FAMÍLIA ANGELO
Tronco do Triângulo Mineiro

Autor: Edson Angelo Muniz

HISTÓRIA DO SOBRENOME ANGELO

       
 

Troncos primários



            Segundo o Dicionário das Famílias Brasileiras, de Cunha Bueno e Almeida Barata, Ângelo é um prenome, também usado como sobrenome. Do grego Âggelos, de ággelos, mensageiro; e anjo, pelo latim Angelu (Antenor Nascentes, II, p.18).

            Os genealogistas citam diferentes origens para este sobrenome. Jorge Forjaz, em sua valiosa obra Famílias Macaenses, impressa em 1996, dedicou-se ao estudo da Família Angelo, de origem portuguesa, que se estabeleceu, no século 19, em Macau. No Brasil, há registros da Família Angelo estabelecida no Rio de Janeiro, à qual pertence José Lopes Angelo, que faleceu antes de 1828, e foi casado com Inocência Clara da Conceição. Outro membro desta família é o Pedro Angelo, operário de obras, falecido em 29.11.1876, no Rio de Janeiro, quando partiu-se o guindaste de içar pedras das obras da Igreja de Santana. Relata-se também as origens latina, na Áustria do século 17, e italiana ou africana, em famílias brasileiras.
            A Família Angelo descrita no livro "Família Angelo — Tronco do Triângulo Mineiro" tem origem em Francisco Ângelo Rodrigues que adota o prenome de seu pai, Ângelo Rodrigues Airão, como patronímico para seus descendentes. Assim, Francisco Ângelo Rodrigues, sua esposa, Mariana de Souza Monteiro 3.ª, e os dezoito filhos do casal constituem o núcleo inicial da Família Angelo.

            Francisco nasceu em 26 de abril de 1823, na cidade de Elói Mendes (atual Campanha), MG, terceira geração da linhagem Rodrigues Airão, cujo patriarca, José, veio ao Brasil por volta de 1740. José Rodrigues Airão era originário da freguesia de São João de Airão, comarca de Guimarães, Distrito de Braga, em Portugal. Mariana nasceu em 17 de maio de 1829, em São João Nepomuceno (atual Nepomuceno), MG, filha da prestigiosa família mineira: Souza Monteiro. Eles se casaram por volta de 1843 e tiveram dezoito filhos, quinze dos quais nascidos em Nepomuceno e os últimos em Igarapava, SP. Mariana faleceu em Barretos, SP, em 13 de março de 1893, e Francisco faleceu em Buritizal, SP, em 11 de agosto de 1909.

            A "Família Ângelo" do século 19 acha-se intensamente entrelaçada com a "Família Pinheiro", e ambas com a "Família Vieira". Os patriarcas Pacífico Fernandes Pinheiro e Francisco Ângelo Rodrigues eram amigos desde Nepomuceno e se casaram com duas irmãs Souza Monteiro. Quatro irmãos de Pacífico casaram-se em Lavras, MG, com quatro irmãos Vieira, filhos de José Antonio Vieira. Ao emigrarem com as famílias para o remoto e despovoado sertão norte-paulista, seus filhos e netos continuam se casando entre primos; cinco irmãos Ângelos se casaram com três Pinheiros e dois Vieiras, e dezenas de casamentos ocorreram entre os netos e bisnetos. O entrelaçamento com os "Alves de Lima" ocorre em Barretos, com as gerações subsequentes.
 



Raízes ancestrais



            Os antepassados de Francisco Ângelo Rodrigues e Mariana de Souza Monteiro 3.ª são predominantemente portugueses que vieram para o Brasil, em diferentes momentos, desde a sua descoberta. Há de se destacar duas épocas preferenciais de emigração: no século 16, com o início da colonização, quando para cá vieram os antepassados de Maria do Rosário Pedrosa, bisavó paterna de Mariana de Souza Monteiro 3.ª. Incluem-se entre esses, Martim Afonso de Souza — o sobrinho —, João Pires — o Gago —, Garcia Rodrigues, Baltazar de Moraes Antas, além de Antonio Rodrigues, que aqui já se encontrava desde 1493.
            O ciclo do ouro em Minas Gerais marca outro momento de vinda dos antepassados de Francisco e Mariana. José Rodrigues Airão, Manuel da Costa Valle, André Martins Ferreira e Domingos Monteiro Lopes emigram para o Brasil na primeira metade do século 18.



• Linhagem Rodrigues Airão

        A linhagem paterna da Família Angelo começa em Campanha, MG, com José Rodrigues Airão, um português, natural da freguesia de Airão (hoje São João Batista), comarca de Guimarães, Distrito de Braga, Portugal. Ele é filho de João Martins Airão e de Jerônima Rodrigues. Transferiu-se ao Brasil por volta de 1740 e casou-se com a paulista Joana Maria Leme, filha de Francisco Pinheiro e de Rosa Leme. Seus filhos e netos viveram no sul de Minas Gerais, nas cidades de Campanha, Lambari, Natércia, Elói Mendes, Lavras e Nepomuceno.

 

 

• Linhagem Souza Monteiro

        A linhagem Souza Monteiro inicia-se no Brasil com Izabel de Souza Monteiro, por volta de 1700, em Olinda, PE. Em Minas Gerais, seus descendentes unem-se pelo casamento aos Gomes Galvão (Extrema Dura, Portugal), Monteiro Lopes, natural de Barcelos (Braga, Portugal), Martins Ferreira (Santarém, Portugal) e Costa Vale de Guimarães (Braga), sempre mantendo o sobrenome Souza Monteiro nas descendentes femininas. Mariana de Souza Monteiro 3.ª é homônima de sua avó, casada com Manuel Joaquim da Costa, em 1793, e de sua trisavó, casada com Domingos Monteiro Lopes, em 1731, bem como várias outras netas são também suas homônimas.


• Linhagem Antonio Rodrigues

        O primeiro registro no Brasil desta linhagem advém de Antonio Rodrigues. Quando Martim Afonso de Souza, em 1531, desembarcou pela vez primeira na praia de Bertioga, SP, já encontrou em terra, vivendo entre os índios, dois portugueses que lhe serviram de intérpretes, João Ramalho e Antonio Rodrigues. Provavelmente eles eram tripulantes da armada de Francisco de Almeida, que teria desembarcado no Brasil em 1493. Antonio vivia maritalmente com a filha do cacique Piquerobi, da tribo Ururaí, a qual foi batizada com o nome de Antonia Rodrigues. Desta primeira família brasileira descende Meciussu, que em língua tupi-guarani significa "Meci, a grande". Depois de batizada pelo Padre Anchieta, passou a ser chamada pelos portugueses de Mécia Fernandes. Salvador Pires, neto de João Pires — o Gago —, natural do Porto, Portugal, e que chegou a São Vicente com o mesmo Martim Afonso de Souza, em 1531, casou-se com Meciussu, e em duas gerações, o entrelaçamento se deu com descendentes de Antonio Bicudo que aqui aportou por volta de 1600. A neta é Margarida Bicudo de Brito que sintetiza em si a união entre descendentes das linhagens Rodrigues, Pires e Bicudos. Margarida é tataravó de Manoel Joaquim da Costa.

 


• Linhagem Leme

            De Bruges, em Flandres, atual Bélgica, procedem os Lemes, linhagem consagrada não só pelos famosos bandeirantes, mas também pelos aclamados genealogistas, Pedro Taques e Luiz Gonzaga da Silva Leme. Martin Leme passou a Portugal em meados do século 15 por causa do comércio, estabelecendo-se em Lisboa. Seus descendentes logo passaram à ilha da Madeira onde nasceu Pedro Leme que, em 1550, veio para São Vicente, SP, com a esposa e a única filha, Leonor. O bisneto de Pedro, Braz Esteves Leme, desposou a já citada Margarida Bicudo de Brito, seguindo como linhagem única até Mariana de Souza Monteiro 3.ª.


• Linhagem Raposo Góes

            A linhagem Raposo Góes tem início em Antonio Raposo, natural de Beja, Portugal, que naufragou nas costas do Brasil quando veio de Portugal para São Vicente na armada de Dom Diogo Flores de Valdez, em 1584. Embora tenha vindo casado, logo se uniu em segundo matrimônio com Izabel de Góes, filha de Domingos de Góes e Catarina de Mendonça, já residentes no Brasil. Seus descendentes do século 17 viveram em Guaratinguetá, SP, entre elas Branca Raposo, bisneta do náufrago Antonio Raposo e neta materna da mesma Margarida Bicudo de Brito. Branca Raposo é tataravó de Mariana de Souza Monteiro 3.ª.


• Linhagem Moraes

            Com a vinda de Baltazar de Moraes Antas para São Paulo, por volta de 1550, tem continuidade no Brasil a extensa linhagem dos Moraes. Segundo Arroio Mascarenhas (1757), esta linhagem origina-se em Dom Mendo Alam, um ilustre cavalheiro, Senhor da Vila de Bragança. Seus descendentes infiltram-se na Casa Real Lusitana por uma filha ilegítima do primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques (1109-1185). A descendência passa a seguir pelos senhores de Bragança e chega ao Brasil pelos Moraes Antas. No Brasil, João Pedroso de Moraes 1 — o terror dos índios ** —, é um dos descendentes de Baltazar, e sua neta, Maria do Rosário Pedrosa, é igualmente neta materna de Branca Raposo, do clã Raposo Góes. Maria do Rosário é a mãe de Manuel Joaquim da Costa e bisavó de Mariana de Souza Monteiro 3.ª. Manuel Joaquim da Costa, herdeiro materno de toda esta linhagem que testemunha a própria História do Brasil, casou-se, em segundas núpcias, com Mariana de Souza Monteiro 2.ª e viveu em Nepomuceno. Seu filho, Manuel Joaquim da Costa Monteiro, o Manuel Bravo, foi o pai de Mariana de Souza Monteiro 3.ª, a magnífica matriarca da Família Angelo descrita no livro "Família Angelo - Tronco do Triângulo Mineiro", de minha autoria.


• Outros troncos


            Neste trabalho de genealogia vamos encontrar os descendentes de Francisco Angelo de Souza e Maria Inácia de Jesus. Outros troncos familiares, originados de filhos do casal Francisco Ângelo Rodrigues e Mariana de Souza Monteiro 3.ª, são descritos por outros parentes em trabalhos semelhantes, como é o caso da Família Gama Ângelo, de Manoel Ângelo de Souza e Procópia Maria da Gama, que floresceu em Barretos, SP; a de Quincas Ângelo, que em dois casamentos deixou descendentes em Igarapava, SP, e Barretos, SP; e do prolífero Firmino Ângelo, que teve vinte e dois filhos nascidos em Buritizal, SP, cujos descendentes vivem hoje, preferencialmente, na região de Ribeirão Preto, SP, e nordeste paulista.

 

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Nota: Alguns parágrafos desta página me foram gentilmente cedidos por Ercílio Ângelo da Gama Júnior, a quem deixo aqui os meus agradecimentos.
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