FAMÍLIA ANGELO
Tronco do Triângulo Mineiro

Autor: Edson Angelo Muniz

LÁZARA ANGELO DE MELO "LAZICA"

       


     

 

Lázara Angelo de Melo, conhecida por Lazica, nasceu em 2 de abril de 1929, e faleceu em 12 de agosto de 1988, na cidade de Ituiutaba, onde residia. Ela era filha de Francisco Gonçalves Angelo, o Vovô Nenê Padeiro, e de Perciliana Maria de Oliveira, a Vovó Nêga.

Lazica se casou com Antonio Alves de Melo, filho de Custódio Alves de Melo e Ana Alves de Melo, no dia 3 de janeiro de 1959, na Igreja Matriz de São José, em Ituiutaba, e tiveram seis filhos: Divino Angelo de Melo, Ana Aparecida Angelo de Melo, a "Aninha", Eliana Angelo de Melo, Márcia Angelo de Melo Vidotti, Márcio Antonio Angelo de Melo e Antonio Carlos Angelo de Melo, o "Nenê". Lazica enviuvou-se no dia 15 de maio de 1970, ficando grávida do marido; porém, o menino não sobreviveu ao parto. A Eliana informou que este seu irmão se chamou Carlos Antonio Angelo de Melo.

 

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Texto escrito por Eliana Angela de Melo, em 12/08/2015:

 

Mães deveriam durar eternamente, elas nunca deveriam partir. Só de pensar dói, corta bem fundo a alma, atravessa o âmago, cerra a garganta e a voz não sai. Uma amiga muito sábia disse que: “nunca se é velho demais para ser órfão”. Ela tem razão. Todo adulto tem coração criança.

Quando se trata de mãe e por mais que se sente agarrar na barra da saia, chega o dia em que, fatalmente, ela diz adeus. Às vezes ainda jovem, e ninguém está preparado para aceitar esse tipo de perda. Achamos injusto, muito injusto mesmo, porque mãe é mãe. Mas Deus conhece nossos caminhos e sabe quanto tempo deve durar a missão de cada um, e o que temos que aprender com os que partem. Talvez, quem sabe, seja para que abramos novas janelas, novas portas, façamos novos encontros... Para que a gente aprenda a voar só e mais alto.

Se algumas mães não partissem ou não fossem diferentes, outras mulheres jamais fariam a experiência da maternidade através da doação.

Mas eu sei, com todo o meu coração, que quem teve a sua mãe e esta se foi, sente um vazio profundo, mas é um vazio de saudade, a sensação de não ter mais do lado aquela que preenchia qualquer espaço, e que o preenche ainda nas lembranças. Lembranças que também nos fazem viver, nos fazem sorrir, sentir ternura, e é isso que é importante: guardar o que de bom ficou.

Uma mãe não vai embora para sempre de verdade. Ela fica nas nossas células, na nossa pele, no nosso coração e na nossa mente. Mãe é isso: aquela que, mesmo partindo, fica. E, ficando, reconforta.

Mãe é eterna sim, no fim das contas, porque ela dura enquanto a gente dura, e nós somos eternos...

Lembro-me bem da convivência com a minha mãe, após vinte e sete anos de sua ausência. Os últimos seis meses de companhia terrena foram experiências inesquecíveis. Por exemplo: a luta desesperada dela para adotar uma criança, na expectativa da cura de sua saúde; a preocupação de ver seus filhos encaminhados na vida (presenciei sua realização quanto a isto). No último mês de vida ela pôde abraçar seus amados filhos e desejar felicidades, pois, os mesmos, sem saber, foram visitá-la, e eu, sempre por perto, fui notando sua maneira meiga e calorosa, despedindo-se de cada um deles.

Mamãe carregava em sua alma uma saudade silenciosa de minha irmã, Márcia, a qual, ainda muito nova, foi morar na cidade de Uberlândia, MG, com uma irmã de papai. E minha mãe nutria um grande amor e uma gratidão imensa por sua querida irmã, Terezinha, que também ama sua irmã, tanto que, ao saber da gravidade de sua saúde, largou família e trabalho em Santo André, SP, e, na companhia de seu filho de coração, Celso Raminelli, foi dar-lhe apoio moral, na semana em que mamãe veio a óbito.

Seu jeitinho calada e séria era apenas um escudo para auto- proteger-se, na verdade, ela era um poço de sabedoria e de caridade. Quem teve a oportunidade de conviver com ela, na sua maturidade/velhice, concorda comigo. Ela adorava dançar, colocar permanente (produto químico), para deixar seus cabelos encaracolados, passar um batonzinho básico nos lábios e pó compacto em suas faces... Seus vestidos e blusas de tecidos florados discretos a deixavam ainda mais graciosa, pois sua estatura era baixa e seus pés pequenos. Seu passatempo era o crochê... com seus dedinhos delicados e hábeis confeccionava lindas colchas, blusas, forros de mesa; porém, foi uma exímia costureira. No entanto, no final de sua passagem aqui, mal conseguia pregar um zíper; coitada, chorou. E, incrédula, perguntou--me: “É justo?...” Deus respondeu por mim!

Viúva, com seis filhos e grávida de dois meses de Carlos Antônio, que não sobreviveu, minha mãe enfrentou a nova vida, com a ajuda de nosso primo Ely Melo, da tia Terezinha Angela de Oliveira e de outros. Mamãe nos alimentou, vestiu, calçou e cuidou de nossa saúde, costurando e administrando uma pensão em Mateira, GO, cidade que foi submersa pelo Lago da Hidrelétrica de São Simão, GO. E presenteou-nos com um imóvel localizado na cidade de Paranaiguara (antiga Mateira), que foi a realização de um grande sonho e objetivo de sua vida... SAVANAS HOTEL.

De seus netos e netas, somente Perciliana a conheceu em vida, os demais a conhecem por fotos e pelo que é falado e lembrado pela família. E todos adoram a casa da Vovó Lazica — assim era chamada pelos familiares e amigos.

Mãe, depois de sua volta para junto de Deus, de nosso querido irmãozinho Carlos Antonio Angelo de Melo e de nosso pai Antonio Alves de Melo, sua família aumentou muito... Filhos: Divino “Vino”, Ana Aparecida “Aninha”, Eliana “Lana” ou “Wãe”, Márcia, Márcio Antonio, Antonio Carlos “Nenê” e Carlos Antonio; netos: Perciliana Angelo de Melo Evangelista “Pérci”, Lucas de Melo e Souza, Jaqueline Angelo Bartassan, Hawana de Melo e Souza, Pedro Samuel de Melo Vidotti, Antonio Carlos Angelo de Melo Júnior, Luís André de Melo Vidotti, Nícolas Menezes de Melo, Miguel Angelo de Melo "Miguelzinho" e Lívia Menezes de Melo; bisnetos: José Guilherme Angelo Evangelista, Heloísa Helena Angelo Evangelista, Ana Clara Angelo de Azevedo, Tarcísio Henrique Angelo Evangelista “Tarcisinho”, Lorenzo Melo Rosseti, Bárbara Mendes e João Antonio Neto Angelo de Paula. Todos guardamos silenciosamente em nossas almas o eterno AMOR pela senhora.     

 

      

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