FAMÍLIA ANGELO
Tronco do Triângulo Mineiro

Autor: Edson Angelo Muniz

 

A HISTÓRIA DOS DIAS, DE VILA PLATINA

       

      Por Manoel Soares de Freitas

 

 

Tudo começou com José Dias de Oliveira, casado com Francisca de Oliveira, proprietários de 850 alqueires de terras nas duas margens do Rio das Velhas, em Uberabinha (atual município de Uberlândia). Eles eram os pais do meu avô, Manoel Dias de Oliveira...

Naquele tempo, toda a produção da fazenda não tinha consumo ou comprador, ou seja, a fartura era garantida, mas era preciso jogar fora o feijão velho para armazenar o novo. Tinha-se muito mantimento, mas não se tinha dinheiro. Por isso, três dos irmãos, Manoel Dias de Oliveira, José Dias de Oliveira e Joaquim Dias de Oliveira, vieram de Uberabinha para a Vila Platina (atual cidade de Ituiutaba), para trabalhar de "jornaleiros" *... É que enquanto em Uberabinha ganhava-se mil réis por dia, em Vila Platina os fazendeiros, pela influência do garimpo, pagavam dois mil réis, e até dois mil e quinhentos réis, por dia.

Passados alguns anos, os três irmãos se separaram, e os dois irmãos de Manoel desapareceram, rumo a destino ignorado. Manoel Dias de Oliveira se casou com Maria Jesuína da Conceição, natural do Patrimônio de São Jerônimo (atual cidade de Gurinhatã), filha de José Quintino de Freitas e Cândida de Freitas. Desta união nasceram nove filhos.

O primeiro filho de Manoel Dias de Oliveira e Maria Jesuína da Conceição, Manoel Martiniano de Freitas, se casou com Guilhermina Rodrigues da Fonseca e tiveram: Maria Miguel de Freitas, Jerônimo Rodrigues de Freitas, Sebastiana Rodrigues de Freitas, Idelfonso Sebastião de Freitas e Longuinho Rodrigues de Freitas. O segundo filho deste casal, Jerônimo Rodrigues de Freitas, se casou com sua prima, Maria Soares de Freitas, a "Fiíca", e tiveram: Hermes Soares Ferreira, Erasmo Soares Ferreira, Wilson Soares Ferreira, Wilton Soares Ferreira, o "Militão", e Maria Gumercina Soares Ferreira. 

A segunda filha de Manoel Dias de Oliveira e Maria Jesuína da Conceição, Ana Dias de Freitas, se casou com Miguel Souza de Freitas e tiveram: José Miguel de Souza, Jerônima Souza de Freitas e João Souza de Freitas.

A terceira filha de Manoel Dias de Oliveira e Maria Jesuína da Conceição, Cândida Maria de Jesus, se casou com Jonas Bernardes de Oliveira, filho de Belarmino Bernardes de Souza e Perciliana Inocência de Jesus, e tiveram: Marcina Bernardes de Freitas, Sebastião Bernardes de Oliveira, o "Sebastião Careca", Lauriston Bernardo de Freitas, Maria Abadia da Silva, Francisca Paula Justino, Ilda Paula de Oliveira e Maria José Paula de Oliveira.

A quarta filha de Manoel Dias de Oliveira e Maria Jesuína da Conceição, Luiza Maria de Jesus (ou que assinava também Luiza Antonia de Oliveira), se casou com João Theodoro Muniz, membro da Família Muniz, e tiveram um filho único: José Muniz de Oliveira, mais conhecido por "Zé Preto", que se casou com a professora Eva Severino Muniz e tiveram: Evanice Severino Muniz, Eva Lúcia Severino Muniz Franco, José Donizete Muniz, Juarez José Muniz (Vereador Juarez Muniz, de Ituiutaba), Juarildo Severino Muniz e João José Muniz.

 

 

Luiza Maria de Jesus e João Theodoro Muniz de Oliveira, com seus netos:

(E/D): José Donizete, Juarildo, Juarez, Evanice e Eva Lúcia
 

 

O quinto filho de Manoel Dias de Oliveira e Maria Jesuína da Conceição, José Severino de Oliveira, o "José Dias", se casou com Prudenciana Inocência, filha de  Belarmino Bernardes de Souza e Perciliana Inocência de Jesus, e tiveram: Maria Dias de Oliveira, Júlio Bernardes de Oliveira, Quintino Bernardes de Oliveira, o "Tito", Perciliana Inocência de Oliveira, a "Sula", Antonia Maria Pereira, Vitor Dias de Oliveira, o "Nêgo", Lázara Inocência de Freitas, Geraldo Bernardes de Oliveira, Saul Bernardes de Oliveira, Maria Divina Parreira, a "Fiota".

Do segundo casamento de José Dias com Duvirgem, nasceu João Dias de Oliveira, o "Joãozinho" — Joãozinho foi criado ao lado de seus meio-irmãos.

 

Duvirgem e José Dias

 

João Dias de Oliveira se casou com Augusta Cândida de Oliveira, filha de Lourenço Antonio da Silva e Lázara da Silva.

 

(E/D): Geraldo Bernardes e seu filho Marcelo, Jacinta "Santa",

Evanide, Selma, Saul Bernardes, Perciliana e sua filha Maria Divina,
Antonio Raimundo (2.º esposo da Perciliana), José Dias,

os noivos: João Dias de Oliveira e Augusta Cândida Oliveira,

Gilberto, Gilson, Júlio Bernardes de Oliveira e Maria de Lourdes de Oliveira

 

João Dias e Augusta tiveram: Élvia Lúcia de Oliveira, Cássia de Oliveira Silva Martins e Fábio Oliveira Dias.

Cássia de Oliveira Silva Martins se casou com Ernandes Martins de Moura, filho de João Batista Martins e Dinivalda Garcia de Moura.

 

(E/D): Joãozinho, Nêgo, Tito, a noiva: Cássia de Oliveira, Fiota, Maria, Evanide, Sula e Santa

 

Cássia e Ernandes tiveram: Nicholas Augusto de Oliveira Martins Moura e João Vithor de Oliveira Martins.

Fábio Oliveira Dias se casou duas vezes: a primeira com Nisdelma Batista de Paula, filha de Abisair Batista da Silva, e tiveram um filho: Abisair Batista da Silva Neto; e a segunda com Maria Marta Barbosa de Oliveira, e tiveram uma filha: Ana Fábia Oliveira Dias.

A sexta filha de Manoel Dias de Oliveira e Maria Jesuína da Conceição, Francisca Maria de Jesus, se casou com Marcolino Bernardes de Oliveira "Marcolino Pato" e tiveram: Derenice Maria da Silva, Guilherme Francisco Marques, José Francisco Marques "Zé Pato", Luiza Maria da Silva, Adolor Francisco Marques "Dolor", João Batista de Oliveira "João Pato", Maria Francisca de Oliveira Teixeira e Vitória Áurea Muniz.

 

E/D: José Francisco, Adolor Francisco "Dolor", Francisca Maria de Jesus,

João Batista, Marcolino Bernardes com a Vitória Áurea nos braços,

Direnice Maria, Luiza Maria e Maria Francisca


 

O sétimo filho de Manoel Dias de Oliveira e Maria Jesuína da Conceição, Joaquim Dias de Oliveira "Quinca Dias", se casou com Gumercinda de Oliveira e tiveram: Urias Soares de Freitas, Maria Soares de Freitas "Fiíca", Sebastião Soares de Freitas, Manoel Soares de Freitas e Francisca Soares de Freitas.

Do segundo casamento de Joaquim Dias de Oliveira "Quinca Dias" com América Maria Martins nasceram: Guilherme Gonçalves de Freitas, Lázara Gonçalves de Freitas (também conhecida como Lázara Martins, mãe da Delice Gonçalves Gomes), Francisco Gonçalves de Freitas, Olídia Gonçalves de Freitas e Adebaldina Gonçalves de Freitas.

A oitava filha de Manoel Dias de Oliveira e Maria Jesuína da Conceição, Lúcia Dias de Oliveira, se casou com Pedro Pimenta e tiveram: José Aparecido de Medeiros. Lúcia Dias, em 1935, faleceu durante o parto do segundo filho, que também não sobreviveu.

A nona filha de Manoel Dias de Oliveira e Maria Jesuína da Conceição, Maria Cândida Dias, se casou com João Barbino. Esse casamento, contra o gosto da família, teve o apoio da minha avó, Maria Jesuína da Conceição. Maria Cândida, em 1937, após um aborto, não sobreviveu.

Os Dias são muito amorosos com seus filhos, mas não se importam em se separar, e não se comunicam entre si. Veja o início desta história: três irmãos vieram para Vila Platina, a fim de trabalhar e ganhar dinheiro, pensando ser coisa rápida, e nunca mais voltaram, nem para reaver os seus direitos de herança dos 850 alqueires, quando seus pais morreram, e nem os outros irmãos vieram atrás deles. Na época, vovó Maria estava grávida de sua segunda filha e não teve como o vovô comparecer para participar do inventário.

Como os irmãos Dias que vieram para Vila Platina não compareceram ao ato de partilha, os herdeiros de Uberabinha registraram em cartório a ausência dos três irmãos, tiraram uma coletânea de jornais da época do inventário e arquivaram tudo. Trinta anos após este fato, eles fizeram o Registro Torrens, o que fez com que a herança dos três irmãos desaparecidos voltasse para o montante da herança... E este é o principal motivo de existirem os Dias de Uberabinha (Uberlândia), ricos, e os Dias de Vila Platina (Ituiutaba), pobres!...

Além de tudo isso, o vovô Manoel Dias de Oliveira comprou, pagou e recebeu a escritura de 69 alqueires de terra no Córrego da Guariroba, no município de Ituiutaba, mas um de seus confrontantes sempre o aperreava, até mesmo arrombar a cerca da roça do vovô e colocar o seu gado dentro dela este vizinho fez. Para não cometer um crime, matando o vizinho, vovô Manoel abandonou os 69 alqueires e se mudou para a Fazenda Tamboril, perdendo tudo que conseguira em muitos anos de trabalho árduo...

Depois de alguns anos, meus pais e o tio José Dias se mudaram da Fazenda Tamburil, levando meus avós, Manoel Dias e Maria Jesuína, e minha tia Ana, para o município de Santa Vitória — que naquela época ainda era distrito de Ituiutaba —, para a região dos Patos, córrego da Samambaia, lugar de sertão muito doentio. Nesta ocasião, minha mãe, que estava grávida da Francisca, foi picada por uma cobra. Como não havia recursos financeiros e nem médicos, e o tratamento era só caseiro, o veneno da cobra abreviou o nascimento da minha irmã caçula e causou a morte da minha mãe.

Tia Lúcia, Tia Maria Cândida, meu pai e o Tio José Dias se mudaram para o Córrego da Taboca, no município de Quirinópolis, Goiás, deixando, no Córrego da Samambaia, meus avós e o Tio Miguel Souza com sua família. A Tia Luiza, sabendo da vida que meus avós levavam, passando, inclusive, por necessidades, pediu ao seu marido, João Teodoro, para ir buscá-los, de carro de boi, e ambos foram zelados por eles até o fim dos seus dias.

Tia Luiza foi uma alma caridosa, cuidava de todos que necessitassem. Ela cuidava da mãe do João Teodoro, a velha Maria Teodora, sua sogra, que ficou cega e paralítica. Dizem que cuidar de gente na velhice é um perigo, pois quando o idoso é mal tratado, excomunga seu benfeitor, quando é bem tratado, fica manhoso. A Maria Teodora ficou assim, manhosa, e aprendeu a engolir ar e a arrotar, e ela fazia isto quantas vezes quisesse. Era uma forma de abreviar o seu pedido de uma comida desejada. Minha irmã Francisca e eu presenciamos quando a Dona Maria fez o pedido de um molho de franguinho com angu, com jiló em fatias e uma salada de almeirão escaldada com óleo quente. Enquanto não vinha o pedido, presenciamos também os seus arrotos...

Minha irmã Francisca, que ficou de déu em déu, também foi criada pela Tia Luiza. Dizem que o veneno da cobra que picou a nossa mãe causou uma atrofia em seus nervos e ela era deficiente das pernas. Seus pais adotivos deram-lhe suadouros e purgantes de ruão, e assim ela voltou a andar e passou a ajudar em todos os serviços domésticos, se tornando uma boa dona de casa!...

Depois que minha avó Maria faleceu, o velho Manoel Dias se sentia deprimido, e de nada adiantou a ajuda da filha e do genro. Naquele tempo não existia a aposentadoria para custear as necessidades de um ancião, e ele não tinha dinheiro nem para comprar o fumo de corda para enrolar o seu pito. O vovô, nesta época, já tinha dificuldades para se locomover, e quando ele precisava fazer suas necessidades fisiológicas, no mato, ia se agarrando à cerca, sozinho, na maior dificuldade. Às vezes ele pedia para um neto ir com ele para o quintal, para capinar. Ele se sentava em um banquinho, pegava a enxada e capinava em círculo, em volta do banquinho. Pedia ao neto para mudar o banquinho para outra área e repetia a capinação. Até que um dia não deu mais conta de fazer nem isso...

Manoel Dias passou a receber, das mãos da Tia Luiza, o seu prato de comida, em um velho catre forrado de correias de couro de vaca. Ele comia o que vinha no prato e o colocava ao seu lado, não chamava pela filha nem batia no prato vazio. Quando a Tia Luiza vinha e perguntava: "O senhor aceita mais um pouco, não é, pai?...", ele respondia: "Se tiver e puder e quiser, pode me trazer mais um pouco!..."

Manoel Dias de Oliveira faleceu e foi sepultado ao lado de sua esposa, Maria Jesuína da Conceição, num cemitério da região da Fazenda Santa Bárbara.

E assim, aqui está um pouco da história e da genealogia da Família Dias, de Vila Platina — atual cidade de Ituiutaba.

 

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* "Jornaleiro" eram os empregados que ganhavam por "jornadas" de trabalho, por empreito. Mais tarde, passaram a ser chamados de "Trecheiros".

 

 

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Manoel Soares de Freitas nasceu em 2 de abril de 1930, filho de Joaquim Dias de Oliveira, o "Quinca Dias", e Gumercinda de Oliveira. Ele se casou com Maria Martins de Freitas (falecida), filha de Martim Domiciano da Costa e Ana Rita do Nascimento, no dia 23 de fevereiro de 1952, no Cartório de Registro Civil de Mateira (atual cidade de Paranaiguara, GO). Manoel, que é barbeiro, e Maria, tiveram cinco filhos: Carmelita Soares de Freitas Beirigo, Maria Divina de Freitas, Geilton Soares de Freitas (falecido), Adagmar Soares de Freitas Garcia e Genilton Soares de Freitas; e mais duas filhas de criação: Valdaíra Nunes de Miranda e Delice Gonçalves Gomes.

 

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