FAMÍLIA ANGELO
Tronco do Triângulo Mineiro

Autor: Edson Angelo Muniz

EDNAIR ÂNGELA MUNIZ

       

 


     

Ednair nasceu em Ituiutaba, MG, em 12 de setembro de 1954, filha de João Angelo de Oliveira, o "Neinho", e Dorcina Muniz de Oliveira. Foi presidente do Sind-UTE de Ituiutaba, ex-funcionária da extinta Minas Caixa, presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ituiutaba (1987/1988). É professora de Língua Portuguesa e escritora (publicou o livro Miryam ou Flor de Manacá, em 1999).

Ednair foi candidata a Prefeita de Ituiutaba nas eleições de 1992 e por pouco não entrou para a história da cidade como a primeira mulher a dirigi-la, pois obteve 12.000 votos dos nossos conterrâneos e ficou em segundo lugar, por diferença mínima. Em 1994, ela foi candidata a Deputada Estadual, quando o Lula, seu companheiro de partido, foi candidato a Presidente da República pela primeira vez.
 

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Ednair, minha protetora...

Quando eu tinha três aninhos ela me salvou por duas vezes: a primeira, na "Balsa de Cima", foi ela quem avisou ao papai que eu estava me afogando, e ele me socorreu; a segunda, na casa da Vovó Lena e do Vovô Nenê Muniz eu peguei — não se sabe como — uma lata de soda cáustica, que estava guardada numa tábua dependurada no teto. Abri a lata e coloquei um pouco de soda na boca. Minha irmã viu e gritou por mamãe, já enfiando os dedos na minha boca, evitando que eu engolisse a soda. Minha mãe e minha avó vieram correndo. Minha mãe lavou a minha boca com seu leite materno, pois ela estava amamentando o Edilson, meu irmão.

Na escola, Ednair me ensinava a lição e protegia-me dos colegas brigões; na rua, enfrentava quem me ferisse. Certo dia, quando morávamos na Avenida 7 entre as ruas 36 e 38, em frente à Praça 16 de Setembro (atual Praça Tancredo Neves), no Bairro Progresso, em Ituiutaba, estávamos brincando de pique-esconde, e o pique, onde batíamos uma lata de óleo de cozinha, vazia, era na porta de nossa casa, perto de um bar. Por causa da algazarra que fazíamos, o dono do bar, um nordestino feio, magérrimo e mal-encarado, que usava um bigodinho ridículo, deu um cafezinho para os irmãos Pretão (Osvaldo) e Nata (Mauro), como pagamento, para que eles tomassem a nossa latinha e acabassem com a nossa brincadeira.

Quando eles chegaram para realizar a empreitada eu é que estava procurando meus amigos escondidos. O Nata avançou na minha mão, me tomou a latinha e me deu um empurrão. Caí sentado na calçada e comecei a chorar. Minha irmã, brava como uma mãe-leoa, saiu para fora, correndo, e perguntou:

"Quem está batendo no meu irmão?"

O Nata respondeu, galudo:

"Foi eu, por quê?"

Ela lhe disse, entre dentes:

"Você quer ver eu te meter a mão na cara?..."

Ele, corajoso, pôs a cara à frente e disse: "A cara tá aqui, ó."

Foi um tapa daqueles, que de longe escutou-se o estalo, e o rosto do Nata ficou vermelho na hora. Eu comecei a rir, ainda com lágrimas nos olhos. O Nata queria bater na Ednair de qualquer jeito, mas Pretão o conteve. Eles foram embora e nós continuamos a brincadeira; porém, a Ednair ficou por ali, vigiando...
 

      

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