bem educado, e vivia a correr atrás dos caminhões que passavam pelas ruas da cidade, com a boca imitando uma buzina, para “enrabar”, nos termos da época, e subir nas correcerias quando os motoristas não podiam vê-lo. Pelo que consta, nunca destratou ou maltratou alguém.

            Conta-se, e é verdade, que certa vez ele subiu na carroceria de uma camioneta que ia para a fazenda e o motorista não o viu subir e se esconder debaixo da lona, por causa da chuva. E foram estrada adentro. Já era noite. Acontece que quem dirigia o veículo tinha um medo arretado de assombração, e quando a camioneta foi parada para abrir uma porteira e o motorista desceu, o Xanxo disse, escondido debaixo da lona:

            “Pode deixar que eu abro a porteira”.

            O homem voltou correndo para dentro da cabina, engatou e acelerou, saindo em disparada. A cerca e a porteira foram consertados dois dias depois.

 

 

 

 


 

ZÉ DO ÓLEO

 

            Como o próprio apelido diz, e não se sabe o porquê, este homem gostava de se sujar de óleo queimado, o que lhe dava um aspecto um pouco desagradável, e chegava a dormir em algum canto dos postos de gasolina. Era muito visto em companhia de Maria Rosa (outro tipo popular de nossa cidade). Vivia mais no centro da cidade. Pouco se sabia a seu respeito, mas era muito querido por todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

MARIA ROSA

 

            Maria Rosa era baixinha, magrinha; sempre com um cachimbo na boca, mesmo apagado, andava pelas ruas e pelo comércio da cidade pedindo coisas, qualquer coisa, para levar para sua casa. E tudo o que ela ganhava era transportado dentro do vestido que ela usava diariamente. Quase sempre o mesmo. A parte de cima do vestido era mais larga do que o normal, e amarrado com uma corda na altura da cintura. Ia colocando as coisas ganhadas pela parte de cima do vestido, e como elas não passavam pelo amarrado na cintura, se formava um volume da altura de sua cintura para cima. E aí é que estava a sua característica, a sua marca. Tinha uma certa preferência por retalhos de tecidos. Voz muito mansa, tom baixo, quando não ganhava alguma coisa, coisa rara, agradecia e ia embora, mas voltava no dia seguinte para pedir de novo.

 

 

 

 

 

 

 

 


 

LURDINHA

 

        Lurdinha era a simplicidade em pessoa. Não gostava muito de banho, e roupa bonita não era com ela. Meio arredia, não era de muita conversa, e sempre evitava lugares movimentados. Morava sozinha em um local longe de outras casas, num barraco extremamente simples, debaixo de uma árvore. Dependia da boa vontade e da bondade de quem a conhecia.

 

        Clique aqui saber mais sobre essa personagem da história de Ituiutaba.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

TITO — ou JOSÉ CAMARGO

 

    Tito tinha a sua casa na Avenida 7, perto do Córrego “Sujo”, hoje Ribeirão de São José, no Bairro Progresso. Barba comprida, manchada, todos no bairro o conheciam. Fundador e defensor intransigente de que o bairro onde ele morava deveria se chamar “Bairro Camargo” e não “Vila Progresso”, chegou a colocar uma placa na rua principal do bairro, e em local bem visível, onde se lia: “Este bairro se chama 'Vila Camargo' e não 'Bairro Progresso'. É claro que o intimaram a retirá-la, e ele, muito contrariado, teve que remover a placa. Entenda-se aqui a vontade dele de tentar perpetuar o nome de sua família, os Camargo. Mas o prefeito da época insistiu e urbanizou o local com o nome de Bairro Progresso.
            Uma curiosidade: quando Juscelino Kubitschek estava construindo Brasília, Tito mandou uma carta ao Palácio do Planalto, acompanhada de uma foto sua, com a barba, dizendo-se muito orgulhoso daquela obra, e que, quando a terminassem, iria raspar a barba em sinal de apoio. E tanta foi a sua alegria ao receber a resposta à sua carta, com agradecimentos por parte do governo federal, que não se cabia de tanta satisfação e não se cansava de mostrar a carta a todos que ele encontrava pelas ruas. E, realmente, raspou a barba usada há mais de trinta anos quando a obra terminou. Os seus amigos quase não o reconheciam, até que a barba cresceu novamente. Aí, sim, ele voltou a ser o Tito, o da barba grande. A sua marca registrada.

 

 

 


 

TONICO XARÁ

 

        Tonico Xará morava na Avenida 9, no centro da cidade. Trabalhava como contador em um escritório de contabilidade. Sempre muito elegante, à noite, mas principalmente nos fins de semana, vestia o seu terno e saía a passear pelas ruas da cidade, sempre acompanhado do seu inseparável charuto, e do relógio de bolso dependurado em uma corrente — o relógio no bolso e a outra ponta da corrente presa no cós da calça. O detalhe é que ele fazia todo o trajeto a pé. Baixo, gordinho, cabelos lisos, cortês e educado, cumprimentava a todos, conhecidos ou não, que com com ele cruzavam pelas ruas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

CHUPINHA

 

            Chupinha era presença obrigatória nos desfiles de 7 de Setembro e do aniversário de Ituiutaba, pelo Educandário Ituiutabano.

            Magrinho, franzino, mas esperto, muito esperto mesmo, Chupinha dava seus pulos e cambalhotas, se apresentando, para admiração de todos que assistiam aos desfiles.      

 

 

 

 


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Colaborador: Valdeci S. de Moraes “Boneco”. Este texto foi publicado no Jornal do Pontal em 28 de dezembro de 2010.

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