FAMÍLIA ANGELO
Tronco do Triângulo Mineiro

Autor: Edson Angelo Muniz

FRANCISCO GONÇALVES ANGELO "NENÊ PADEIRO"

       


     

Nenê Padeiro, meu avô paterno, nasceu em 5 de novembro de 1900, filho de Pedro Gonçalves de Souza e Rita Angela de Souza "Rita Padeira". Ele se casou, com Perciliana Maria de Oliveira, a "Nêga", em 14 de abril de 1925, na Igreja Matriz de São José, em Ituiutaba, MG, e tiveram cinco filhos: Lázaro Batista de Oliveira, o "Lazaro Padeiro", Lázara Angelo de Melo, a "Lazica", João Angelo de Oliveira, o "Neinho", José de Oliveira Marques, o "Bebé", e Terezinha Angela de Oliveira.

Nenê Padeiro foi um pedreiro e carpinteiro afamado e muitos fazendeiros o contratavam para que ele construísse suas casas. O imponente casarão da Furna da Helena, no município de Gurinhatã, MG, foi construído por ele. Nenê era armador de pontes também, e trabalhou, na década de 50, na construção das pontes de madeira do Rio da Prata e do Rio Tijuco, em Ituiutaba, MInas Gerais. Além de casas e pontes Nenê Padeiro era um exímio construtor de carros de boi. E deixou herdeiro: seu filho do meio, o Neinho, aprendeu com ele o ofício de carpinteiro. Neinho fazia carros de bois pequenos, que eram puxados por cabritos, e madeiramento de casas, pontes, balsas...

Nenê Padeiro, certa feita, pegou uma empreitada: refazer a linha telefônica do centro telefônico de Ituiutaba até o centro telefônico da Fazenda Rosada, perto do Rio da Prata, indo até o Patrimônio de São Jerônimo (Gurinhatã). O serviço era deslocar todos os postes um metro de distância de onde estavam fincados, abrir a picada dos dois lados da linha, esticar e emendar, com estanho, os fios que estavam arrebentados. Neinho, Bebé, Marcolino Pato e Saul Bernardes eram os seus ajudantes. O Saul Bernardes, que trabalhou nessa empreitada por cem dias e teve como pagamento uma bicicleta Phillips, caiu de um poste, em cima de uma cerca de arame farpado, e rasgou a perna esquerda, na altura do joelho. Meu pai, o Neinho, era o cozinheiro. Quando eles estavam trabalhando perto da venda do Abacaxi, alguns pedreiros rebocavam a nova construção, que tinha o teto feito de laje. Nenê Padeiro ficou olhando os pedreiros, que jogavam a massa no teto, mas esta não pregava. Vovô Nenê, então, disse a eles: "Deixa eu mostrar pra vocês como é que se faz..." Pegou uma das colheres de pedreiro, subiu no andaime e começou a jogar a massa de reboco no teto, e não caiu nem uma das colheradas de massa que ele jogou. Os pedreiros disseram: "Mas como é que o senhor consegue, e nós não conseguimos?" E o vovô respondeu: "O batido de quem sabe é diferente. Vamos fazer o seguinte, vocês vão trabalhar na linha telefônica e eu reboco o teto pra vocês..." À tarde, o reboco do teto da venda estava todo pronto.

Nenê Padeiro faleceu em Ituiutaba, MG, vítima de colapso cardíaco, no dia 14 de agosto de 1957. Quando ele faleceu, eu estava com apenas um ano e quase cinco meses. Minha mãe me contava que este meu avô me pegava no colo e gostava de brincar comigo... Minha irmã, Ednair, me contou que o Vovô Nenê Padeiro deixou um martelo de madeira para ela, um para o Helinho e um para mim.     

 

      

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